09 de julho de 2026
Nacional

Com economia aquecida, juro básico brasileiro volta a 2 dígitos

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O Banco Central (BC) elevou ontem a taxa básica de juros brasileira pela segunda vez consecutiva, em um esforço para esfriar a atividade doméstica em meio a preocupações com a inflação. Em decisão unânime, o BC aumentou a Selic em 0,75 ponto percentual, para 10,25%, em linha com o esperado pela maioria dos analistas de mercado. Com isso, a taxa voltou ao nível definido em abril do ano passado.

Segundo o site de notícias UOL, com o aumento, o Brasil continua com os maiores juros reais do mundo, entre os países com economia de peso.

Em breve comunicado, o Comitê de Política Monetária (Copom) repetiu as palavras da reunião anterior de que dá “seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias ao cenário prospectivo da economia, para assegurar a convergência da inflação à trajetória de metas”.

O anúncio foi feito um dia após dados mostrarem que a economia brasileira cresceu a uma taxa robusta no primeiro trimestre, enquanto a maior parte dos países ainda patina para combater os efeitos da crise global.

Também se deu depois da divulgação de indicadores domésticos de inflação de maio apontando que ainda há pressões de preços. O IGP-DI do mês passado foi o maior em quase dois anos e o IPCA, embora tenha desacelerado, registrou aumento dos núcleos.

Entre o anúncio dos indicadores e a decisão do Copom, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em discurso que fará “qualquer coisa” para não deixar a inflação voltar. “Da minha parte, eu vou controlar a inflação”, disse.

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Avaliação e crítica

Brasília - A avaliação dos economistas é que as decisões futuras do BC vão depender, principalmente, do desdobramento da crise externa e dos novos indicadores sobre a economia brasileira. É esperada uma desaceleração da economia, por conta do fim dos incentivos fiscais e para o crédito dados durante a crise de 2008 e 2009, da acomodação no consumo e da queda nos gastos dos governos por causa das restrições eleitorais.

Pesa também a mudança na base de comparação. Apesar do início do ano passado ter apresentado um PIB fraco, o segundo semestre já mostrava recuperação.

O aumento da taxa básica de juros para 10,25% ao ano atrapalha o desenvolvimento do País, disseram ontem entidades empresariais e sindicais.

Para Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), dados mostram que os preços subiram nos primeiros meses de 2010 devido a fatores sazonais e que os preços já estão voltando “à normalidade”.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) disse ver com “preocupação” o retorno da Selic aos dois dígitos.

Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio), o patamar de juros prejudica a competitividade brasileira.

De acordo com a pesquisa Focus do BC, realizada com cerca de 100 economistas, o Copom deve anunciar mais dois aumentos de 0,75 ponto nos juros, nas reuniões de julho e setembro. Depois, a taxa voltaria a subir somente em janeiro de 2011, para 12% a.a..