09 de julho de 2026
Geral

Venda de fogos cresce mais de 60%

Alexandre Padilha
| Tempo de leitura: 5 min

Um setor que está bastante feliz com a chegada de junho é o comércio de fogos de artifício. Normalmente, as vendas sobem cerca de 30% de um ano para outro, mas desta vez a procura está ainda maior. Além das festas juninas, que já começam a movimentar as compras, os artigos pirotécnicos são muitos procurados pos amantes do futebol, ainda mais durante a maior competição da modalidade: a Copa do Mundo.

Com esta “união de forças”, as vendas de fogos de artifício registraram aumento superior a 60% em relação ao mesmo período do ano passado. E, segundo o empresário do setor Pedro Soares de Oliveira, a tendência é este percentual subir ainda mais com a chegada dos jogos da Seleção Brasileira de Futebol.

“O público se anima em relação à Copa e também pelo aumento do poder aquisitivo. Todo ano, as vendas crescem cerca de 30%, mas este ano já aumentou algo em torno de 60% a 70%. Tem muita gente que está comprando adiantado com medo do abastecimento não ser suficiente, mas a expectativa é do movimento crescer ainda mais”, afirma Oliveira ao garantir que o abastecimento não será problema em sua loja.

Profissional em pirotecnia com mais de 27 anos de atuação no ramo, ele afirma que as tendências de compra mudaram ao longo dos anos. Segundo ele, atualmente as pessoas comemoram a festa junina até o final do mês de julho. “Antes, as comemorações iam apenas até os primeiros dias de julho, mas hoje já tomou os dois meses inteiros (junho e julho). Isso amplia ainda mais as vendas”, resume.

Com sua experiência e contato direto com os compradores, o empresário definiu três modelos de fogos de artifício que são os mais procurados neste ano. “Os foguetes 12 por 1, foguetes de três tiros e as girândulas têm sido os produtos mais comprados este ano”, destaca Oliveira, explicando que girândula é o nome dado às antigas “baterias”, que soltam foguetes em sequência.

Ele assegurou que os fogos de artifício são uma diversão para toda a família, mas os pais devem ter atenção especial na hora de comprar esses artigos para seus filhos. “Para os mais novos, a venda é feita de acordo com o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Enquanto os mais novos podem brincar apenas com estalos e traques, os maiores de 12 anos têm acesso às tradicionais “bomba 1”, fósforo de cor, peões coloridos e alguns outros modelos”, enumera.

Cuidados

Entretanto, Oliveira destaca alguns cuidados que devem ser tomados a partir do ato de venda. Ele afirma que os vendedores devem prestar total assistência aos clientes. “Por exemplo, se um pai vem comprar fogos para dois filhos, um de 13 e outro de 6 anos, vamos aconselhar que ele não leve os produtos apropriados para o garoto de 13 anos. Isso porque a criança de 6 anos pode estar por perto, aumentando o risco de acontecer um acidente”, frisa.

Além disso, ele observa que uma das principais funções do vendedor é instruir os compradores em relação ao manejo correto dos produtos. “Sempre aconselhamos a seguir as instruções de uso estampadas nas embalagens e também explicamos o jeito certo de soltar os fogos, tudo para evitar problemas”, avisa.

Oliveira ressalta como outro fator importante a procedência dos produtos, que devem ser comprados apenas de revendedores autorizados para garantir a qualidade. “O público não deve comprar os fogos em lojas clandestinas. Isso não deve ser realizado em hipótese alguma porque você não tem respaldo e garantia do produto”, argumenta o vendedor.

Ele afirma ainda que a compra de fogos de artifício para estocar em casa não oferece riscos se as pessoas agirem corretamente. De acordo com Oliveira, a maioria da população se preocupa com o calor na hora de guardar, enquanto a grande preocupação deve ser em relação à umidade.

“Muitas pessoas pensam que o perigo dos fogos é mantê-los próximos ao calor, mas o mais perigoso é deixá-los em locais úmidos. Não podemos deixá-los expostos à umidade porque os elementos químicos dos fogos podem fermentar nesta situação, oferecendo riscos”, avisa Oliveira.

____________________

Comemorações podem afetar cachorros e gatos, mas é possível amenizar situação

Durante a Copa do Mundo de Futebol, as comemorações de gols e resultados dos jogos com fogos de artifício são muito comuns. Entretanto, todo o barulho provocado na euforia da celebração pode assustar cães e gatos, com a possibilidade de causar danos à audição dos animais e deixá-los inquietos a ponto de fugirem de casa.

O médico veterinário Luciano Bortotto afirma que um ambiente com ruídos sonoros acima da marca de 50 decibéis podem gerar uma inquietação nos bichinhos. “A audição dos animais é mais aguçada que a do ser humano, então, o que para nós é alto, para eles já passou do insuportável. Quando o barulho fica acima de 50 decibéis é ideal retirar o animal do ambiente. Esse barulho pode ser comparado a cerca de 20 pessoas gritando, batendo palmas, conversando”, destaca Bortotto.

Ele explica que, ao sentirem-se incomodados, os cães e gatos começam a ficar agitados e tendem a sair do ambiente caracterizado pelo som alto. Nessas situações, o veterinário frisa que os animais podem até mesmo fugir de casa.

“Os animais podem ficar assustados, amedrontados. Cães muito ansiosos podem chegar até a se mutilar, mordendo as patas e o ventre, enquanto outros ficam uivando e fazem xixi em lugares inadequados”, explica o veterinário.

Entre as possibilidades para tranquilizar cães e gatos muito ansiosos, Bortotto garante que, se a ideia é medicar os animais para baixar a ansiedade, o primeiro passo que deve ser tomado é consultar um médico veterinário para tomar conhecimento sobre as melhores alternativas para cada animal.

“A fitoterapia e a medicação tranquilizante devem ser tomadas apenas após a realização de um exame. A fitoterapia utiliza produtos naturais à base de plantas e frutas para acalmar os animais, oferecendo menos riscos. Mas tanto estes medicamentos mais leves quanto os mais fortes devem ter a supervisão de um veterinário”, ressalta.

Ele também dá algumas dicas sem envolver medicamentos para não deixar os bichinhos sofrerem durante as comemorações. O veterinário sugere que algodão seja colocado no ouvido dos animais, garantindo que isso não ofereça riscos à saúde dos bichinhos.

“Se for colocado apenas com o dedo, o máximo que pode acontecer é a pessoa não conseguir retirar. Para isso, basta ir a um veterinário e tudo se resolve”, detalha Bortotto.

Além disso, o veterinário disse que os donos podem optar por deixar seus bichinhos em hoteis de animais ou clínicas que oferecem o serviço de hospedagem, assegurando ainda mais tranquilidade com o “serviço especializado de profissionais da área”.