08 de julho de 2026
Geral

Morre Eugênio, fundador da Edusc

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 4 min

Morreu na manhã do último sábado o pesquisador, professor e bauruense Luiz Eugênio Véscio, aos 46 anos. Historiador, geógrafo e doutor em história social pela Universidade de São Paulo (USP), ele ministrava aulas de história na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, desde 1991.

Mas foi em Bauru que iniciou sua carreira, na Universidade do Sagrado Coração (USC), onde lecionou aulas de história na década de 80. Foi um dos fundadores da Editora da Universidade do Sagrado Coração (Edusc). A morte foi provocada por uma parada cardiorrespiratória, gerada por complicações sofridas após uma cirurgia de redução do estômago.

Nascido em dezembro de 1963, em Bauru, Eugênio morou durante sua infância e juventude no Jardim Bela Vista, criado pela avó e uma tia. “Ele era uma pessoa muito educada, dedicado à família e aos estudos”, conta o primo Washington Luiz Véscio, 33 anos.

Pai do pequeno Francisco, que completa 2 anos nesta semana, e casado com a jornalista Aline Dalmolin, 28 anos, o pesquisador foi uma figura importante para a história da USC.

“Eugênio estruturou a editora e trouxe autores importantes que colaboraram com a trajetória de sucesso da entidade”, salienta o amigo e colega de profissão, professor José Rafael Mazzoni, 56 anos, também coordenador da Central de Atendimento da USC.

Ele afirma que, graças aos contatos realizados por Eugênio, em cinco anos a Edusc conseguiu atingir a faixa de 500 títulos publicados. De acordo com seu relato, Eugênio chegou a fazer diversas viagens para a Europa, trazendo obras importantes para a editora nas áreas de sociologia, religião, filosofia e comunicação.

“Conheci Eugênio durante meu primeiro dia na USC, na década de 80. Éramos alunos de história da mesma turma”, lembra Mazzoni. Ele conta que se aproximou de Eugênio por causa de uma camiseta. “Estava vestido com uma camiseta que continha a imagem de São Francisco, santo que ele era muito devoto”, relata. “Ele não se conformava, pois tinha sido seminarista e não tinha uma camiseta como a minha. A partir daí, nos aproximamos e iniciamos uma grande amizade”, comenta.

Dedicado

Crítico, bem humorado, debochador e dedicado aos estudos. Esse é o retrato que Mazonni reconstroi ao relembrar momentos junto ao grande amigo. “Ele era uma pessoa muito crítica. Batíamos de frente com algumas ideias distintas. Éramos como gato e cachorro. Mas esses nossos debates eram muito saudáveis e marcaram nossa amizade”, recorda.

Ele lembra também que o historiador era o primeiro a anotar os livros indicados pelo professor em sala de aula e logo em seguida retirava os únicos títulos da biblioteca. “Ele deixava os outros colegas esperando chegar a vez de retirar o livro, era um sarro”, diz.

Após terminar a graduação em história, seguida pela de geografia, em 1988, Eugênio trabalhou como docente de disciplinas do curso de história na USC. Na mesma época, partiu para São Paulo para cursar mestrado na USP. Anteriormente foi professor do ensino médio no Colégio Liceu Noroeste. De acordo com o primo Washington, ele seguiu a docência por paixão. “Sempre foi muito dedicado, tanto que o trabalho rendeu bons frutos”, ressalta.

Em 1991, mudou-se para a pequena cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde trabalhou como coordenador do curso de pós-graduação em História do Brasil da UFSM. Ao mesmo tempo, coordenou as coleções da Edusc até 2006.

No ano de 2002, foi o representante brasileiro no Fellowship Program, na Alemanha, evento que treinou editores de vários países. A partir de agosto de 2007, trabalhou também como avaliador institucional de cursos do Ministério da Educação (MEC). Atualmente o professor se dedicava a pesquisas na área de história regional do Brasil, principalmente da imigração italiana no Rio Grande do Sul.

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Saudade

Santa Maria, no Rio Grande do Sul, foi a cidade em que Luiz Eugênio Véscio conheceu sua esposa, a jornalista Aline Dalmolin, 28 anos, com quem casou-se em 2004 e teve o primeiro filho, Francisco - em homenagem a São Francisco -, em 2008. “Seu falecimento foi uma tragédia. Nós sabíamos que ele tinha problemas com a diabetes, mas não esperávamos essa fatalidade”, conta o primo Washington Luiz Véscio.

Segundo sua esposa, Aline, após o casamento a família mudou-se para Silveira Martins, cidade localizada a cerca de 30 quilômetros de Santa Maria, onde ele lecionava na Universidade Federal (UFSM).

“Ele já morava em Santa Maria desde 1991, mas nós nos conhecemos e começamos a namorar em 2001. Nos mudamos para Silveira Martins após o casamento, em 2004. É uma cidade bem pequena (com cerca de 30 mil habitantes), pela qual ele se apaixonou. Ele era uma pessoa maravilhosa, de personalidade marcante, que conquistava e reunia amigos em torno dele por onde passava. O enterro dele estava repleto de amigos”, diz Aline, emocionada.

De acordo com a família, o pesquisador sofria de diabetes há alguns anos e aplicava em torno de 4 a 5 doses de insulina diariamente. Mesmo assim, tinha dificuldades para regular os níveis da doença. Então, resolveu fazer uma cirurgia de redução de estômago no dia 7 de junho. No entanto, o professor não passou bem nos dias posteriores à cirurgia e faleceu com uma parada cardiorrespiratória.

O velório foi realizado nas capelas em frente ao cemitério de Silveira Martins, onde o corpo foi sepultado anteontem. “É um amigo que sempre me fará recordar coisas boas”, lamenta Mazonni.