Camberra - A reunião anual da Comissão Internacional da Baleia (CIB) já enfrenta uma crise antes mesmo de começar. A Austrália pediu que se investigue o suposto suborno pago pelo Japão a nações pobres para que elas votem a favor da caça à baleia. A denúncia foi publicada domingo pelo jornal britânico “The Sunday Times”, cujos repórteres gravaram delegados de nações como Tanzânia e Guiné dizendo que os japoneses pagavam de passagens aéreas a prostitutas em troca do voto.
A revelação fez o ministro do Ambiente da Austrália, Peter Garrett, pedir uma “reforma robusta” da CIB, cujos 88 países membros se reúnem em Agadir, Marrocos, a partir da próxima segunda-feira. Desse encontro pode sair um acordo que libera a caça comercial desses mamíferos, suspensa desde 1986. O Japão continua caçando baleias, sob a alegação de que faz pesquisa científica.
“O fato é que faz décadas que a comissão tem sido dilacerada por esse tipo de afirmação e pela falta de avanços em temas-chave”, declarou Garrett, ex-vocalista da banda Midnight Oil.
Embora haja vários relatos sobre o oferecimento de “incentivos” japoneses a nações do Terceiro Mundo, as acusações contra o principal país caçador parecem ser bem documentadas. Os jornalistas fingiram ser representantes de um milionário suíço, lobista contrário à caça de baleias. Encontraram-se com diplomatas de países africanos, do Caribe e do Pacífico, oferecendo dinheiro em troca da mudança de lado - de aliados do Japão a conservacionistas.
Sem saber que eram gravados, negociadores como Ibrahima Sory Sylla, da Guiné, contaram que o Japão paga viagens, hospedagem e diárias para eles.
Geoffrey Nanyaro, representante da Tanzânia na CIB, afirmou que os delegados também ganhavam viagens ao Japão com todas as despesas pagas - inclusive com prostitutas. “Eles perguntam: você vai querer massagem de graça? Não está sozinho?” Apesar de questionável do ponto de vista ético, nada no regulamento da CIB torna a ajuda japonesa ilegal. O Japão nega as acusações. O ministro da Pesca do país, Masahiko Yamada, aumentou a pressão a favor da liberação da caça, ameaçando deixar a CIB se o encontro de Agadir não liberar a caça.