Um dia depois da vitória sobre a Coreia do Norte, o técnico Dunga diminuiu o ritmo dos titulares e deu um trabalho forte aos reservas. Os 11 que iniciaram na terça-feira fizeram apenas atividade regenerativa no hotel da concentração. Já os 12 suplentes trabalharam no gramado do Randburg High School por cerca de 1h30. Dunga não deu descanso aos atletas, nem mesmo a Nilmar, Daniel Alves e Ramires, que entraram no decorrer do duelo contra os norte-coreanos, na estreia da Copa do Mundo.
No dia em que pôde dar ênfase aos reservas, o comandante dirigiu uma atividade de finalizações. Os jogadores avançavam pela meia e finalizavam da entrada da área. Doni e Gomes se revezaram para fazer as defesas. Em seguida, Daniel Alves e Gilberto aprimoraram os cruzamentos os cabeceios.
Depois, Dunga dividiu o elenco e realizou um treino técnico em campo reduzido, sob o frio do início de noite de Johanesburgo (tarde no Brasil). O destaque foi o meio-campista Júlio Baptista, que marcou um golaço com chute no ângulo de Doni. Do lado de fora, um pequeno grupo de torcedores até se arriscou a tremular bandeiras no início das atividades, na esperança de uma oportunidade de assistir à movimentação, mas sem sucesso. O Brasil volta aos treinos hoje, quando Dunga reunirá o elenco para atividade com vistas ao jogo contra a Costa do Marfim, domingo, no Soccer City.
Kaká
A disciplina tática e a forte marcação da Coreia do Norte colocaram o Brasil em uma situação difícil na estreia da Copa do Mundo, mas não impediram a vitória dos pentacampeões. Porém, na segunda rodada do torneio, os problemas podem ser ainda maiores, já que a Costa do Marfim exibe a força física como um de seus trunfos.
O meia Kaká, que acaba de se recuperar de problemas musculares e teve uma atuação apagada diante dos norte-coreanos, sabe que sofrerá mais com a marcação dos marfinenses, mas não teme jogadas violentas. “Eles não são maldosos, só que chegam duro. Temos visto esse contato físico muito grande em algumas seleções da Copa, mas, até agora, não vi ninguém com maldade”, analisou.
Uma comparação de números de faltas dá a noção exata do jogo mais “pegado” que o Brasil enfrentará. Diante da Coreia do Norte, o time de Dunga cometeu nove infrações e sofreu dez. Já no empate por 0 a 0 do outro jogo do Grupo G, a Costa do Marfim fez 18 faltas e levou 13 de Portugal. “Nós vimos o jogo deles, foi muito corrido e com poucos espaços. Mas, agora, temos que estudar mais o adversário para procurar os defeitos”, ponderou.
Além de suportar o jogo mais duro dos marfinenses, Kaká terá de exibir também uma evolução técnica, pois deu apenas um chute para o gol durante os 78 minutos em que ficou em campo diante dos norte-coreanos. A expectativa do camisa 10 é de tentar atuar durante a partida inteira. “Estava programado de eu jogar o quanto aguentasse. Agora, vou aumentando e crescendo, jogando cada vez mais. Espero atuar os 90 minutos lá, mas depende também de minha condição durante o jogo e da velocidade que a partida determinar”, argumentou.
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Drogba será titular
domingo, diz técnico
O técnico da Costa do Marfim, o sueco Sven Goran Eriksson, confirmou ontem que vai escalar Didier Drogba como titular no jogo contra o Brasil, no domingo. O centroavante de 32 anos ficou no banco e entrou na metade do segundo tempo contra Portugal, ontem, e mostrou estar recuperado da lesão no cotovelo direito.
“Ter Didier no campo vai ser ainda mais importante para nós”, declarou. “Ele vai ser ainda mais importante para nós no próximo jogo.”
Na estreia no Mundial. Drogba foi substituído por Gervinho, que tem características diferentes: é leve, mirrado, sem presença de área. E pouco produziu.
O atacante do Chelsea, artilheiro do último Campeonato Inglês com 28 gols, disse que o time “precisa mudar” para tentar vencer o Brasil no Soccer City. “Temos que defender do mesmo jeito e atacar mais, tentar buscar mais oportunidade de ficar no mano a mano”, afirmou o atacante.
Drogba admitiu que tanto a Costa do Marfim quanto Portugal entraram mais “preocupados em não perder” o jogo da estreia, que terminou empatado em 0 a 0. É a segunda Copa do país. Em 2006, não passou da primeira fase, num grupo que tinha Argentina e Holanda. Desta vez, os marfinenses vão jogar a última partida da fase de grupos contra a Coreia do Norte.