09 de julho de 2026
Nacional

Provas de concursos não serão anuladas, diz diretor-geral da PF

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Luiz Fernando Corrêa, afirmou ontem que nenhum concurso público será cancelado por causa das fraudes envolvendo a quadrilha presa anteontem durante a Operação Tormenta. De acordo com a PF, a organização criminosa atuava há 16 anos e fraudava processos seletivos para órgãos públicos.

“Os concursos não precisam ser cancelados porque já trouxemos esclarecimento ao Ministério Público, ao juiz competente e todas essas instâncias estão seguras de que afastamos os fraudadores e que (as fraudes) não afetaram a legalidade do concurso”, disse Corrêa, após reunião na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Brasília.

Segundo ele, a intenção da Operação Tormenta é justamente apontar as falhas dos processos de seleção dos concursos públicos para que os órgãos competentes repensem o atual modelo.

O presidente da OAB, Ophir Cavalcante, ressaltou que o Estado deve se mobilizar para evitar que novas falhas aconteçam. De acordo com a PF, as investigações vão continuar com o objetivo de descobrir se outras pessoas foram beneficiadas pela quadrilha.

As investigações que identificaram a quadrilha tiveram início após concurso para Agente de Polícia Federal, realizado em 2009. De acordo com a corporação, foram identificados 53 candidatos que tiveram acesso à prova. Dessas pessoas, seis teriam conseguido chegar à fase final do concurso e seriam empossadas hoje. Eles foram expulsos anteontem.

Além disso, outras 26 pessoas tiveram acesso à uma prova da OAB. Há indícios ainda de que 41 tenham fraudado prova da Receita Federal, ocorrida em 1994.

Mais de 130 mil pessoas estavam inscritas nos concursos fraudados. O grupo cobrava valores entre R$ 30 mil e R$ 270 mil pelas provas.

No concurso da Receita, a suspeita de fraude foi investigada logo após a aplicação da prova, mas essas 41 pessoas suspeitas conseguiram na Justiça o direito de serem empossadas, além do recebimento de indenização no valor de R$ 3 milhões cada um pelo tempo em que não puderam assumir o cargo.