08 de julho de 2026
Regional

Servidores suspendem paralisação

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu – Após reunião realizada no final da tarde de ontem, em São Paulo, com a presença de representantes da prefeitura de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), da Federação dos Sindicatos dos Servidores Públicos no Estado de São Paulo (FESSP-ESP) e do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Botucatu (Sispumb), a categoria decidiu suspender hoje a greve deflagrada na última segunda-feira e aguardar a decisão do prefeito João Cury Neto (PSDB) sobre o aumento no valor do vale-compra.

Os servidores públicos municipais paralisaram as atividades por discordar da maneira como o Executivo conduziu o processo de negociação salarial. Embora a administração tenha concedido reajuste salarial de 6%, a categoria reivindica aumento de 12,8 % sobre o vale-compra como forma de repor as perdas inflacionárias dos dois últimos anos.

O presidente do sindicato, José Manoel Leme, informou que o órgão protocolou junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas pedido de análise da legalidade da greve e abertura do dissídio coletivo para que fossem retomadas as negociações. Segundo ele, dependendo da resposta do prefeito, que se comprometeu a avaliar o reajuste do vale-compra e não descontar os dias parados dos servidores, esse pedido poderá ser revisto.

Antes da reunião, que resultou na suspensão da paralisação, Leme disse que o primeiro dia de greve contou com a adesão de cerca de 120 servidores. A concentração do grupo ocorreu em frente ao prédio da prefeitura. “Hoje (ontem) está em torno de 200 pessoas, o que significa 10% da categoria”, afirma. “Para não prejudicar a população, estamos mantendo os serviços essenciais e estamos com paralisações voluntárias”.

Segundo o presidente do sindicato, a partir da assembleia realizada no dia 22 de maio, a prefeitura encerrou as negociações e encaminhou a proposta de reajuste salarial de 6% para a Câmara. “A greve chegou a esse ponto pelo fato do prefeito não ter levado as discussões negociais até o final do prazo estabelecido pela lei da data-base nossa, que diz que é o mês de maio”, explica. “Os servidores ficaram insatisfeitos com essa atitude e, como já estavam em estado de greve, resolveram então manter o estado de greve até o dia 31, onde foi votada a greve”.

Ele ressalta que o aumento salarial concedido pelo Executivo foi aceito pela categoria. “Mas a gente quer a reposição das perdas inflacionárias sobre nosso vale-compra, que há dois anos não está tendo essa correção”, reclama. Se a proposta for aceita, o benefício, que hoje é de R$ 300,00, poderá passar para R$ 340,00.

A prefeitura contesta as informações do sindicato a respeito da greve. Embora não arrisque falar em números, por meio de nota encaminhada pela assessoria de imprensa, o governo informou que, após levantamento feito junto às repartições públicas, constatou que houve redução no número de servidores que aderiram ao movimento.

Na segunda-feira, a prefeitura confirmou que 5% dos servidores haviam aderido ao movimento e disse que iria aguardar notificação do TRT para se manifestar sobre as negociações mantidas ao longo do último mês com representantes da categoria, que resultaram na aprovação, pela Câmara, do reajuste salarial de 6%. Segundo o município, o percentual foi maior do que a inflação apurada nos últimos 12 meses, de 5,49%.