09 de julho de 2026
Articulistas

Óleo de cozinha sustentável!

CK Ferreira
| Tempo de leitura: 2 min

Em Bauru, são gerados por mês aproximadamente 216.000 litros de óleo usado de fritura, também conhecido por óleo e gordura residual (OGR).  Ficamos felizes em perceber que existe a vontade em debater este assunto, que se faz neste momento mais que necessário. Há quase dez anos temos o mesmo discurso: “Não podemos jogar o óleo no ralo porque ele vai virar combustível limpo”.  Qualquer iniciativa de gerenciar este resíduo deve ser louvada.  Tem de existir todo um planejamento de coleta, tratamento e comércio, seguindo os preceitos do desenvolvimento sustentável.  Pena que alguns indivíduos utilizam a preservação ambiental como mote de marketing que prega um serviço de coleta e depois, como bem ilustrado na matéria “Seu óleo de cozinha”, destinam para ração animal, proibido por lei, ou para fabricação de sabão caseiro que não interrompe seu ciclo nocivo.  Existe um mercado clandestino e marginal em torno do óleo e gordura residual (OGR) que acaba privilegiando quem trabalha de maneira errada.    

A SEMMA (secretaria do meio ambiente) vem desenvolvendo um trabalho excepcional apesar das dificuldades em educar a população quanto ao descarte correto dos resíduos urbanos, e mais complicado com relação ao óleo usado de fritura, porque diferente do que acontece, por exemplo, com o alumínio onde existe autonomia do catador que não precisa falar e nem pedir nada a ninguém e, no final do dia, vende sua mercadoria para a cooperativa, o catador de óleo, que também vive na mendicância, tem que se dirigir às donas de casa, donos de restaurantes, porteiros de prédio e sempre são maltratados e muitas vezes escorraçados.  O que vale aqui é a política do melhor preço, sem haver preocupação com responsabilidade ou preservação ambiental alguma.

Sou presidente da oscip COMVIDA, com sede em Bauru, promovemos o descarte correto do óleo e gordura pós-consumo a mais de 5 anos.  Nesse período desenvolvemos parcerias com 39 cooperativas de resíduos no estado de São Paulo, com empresas e órgãos públicos a fim de mobilizar a sociedade num trabalho conjunto de descarte correto e ambientalmente responsável.  A utilização deste resíduo é mínima e tem uma logística complexa. O óleo usado de fritura tem alta acidez e impurezas, o que demanda processos prévios além daqueles que promovem a produção de Biodiesel. Sabemos que comercialmente não há lucro dado à logística de recolhimento. Portanto, quem quiser falar em recolher óleo usado, precisa, antes de qualquer coisa, fazer um balanço de tudo, colocando o bem comum num cenário possível de sustentabilidade, onde exista a preservação ambiental, com justiça social e sendo economicamente viável.

O autor, CK Ferreira, é presidente da OSCIP COMVIDA - comvida@tackcom.com.br