11 de julho de 2026
Nacional

Facção criminosa leva São Paulo a reduzir o voto em presídios

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - O temor de que o Primeiro Comando da Capital (PCC) possa usar as votações nos presídios para influenciar o processo eleitoral e incentivar rebeliões levou o governo do Estado a impedir a votação em unidades controladas pela facção criminosa.

A medida contribuiu para reduzir a 1.904 o número de presos provisórios (aqueles à espera de julgamento) aptos a votar entre os 52,8 mil que hoje ocupam o sistema carcerário (3,6%).

“Não podemos admitir o processo eleitoral numa prisão onde você combate o crime organizado permanentemente”, afirmou o secretário da Administração Penitenciária do Estado, Lourival Gomes, que citou os atentados do PCC de maio de 2006, que deixou 43 mortos.

Do total de 147 unidades prisionais em São Paulo, apenas 30 receberão urnas. “Foi um critério de experiência, nada científico”, afirmou o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, Walter de Almeida Guilherme.

Apenas 13.177 presos foram autorizados a tirar o título de eleitor, mas por falta interesse ou por problema de documentação 11.978 (90,9%) não votarão. Para o presidente do TRE-SP, a baixa adesão foi surpreendente.

O maior interesse foi verificado na Fundação Casa, onde mais da metade dos menores infratores (2.648) se inscreveu para votar. As urnas serão instaladas em 74 unidades da fundação.

De acordo com o TRE, mais de 1.500 voluntários apareceram para trabalhar como mesários. O número é suficiente, segundo o tribunal.

Hoje, a Administração Penitenciária e o TRE-SP simularam a votação com oito presos no Presídio de Pinheiros 3. Dos 5.885 de abrigados nas quatro unidades do presídio, apenas 200 votarão.

“Se a gente está votando é porque está apto a voltar para a sociedade”, disse Jackson Araujo da Silva, 27 anos. Mesmo já sentenciado a cumprir 23 anos de prisão por homicídio, Silva poderá votar porque a sua condenação não é definitiva.

As urnas serão instaladas nas enfermarias e salas de socialização. Os presos serão levados algemados e em pequenos grupos para os locais de votação.

A instalação de urnas nos presídios foi determinada em março pelo Tribunal Superior Eleitoral. Estudo do Ministério da Justiça apontou que, dos 473 mil presos do País, 152 mil são provisórios.