Confiança, euforia, apreensão, alívio e alegria. Foram alguns dos sentimentos que a torcida bauruense – e brasileira – viveu, ontem, com a estreia do Brasil na Copa do Mundo da África do Sul. Antes da partida, a expectativa era por uma goleada, uma apresentação de gala, com raras exceções. No intervalo, uma ponta de frustração e um princípio de preocupação tomou conta dos torcedores, após o 0 a 0. Veio a segunda etapa, os gols de Maicon e Elano e um gol coreano, que não estava nos planos. No final, uma vitória importante, mas por pequena margem de gols – 2 a 1 – deu início à festa.
Antes
Na boate Dolce um grande número de pessoas se aglomerou para torcer pela Seleção. A empolgação antes da partida era evidente. “Acredito que vai uns 3 a 0 para o Brasil. A Coreia não é fraca, mas o Brasil vai vir forte”, cravou Léo Barbaresco, confiante em uma goleada para abrir caminho ao hexa. O torcedor ainda fez questão de responder aos críticos do técnico Dunga. “Muita gente não bota fé no Dunga, mas ele nunca entra para perder”, lembrou.
Ainda na Dolce, Guilherme Bozzini era outro bastante empolgado para a estreia brasileira. “Aposto em 4 a 1 para o Brasil”, disse. Questionado se a defesa do Brasil, com Lúcio, Maicon, Juan e Júlio César e Michel Bastos iria tomar gol da Coreia do Norte, explicou: “No finalzinho, o Brasil vai acomodar e a Coreia faz um gol.” Bozzini adivinhou. Errou o placar, mas acertou na bobeada brasileira e no gol de honra dos orientais.
Alexandre Braga também apontou vitória fácil verde-amarela. “Vai ser goleada, uns 3 a 0”, garantiu. O torcedor aproveitou para projetar o título. “Mais para a frente, o bicho vai pegar, mas dá para ser campeão”, enfatizou. Porém, em matéria de vidência, ninguém superou Juliana Silva. A torcedora, ao entrar na Dolce para acompanhar a partida, foi de uma precisão cirúrgica. “Vai ser 2 a 1, não estou pondo muita fé”, profetizou. E completou, justificando sua opinião. “Tanto time, como a Itália, que todos pensaram que iria arrasar e empatou...”, concluiu.
Intervalo
Veio o primeiro tempo e poucas chances de gols. No Alameda Quality Center, que ficou cheio de torcedores acompanhando a estreia em telões e televisores espalhados pelo local, cada chance de gol brasileira levantava a galera. Depois, vinha o tradicional “uuuhhhhhh” de quase. Porém, foram poucos lances de emoção e a primeira etapa terminou com o placar inalterado. Instalou-se um misto de frustração e preocupação. “Já esperava que tivesse saído algum gol, mas o Brasil está jogando com muito medo de ir para cima dos caras”, analisou Danilo Ferrares Metolo. O torcedor, porém, mantinha a esperança em uma goleada, até por motivos particulares. “Espero que seja uns 4 a 0, já apostei no bolão que iria ser 4 a 0 com um gol do Robinho, de preferência”, revelou.
Lidiane Valpassos Rodrigues foi mais comedida em seu desejo e acabou atendida pelos jogadores brasileiros. “Espero que o Brasil faça pelo menos uns dois gols neste segundo tempo”, pediu. A seguir, mostrou convicção de que Dunga iria mudar a atitude do time na segunda etapa. “Neste intervalo, o técnico vai dar uma cobrada, uma apertada no pessoal para eles reagirem e serem mais objetivos”, afirmou. “O primeiro tempo decepcionou um pouco, esperava pelo menos um gol”, completou a torcedora.
Fábio Pegoraro reclamou da falta de objetividade do time no primeiro tempo. “Eu esperava mais da Seleção, esperava o Brasil atacando com mais vontade”, declarou. E também apostou na capacidade de Dunga arrumar a casa para o time sair com a vitória. “A gente espera que o Dunga mexa e o time consiga melhorar no segundo tempo. Espero que o Brasil consiga marcar o gol para sair com a vitória”, observou.
A segunda etapa veio, Elano deu bom passe para Maicon, que abriu o placar aos nove minutos. Aos 26, o mesmo Elano fechou a conta, após receber bola milimétrica de Robinho. Euforia e festa. No finalzinho, o gol da Coreia incomodou, mas não esfriou a festa.
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Em festa na Getúlio, torcedores esperam melhora do Brasil
Assim que a partida contra a Coreia terminou, os bauruenses não se importaram com o placar magro – 2 a 1 – da vitória na estreia e saíram às ruas para festejar a vitória do Brasil na estreia da Copa do Mundo da África do Sul. As vuvuzelas, que ensurdece a todos nos estádios sul-africanos, também soaram forte em Bauru, misturada às buzinas e em meio a bandeiras verde-amarelas.
Na avenida Getúlio Vargas, em poucos minutos, o trânsito ficou congestionado e o espaço se tornou pequeno para a festa. Em meio à comemoração, quando o assunto foi o desempenho do Brasil, os torcedores se mostraram felizes, mas esperando a evolução da equipe comandada por Dunga.
“Gostei mais do segundo tempo. No primeiro tempo, a Coreia estava muito fechada, nunca vi um time tão fechado assim. Ficou difícil. No segundo tempo, o time melhorou, mas não gostei do Luís Fabiano. O Kaká melhorou bem no segundo tempo, o Brasil precisa do Kaká, ele é o principal”, opinou José Figueira Neto, que assistia, da calçada, ao desfile de carros e motocicletas barulhentos na Getúlio.
O torcedor Edvaldo Soares festejava com a família e afirmou que o placar apertado não diminui a confiança na Seleção. “Não tira a confiança no título. O Kaká precisa melhorar fisicamente, ele ainda não deu tudo o que pode”, comenta. Soares admite uma pontinha de frustração pelo resultado magro. “Acho que todo mundo esperava um pouco mais, o Brasil deixou um pouco a desejar, embora seja o primeiro jogo só. Precisamos melhorar um pouco nosso ataque”, alerta.
Vinícius Svizzero tem raciocínio parecido e acredita que a estreia, um jogo tradicionalmente nervoso, influenciou no desempenho brasileiro. “Pensei que fosse ganhar de mais, mas está bom. Este foi só o primeiro jogo”, aponta. Svizzero ainda destaca os melhores em campo. “O Robinho jogou bem e o Elano também”, considera.