08 de julho de 2026
Geral

Namoro duradouro demanda esforço

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Começo de namoro é sempre bom: aquele frio na barriga a cada encontro, os defeitos e manias do outro ainda imperceptíveis, a paixão quase cega e tão extasiante. Mas, passado algum tempo, como manter chama do relacionamento acesa e impedir que ele caia na rotina?

Embora o segredo de uma união bem sucedida não seja igual receita de bolo, quem realmente busca uma relação duradoura - principalmente quando se aproxima o Dia dos Namorados - precisa se dar conta de que é necessário esforço e algumas medidas inescapáveis para fazer com que uma história a dois dê certo. Segundo a psicóloga e terapeuta de casais Luciana Maria Biem Neuber, é possível, sim, manter um relacionamento prazeroso mesmo com anos de convivência, desde que ambos estejam dispostos a investir constantemente na manutenção da relação.

É claro que, com o tempo, problemas relativos ao trabalho, pendências financeiras, tarefas domésticas e, em alguns casos, até filhos acabam interferindo na qualidade do relacionamento. Mas, como a rotina é inevitável e até mesmo necessária, Luciana aponta que o importante é que a convivência a dois seja sempre renovada.

“Relacionamentos são co-construídos e implicam na participação do casal em investir na relação e torná-la prazerosa. É preciso aprender a lidar com as diferenças, ter respeito, flexibilidade, diálogo construtivo, criatividade, compreensão e companheirismo”, enumera.

Para manter o relacionamento aquecido, de acordo com a psicóloga, o primeiro passo é abandonar o egocentrismo e ser parceiro. Para tanto, algumas atitudes como valorizar as conquistas e qualidades do outro, respeitar sua individualidade, saber ouvir e reconhecer erros, planejar e realizar atividades juntos, participar da vida familiar e social do companheiro e exercitar a tolerância podem fazer a diferença entre estar ou não junto da pessoa amada.

“Também vale surpreender com bilhetes carinhosos, flores, bombons em datas que não sejam especiais, telefonemas inesperados para dizer o quanto o outro é importante ou jogos amorosos de sedução para intensificar a vida sexual”, acrescenta Luciana. Seguindo à risca os mandamentos, o casal de namorados Mariana Montilha Derêncio, 25 anos, e Felipe Antunes de Oliveira, 23 anos, já se prepara para o dia do matrimônio, planejado para o ano que vem.

Troca de amores

Há três anos “e dois meses” juntos, como faz questão de salientar a corretora de seguros Mariana, os pombinhos ainda moram em casas separadas, mas se veem todos os dias. Quando estão juntos, o desejo de afastar qualquer sinal de monotonia é constante.

“Não é uma obrigação, é vontade de fazer com que dê certo, mesmo. Todo final de semana a gente faz alguma coisa diferente, viaja, sai para jantar. Quando há uma data comemorativa, também pensamos em alguma coisa especial. Fora isso, ele sempre faz surpresinhas.”

A maior delas foi o pedido de noivado, quando o produtor de eventos Felipe - o mais romântico da relação - colocou uma aliança de ouro dentro de uma caixa de presente, dada à namorada no Natal de 2008. “Eu me esforço. Quem gosta de verdade não pode deixar o relacionamento cair na rotina, tem que ter uma troca de amores, senão acaba mesmo”, observa Felipe.

Para a terapeuta comportamental e escritora Ramy Arany, essas pequenas concessões diárias são parte da escolha de quem pretende sustentar uma relação com harmonia, pois só através delas é possível equilibrar as necessidades de cada um. “Normalmente, entre o casal, sempre um cede mais do que o outro. Contudo, é muito importante que haja equilíbrio nas concessões para que não haja excessos pendentes somente de um lado”, pondera.

Porém, mais do que entender o companheiro e suas necessidades imediatas, Ramy explica que o casal precisa estar ciente de que uma união não se mantém sempre da mesma forma, o que demanda constante reavaliação de como fazê-la viva. Assim também acontece com o amor.

“Mesmo sendo um sentimento verdadeiro, ele também sofre transformações de acordo com o tempo. Mas não significa que hoje seja melhor do que ontem ou que antes era mais forte do que hoje, apenas que, em cada ciclo de nossas vidas, o amor e a relação vão se manifestando de uma maneira nova”, analisa.