09 de julho de 2026
Internacional

Tel Aviv não aceitará apuração internacional de ataque a navio


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Washington - O embaixador israelense nos Estados Unidos, Michael Oren, disse que Israel rejeitará a ideia de uma comissão internacional para estudar o ataque de Israel a um navio com o qual ativistas pretendiam chegar à Faixa de Gaza para ajuda humanitária e em que nove pró-palestinos foram mortos.

“Nós rejeitamos uma comissão internacional. Estamos discutindo com a administração do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, uma forma para que nossa investigação aconteça”, disse Oren ao programa “Fox News Sunday”.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, propôs uma investigação incluindo outros países. Ban contatou o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, anteontem, falando sobre a necessidade de se instalar uma comissão internacional de investigação.

A comissão seria integrada por Israel, Turquia e EUA, e o premiê neozelandês Geoffrey Palmer foi indicado como um possível presidente do grupo que investigaria o ataque israelense contra a “Frota da Liberdade”.

Até o momento, o governo de Israel tem se mostrado hesitante em aceitar uma investigação internacional, mas a imprensa israelense chegou a cogitar ontem que a administração poderá ter que aceitar uma investigação conjunta e até mesmo abrir mão do bloqueio a Gaza, frente à crescente pressão internacional.

Netanyahu discutiu a proposta com Ban anteontem e planejava convocar uma reunião de gabinete ontem para decidir sobre a presença de Israel no painel.

Líderes de Israel têm afirmado publicamente sobre a intenção de abrir uma investigação própria com observadores internacionais a respeito da intercepção do navio de bandeira turca que aconteceu na última segunda-feira.

O formato de investigação liderada pelo Estado judeu somente com a participação de outros países, ao invés de uma comissão conjunta, foi sugerida pelos EUA ainda no final da semana.

Sobre formas de flexibilizar o bloqueio a Gaza, o jornal “Jerusalem Post” disse que os responsáveis pelo ministério da Defesa israelense já contemplam a possibilidade de deixar passar barcos de ajuda humanitária que aceitem ser inspecionados por uma força internacional, possivelmente da ONU, antes de cruzarem a linha de bloqueio de 20 milhas da costa de Gaza.

Mesmo assim, o premiê de Israel repetiu ontem que Israel “não permitirá a criação de um “porto iraniano” em Gaza, nem a entrada livre de armas” no território. O movimento que controla a região, o Hamas, conta com amplo apoio do governo de Mahmoud Ahmadinejad, no Irã.

A ONG “Free Gaza”, uma das organizadoras da “Frota da Liberdade”, anunciou ontem que uma nova tentativa de romper o bloqueio a Gaza deve ocorrer nos próximos meses. “Voltaremos”, disse a organização em comunicado.

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Deportações

Tel Aviv - Israel começou a deportar ontem os ativistas do navio irlandês Rachel Corrie, abordado anteontem pela Marinha israelense, numa operação que não deixou vítimas, ao contrário do que ocorreu na segunda-feira passada, quando o ataque tropas de Israel à “Frota da Liberdade” deixou nove mortos e dezenas de feridos. Sete integrantes do Rachel Corrie já estão na Jordânia, e os outros quatro deveriam deixar Tel Aviv ainda ontem.

Um cubano e seis malaios (o deputado Mohd Nizar Zakaria, dois jornalistas da emissora malaia TV3 e três funcionários da organização “Perdana Global Peace”) cruzaram a ponte de Alenby, na fronteira entre a Cisjordânia a Jordânia.

“Todas as pessoas do navio serão deportadas no domingo, depois de terem assinado um documento em que abrem mão de recorrer à Justiça israelense contra a expulsão”, disse a porta-voz do serviço de imigração de Israel, Sabin Hadad.

No total o navio levava 19 pessoas, sendo 11 ativistas e oito membros da tripulação. As 12 pessoas remanescentes serão levadas ao Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Tel Aviv, e de lá seguirão para seus países de origem.

De acordo com a porta-voz Sabin Hadad a saída de Mairead Maguire, 66 anos, irlandesa ganhadora do prêmio Nobel da Paz e famosa defensora da causa palestina e dos outros ativistas, foi atrasado porque eles se recusavam a assinar o documento proposto pelo setor de Imigração israelense, obrigando-os a renunciarem a seus direitos de apelarem contra a deportação.