09 de julho de 2026
Internacional

CS da ONU aprova novas sanções ao Irã


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Nova York - O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou ontem uma quarta rodada de sanções contra o Irã devido ao seu programa nuclear.

Dos 15 membros do Conselho, 12 votaram a favor das sanções, um deles - o Líbano- se absteve e apenas dois -Brasil e Turquia - votaram contra a adoção do pacote.

Os dois países - membros não-permanentes do Conselho de Segurança - consideram que deve ser dado mais tempo à diplomacia depois do acordo que foi assinado em maio com o Irã para troca de combustível nuclear.

Após o término da votação, Susan Rice, a representante dos Estados Unidos no conselho disse que as sanções “não são direcionadas contra o povo iraniano”, mas sim “contra as ambições nucleares de um governo que repetidamente perdeu oportunidades de provar que seu programa nuclear tem somente fins pacíficos”.

A representante disse ainda que os Estados Unidos estão “prontos” para retomar um diálogo com a República Islâmica assim que essas medidas forem implementadas. “Esperamos poder mostrar ao Irã o quanto o país tem a ganhar caso comece a agir de maneira responsável, respeitando as regras internacionais”, concluiu.

Acordo Brasil e Turquia

De acordo com a posição divulgada pelos EUA, Rússia e França, a proposta de acordo acertada entre Brasil, Irã e Turquia deixaria o país com material suficiente para fabricar uma arma nuclear.

Consequências

A aprovação ontem da quarta rodada de sanções ao programa nuclear do Irã causou divergências entre os governantes dos países.

As novas sanções devem vetar investimentos exteriores iranianos em atividades e instalações relacionadas com a produção de urânio, serão estabelecidas restrições na venda de armas convencionais ao Irã. Além disso, o país será proibido de fabricar mísseis balísticos com capacidade de carregar ogivas nucleares.

Também deve haver novas restrições às operações financeiras e comerciais com o Irã, além do reforço do regime de inspeções das cargas dos navios e aviões iranianos para evitar que burlem o embargo internacional.

Opiniões

Israel considera que as novas sanções representam “um passo importante numa boa direção”, afirmou o vice-primeiro-ministro israelense Sylvan Shalom, em entrevista à rádio pública. Mas, segundo Shalom, “elas não bastam, pelo que é preciso contemplar rapidamente outras medidas contra o Irã se o país não renunciar a seus projetos nucleares”.

A França informou que “a porta do diálogo continua aberta” para o Irã. “As sanções não vão pôr um ponto final ao assunto”, informou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Bernard Valero.

A Russia anunciou que a nova série de sanções contra o Irã visam a dar “um impulso” a uma solução diplomática para o controvertido programa nuclear da República Islâmica.

O governo turco, que votou contra as sanções ao Irã, manifestou seu temor que a aprovação do novo pacote possa atrapalhar os esforços diplomáticos para buscar uma saída negociada do impasse.

A China pediu ontem a implementação plena de uma nova rodada de sanções contra o Irã, e exortou o país a cumprir as demandas internacionais sobre seu programa nuclear. O embaixador chines na ONU acrescentou que é “imperativo retornar ao caminho do diálogo e das negociações” e que o objetivo das novas sanções é “trazer o Irã de volta à mesa de negociações”.

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Para Lula, sanções são “equívoco’’

Natal - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem em Natal que as sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU ao Irã, em razão do controverso programa nuclear mantido por este país, são “um equívoco’’ ocasionado pela “birra’’ dos “donos do conselho”.

“Em vez de chamarem o Irã para a mesa (de negociação), eles resolveram, na minha opinião, apenas por birra, manter as sanções, que vão terminar não tendo nenhuma implicação para o Irã’’, disse Lula.

“Eu fico triste. Espero que o companheiro (presidente iraniano, Mahmoud) Ahmadinejad continue tranquilo. Como diria o saudoso Leonel Brizola, isso (a sanção) foi uma vitória de Pirro”, acrescentou o presidente.

O chanceler Celso Amorim lamentou o pacote de sanções e disse que esperava uma reação mais positiva dos países que votaram a favor das medidas.

“Uns votaram por convicção, outros porque teriam alguma vantagem com isso’’, criticou Amorim.

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Irã diz que resolução não tem valor

Teerã - O Irã rejeitou ontem as novas sanções da Organização das Nações Unidas como “sem valor”, prometeu continuar com as atividades no setor nuclear e advertiu que poderá reduzir a cooperação com a agência nuclear da ONU.

O presidente Mahmoud Ahmadinejad disse durante visita ao Tadjiquistão que “essas resoluções não têm valor... É como um lenço usado que deveria ser jogado na lata de lixo”.

“As sanções estão vindo da esquerda e da direita. Para nós, elas são como terríveis mosquinhas ... Temos paciência e vamos suportar tudo isto”, disse em declarações em farsi, traduzidas para o russo.

O Irã alega que seu programa nuclear tem fins pacíficos, como a produção de eletricidade, e tem repetidamente se recusado a ceder à pressão internacional.

Em Viena, na Áustria, o enviado do Irã à Agência Nuclear de Energia Atômica (AIEA) Ali Asghar Soltanieh acrescentou que o Irã “seguirá sem qualquer interrupção das atividades de enriquecimento ... não serão suspensas, nem por um segundo”.