09 de julho de 2026
Esportes

Copa 2010: Alterações de Dunga mostram resultado


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Não é só nos bons resultados que Dunga, novato na profissão, tem desempenho de dar inveja aos medalhões. O desempenho da seleção brasileira sob o seu comando mostra que ele também é muito bom em ajustar a equipe no decorrer das partidas, qualidade que infla o ego de qualquer treinador. Contando apenas os jogos oficiais, quando as substituições são mais restritas e importantes, a performance do time nacional a partir da primeira mudança feita por Dunga é arrasadora.

Em 29 jogos por eliminatórias, Copa das Confederações e Copa América, o Brasil marcou 25 gols e sofreu apenas dois após o time ser mexido, o que dá um saldo de 23. Com a equipe inicial, mesmo com mais minutos de bola rolando, a diferença entre gols marcados e sofridos fica em 15 (36 pró e 21 contra).

Em alguns casos, é até possível dizer que as trocas de Dunga foram feitas para corrigir erros na escalação inicial. Mas a comparação com outros treinadores dá mais argumentos para defender as substituições do atual comandante da seleção.

Na Copa das Confederações do ano passado, por exemplo, o Brasil marcou sete tentos e não sofreu nenhum a partir da entrada em campo do primeiro reserva. Na mesma competição, em 2005, quando o time estava sob a direção de Carlos Alberto Parreira, a seleção balançou as redes só duas vezes e foi vazada em três oportunidades depois de a formação inicial ter sido desfeita.

Algumas das trocas feitas por Dunga mudaram o panorama e também o placar final do jogo. Foi o que aconteceu, no ano passado, pelas eliminatórias sul-americanas diante do Equador, em Quito. Na ocasião, o Brasil era massacrado (foram mais de 30 finalizações do time da casa). Dunga então resolveu trocar Ronaldinho por Júlio Baptista, e o jogador da Roma marcou o gol brasileiro no empate em 1 a 1.

Até quando “inventou’’, Dunga se deu bem. Nas semifinais da Copa das Confederações, contra a África do Sul, ele colocou Daniel Alves improvisado na lateral esquerda. Em cobrança de falta, o jogador fez o gol que pôs a seleção na decisão da competição, da qual foi campeã.

Mudanças?

Só que o sucesso das trocas feitas por Dunga, dessa vez em um amistoso, fizeram o treinador ter que ouvir perguntas sobre possíveis mudanças no time que estreia na Copa na próxima terça, às 15h30, contra os norte-coreanos, em Johannesburgo. Anteontem, só depois das entradas de Daniel Alves, Josué e, principalmente, Ramires (autor de dois gols), o time deslanchou na vitória de 5 a 1 sobre a frágil Tanzânia. Mas Dunga não dá sinais de que fará modificações na equipe tradicionalmente titular. Mudanças, por enquanto, só durante os jogos.

Júlio César

O goleiro, que não viajou para a Tanzânia, foi o único jogador da seleção que trabalhou ontem. Ele se recupera de uma contusão nas costas e foi examinado pelo departamento médico da seleção. Tudo indica que o problema não impedirá o titular de Dunga de jogar na estreia do Brasil na Copa, diante da Coreia do Norte, na próxima terça-feira, no estádio Ellis Park.

Folga

A maioria dos jogadores da seleção brasileira preferiu ficar na concentração da equipe, em um hotel de Johannesburgo, na folga de ontem. O motivo foi um churrasco que teve picanha, frango na brasa e farofa de linguiça como atrações. Na Copa de 1994, nos EUA, a nutricionista do Brasil pediu demissão por não concordar com refeições calóricas, especialmente a feijoada.

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Cafu alerta Lúcio

A imagem de Cafu ao levantar a taça de campeão mundial de 2002 está eternizada na Seleção Brasileira. Capitão em duas edições da Copa do Mundo, o ex-camisa 2 avisa que o novo líder da equipe canarinho, o zagueiro Lúcio, deve se acostumar com algumas obrigações até fora do campo.

