A Liga Regional de Futebol de Bauru (LRFB) está extinta. Oficialmente, ainda não, mas na prática não tem mais clubes e, consequentemente, jogos ou qualquer atividade. Em reunião, ontem à noite, na sede do Parquinho, conforme adiantou com exclusividade o Jornal da Cidade na edição de ontem, representantes das agremiações filiadas à LRFB decidiram deixar a liga e procurar junto à Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) e à Liga Bauruense de Futebol Amador (LBFA) uma solução que permita a continuidade do campeonato, paralisado há duas semanas, após a demissão coletiva da diretoria da LRFB. De acordo com os representantes das equipes, os clubes fizeram despesas para disputar o campeonato e têm compromissos com os investidores e, portanto, precisam jogar.
Os clubes agendaram reunião com o secretário de esportes, José Carlos Batata, na sexta-feira, a partir das 10h, na Semel. Existe possibilidade de se encontrarem com o presidente da LBFA, Vicente Silvestre, no mesmo dia. A garantia é que o campeonato segue, nos mesmos moldes e com a mesma tabela. “Temos compromisso com patrocinadores, com atletas e todo mundo sabe que este campeonato nosso é semiprofissional e todos têm sua cota. No meu caso, o Triagem tem até funcionários registrados. A gente não pode simplesmente, do dia para a noite, abrir mão e parar com tudo isso. É uma responsabilidade muito grande”, comenta Nardo, presidente do Triagem.
Branco, presidente do Parquinho, explica que a decisão dos clubes se deve à lentidão da própria LRFB em encontrar solução para a demissão do presidente Maurício Nascimento em conjunto com a diretoria. “É muita demora da Liga Regional para dar solução. Não se consegue falar com o (José) Pinheiro, o Maurício (Nascimento) não consegue falar com o Walance (Nogueira Rocha, presidente da Federação Paulista de Futebol Amador)”, reclama. O Jornal da Cidade tentou contato com Rocha e com o diretor jurídico da Federação Paulista de Futebol Amador, Luiz Carlos Picolo, mas não conseguiu.
Nardo lembra que a LRFB, hoje, não tem atividades, o que deixa os clubes “órfãos”. “Pelo que nos passam, pelo que o Maurício (Nascimento) me disse ainda hoje (ontem), a Liga Regional se resume a uma mesa e um computador desligado em cima, nem a sede tem mais”, aponta. “Então, os clubes tomaram a decisão, acho até que tardia, de procurar a Semel, através da figura do secretário (Batata), expor para ele as ideias que temos, de continuar. Já tem um regulamento, o campeonato já começou, os clubes estão dispostos a pagar taxa de arbitragem, mas alguém fora dos clubes precisa dar esta organização. A Semel tem estrutura para isso, para organizar”, diagnostica o presidente do Triagem.
“Outra hipótese, que também é bastante viável, é a gente passar para a Liga Bauruense e dar sequência neste campeonato”, acrescenta.
Branco concorda e diz que, independentemente de quem organizará, Semel ou LBFA, o campeonato segue. “O que decidimos foi partir para a Semel e falar com o secretário (Batata) e com o Bira (funcionário da Semel, coordenador das Copas Big Boys, Golden Master e ex-presidente da LRFB) e fazer o campeonato pela Semel. Outra opção é o Vicente Silvestre (presidente da LBFA), que já concordou em tocar o campeonato. Tem algumas taxas que sempre foram pagas, que é de arbitragem e inscrição. O que definimos é que o campeonato vai continuar”, garante o presidente do Parquinho. Caso os clubes passem a ser filiados da LBFA, disputarão uma competição que se chamará Série Prata.
Estiveram presentes e ratificaram a decisão representantes do Redentor, Estrela, Luziana, Beija-Flor, Geisel, Laranjeiras, Ressaca, Oriente, São Francisco e Bela Vista, além de Triagem e Parquinho. O São Francisco adiantou durante o encontro que, se houver despesas com taxa de arbitragem, não participará.
A LRFB não tem diretoria e clubes, mas a dissolução oficial da liga só ocorrerá efetivamente quando todos os trâmites burocráticos foram efetuados.
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Disciplina será prioridade
Além de encontrar uma solução para a continuidade do campeonato, uma preocupação ficou clara na reunião de ontem: a ideia de que a disciplina será fundamental para o sucesso do “novo campeonato”, que ele seja organizado pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer ou pela Liga Bauruense de Futebol Amador. Representantes dos clubes chegaram a um consenso em torno da questão.
“Isso é fundamental, precisa ser repensada muita coisa que tem sido feita. Tem gente que confunde adversário com inimigo. Adversário é aquele que na hora do embate esportivo é seu rival, mas não seu inimigo. Acho que elevamos o nível do campeonato, mas os diretores continuaram um pouco amadores. Esta reunião serviu para conscientizar que a gente precisa resgatar um pouco do espírito esportivo”, afirma Nardo, presidente do Triagem.
Branco, presidente do Parquinho, alerta que a mudança de postura evitará que situação idêntica se repita e pede compreensão com erros de arbitragem. “Não adianta nada ter acontecido isso na Liga Regional e, amanhã, acontecer na Semel: paralisar por causa de confusão. Os diretores têm que estar conscientes que tem que ganhar na bola, o time que estiver melhor. E deixar bem claro, os árbitros erram. Erram no Campeonato Brasileiro, no Paulista, vai começar a Copa do Mundo e vai ter alguns erros. Mas não é porque errou que vamos bater. Vamos tentar conscientizar, conversar com os torcedores para não ter mais confusão”, conclui.