09 de julho de 2026
Internacional

Conflito no Quirguistão já matou 2 mil


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Och - A presidente interina do Quirguistão, Roza Otunbaieva, disse ontem que mais de duas mil pessoas podem ter morrido nos confrontos étnicos iniciados na semana passada no sul do país.

O número é bem maior do que o informado no dia anterior pelo vice-chefe do governo provisório, Azimbek Beknazarov. Segundo ele, 223 pessoas morreram em ataques, principalmente de quirguizes contra uzbeques. “Eu aumentaria em dez vezes os dados oficiais sobre o número de pessoas mortas”, disse Otunbaieva.

No início da manhã de ontem, ela chegou de helicóptero ao centro de Och, a segunda maior cidade do país, onde os conflitos começaram. Partes da cidade foram reduzidas a montes de pedras após multidões de quirguizes terem ateado fogo a casas e comércios uzbeques.

Os confrontos fizeram com que 400 mil pessoas deixassem o sul do Quirguistão, segundo cálculos da ONU. Mais de 100 mil cruzaram a fronteira com o Uzbequistão, onde ficaram em campos de refugiados.

Outros milhares permanecem em acampamentos do lado quirguiz, impedidos de cruzar a fronteira. Quem continuou na cidade construiu barricadas em torno dos bairros uzbeques para se proteger da violência.

Em visita a um dos campos no Uzbequistão, o secretário de Estado assistente dos EUA, Robert Blake, pediu uma investigação internacional sobre a violência étnica.

O Quirguistão, que integrou a União Soviética até 1991, enfrenta crise política desde abril, quando um golpe de Estado depôs o presidente Kurmanbek Bakiev. O governo foi assumido interinamente por Otunbaieva.

Culpa

Autoridades do governo acusam Bakiev de incitar a violência, já que o sul do país - onde ficam Och e Jalalabad, para onde a violência se espalhou - é sua base política. Do exílio, em Belarus, ele negou as acusações.

Os quirguizes acusam os uzbeques - ambos muçulmanos sunitas - de agir em interesse do Uzbequistão.

Os EUA e a Rússia, que mantêm bases militares no país, temem que a violência crie terreno para o surgimento de uma militância islâmica no centro da Ásia.

Após recusar pedido de ajuda, Moscou disse hoje estar analisando o envio de militares ao país.