Cafu lembra que não é uma missão fácil para o técnico Dunga administrar o ego dos jogadores mais badalados e de uma concentração rígida. Portanto, cabe ao capitão realizar uma espécie de “meio-campo” entre elenco e comissão técnica. “O capitão é o representante oficial do time, é o capitão de 190 milhões de pessoas. Quem está nessa função precisa entender isso”, explicou Cafu.

Para defender a Seleção Brasileira em um Mundial, o jogador deve apresentar atributos especiais. Já na função de capitão, as qualidades devem ser ainda mais marcantes. Cafu acredita que seu sucessor está pronto. “A imagem que o Lúcio impõe o fez ganhar essa condição de capitão na equipe. Ele é um cara muito respeitado dentro do elenco”, observou ele.

Lúcio só não terá a chance de alcançar Cafu na impressionante marca de três finais seguidas de Copa do Mundo. Na verdade, o dono do recorde acredita que será imbatível por muito tempo. “É muito difícil, bastante complicado alguém jogar três finais seguidas. Acho que a possibilidade é de 98% de não ser batido. As coisas aconteceram muito rápido para mim, com muito sacrifício, um sacrifício gostoso”, encerrou Cafu.

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Sonho realizado

Salomon, um garoto de 12 anos que trabalhou como gandula no amistoso entre Brasil e Tanzânia, realizou o sonho de conhecer os comandados de Dunga após a partida. O supervisor Américo Faria ficou sensibilizado com o menino tanzaniano e autorizou a sua entrada no vestiário do estádio Nacional Benjamin Mpaka na segunda-feira.

De acordo com o comunicado da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Salomon se apresentou com simplicidade aos seguranças da seleção: “Boa noite. O Brasil é meu time favorito e eu gostaria muito de falar com os jogadores. Deixa eu entrar?”.

Ao lado dos atletas, o menino conversou com o meia Kaká, ganhou autógrafos de todos os presentes e posou para fotografias. Antes de ir embora, Salomon se disse ansioso para mostrar aos seus colegas as recordações do encontro com os jogadores do Brasil.

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Kleberson jogou só

49 minutos com Dunga

Para valorizar suas convocações e substituições, Dunga diz que no seu time são “23 titulares”, o tamanho da convocação para o Mundial. Mas o que aconteceu nos amistosos contra o Zimbábue e a Tanzânia mostra que o meia flamenguista Kleberson parece estar no grupo só para ocupar o lugar do santista Paulo Henrique Ganso ou do milanista Ronaldinho.

Dos 20 jogadores de linha, ele foi o único que não entrou em campo nesses jogos, os últimos antes da Copa. Além dele, só Doni não entrou em campo. Mas pelo menos o goleiro já figurou como homem de confiança de Dunga -foi o titular na conquista da Copa América, em 2007.

Kleberson tem míseros 49 minutos em campo pela seleção com Dunga. Até Grafite, convocado pela primeira vez pelo técnico no início do ano, jogou mais (58 minutos). Anteontem, em Dar Es Salaam, foi até constrangedor ver Kleberson se aquecendo durante praticamente todo o segundo tempo e permanecer assim até o apito final.

Em Curitiba, no início da preparação para a Copa sul-africana, o atleta do Flamengo disse que não teria condições de jogar no lugar da maior estrela da seleção. “O Kaká é insubstituível”, disse. Ficar esquecido não é novidade neste ano para Kleberson, titular com Luiz Felipe Scolari na conquista do pentacampeonato, em 2002. Em alguns jogos do Flamengo, nem relacionado para o banco de reservas ele foi.

Kleberson não foi lembrado por Dunga após o jogo contra a Tanzânia como um dos “23 titulares” - ele citou os nomes de Josué e Ramires. Na ocasião, o treinador deixou claro que não pretende fazer mudanças radicais. “Só porque algumas mexidas dão certo não significa que vou mudar o time a cada jogo”, afirmou.