09 de julho de 2026
Geral

Sacerdote de Umbanda vai receber prêmio internacional

Alexandre Padilha
| Tempo de leitura: 3 min

O bauruense Ricardo Barreira será a primeira pessoa a receber o prêmio internacional “O Guaracyano 2010”, promovido pelo Templo Guaracy e que será entregue no dia 31 de julho, na cidade de Cotia (SP). O sacerdote umbandista e presidente da Federação Estadual de Umbanda e Candomblé Reino de Oxalá foi escolhido entre diversos concorrentes como o que melhor representa o trabalho em defesa da liberdade das religiões afro-brasileiras, com destaque para as ações realizadas em favor da Umbanda.

De acordo com o sacerdote bauruense, para organizar esta primeira edição do prêmio, o Templo Guaracy realizou um estudo durante todo o ano de 2009 buscando identificar nomes que desenvolvem trabalhos importantes em favor da Umbanda no Brasil e nos outros países onde atua, que são: Suíça, França, Áustria, Canadá, Estados Unidos, Portugal e República Dominicana.

“Durante o ano de 2009, eles fizeram uma pesquisa e ouviram diversas lideranças no Brasil e em outros países, conversando com sacerdotes e demais pessoas ligadas ao movimento. Algumas pessoas foram selecionadas e dentro desta seleção eu fui escolhido, na visão deles, como aquele que mais tem desenvolvido projetos relacionados à Umbanda”, explicou Barreira.

Sobre as atividades de promoção e solidificação da religião afro-brasileira desenvolvidas em Bauru, o “pai de santo” afirmou que nada seria possível caso ele não contasse com uma equipe competente ao seu redor, dividindo o mérito de sua premiação com outros umbandistas bauruenses.

“O meu nome que foi lembrado, mas eu compartilho este prêmio com toda a minha equipe, porque as pessoas com quem eu trabalho são os grandes responsáveis por este destaque. Ninguém consegue fazer um trabalho de grandes proporções sozinho. É um reconhecimento de todo o trabalho que essa equipe vem realizando ao longo dos anos”, frisou.

Barreira disse que seu trabalho em relação à Umbanda em Bauru teve como foco principal o fim do preconceito que existia acerca das atividades desta religião. Segundo o sacerdote, o cenário bauruense melhorou bastante nesta área desde quando ele passou a frequentar os templos da cidade.

“Quando entrei efetivamente na Umbanda, com cerca de 17 anos, senti o preconceito da sociedade. Com isso, surgiu a vontade de trabalhar com foco em tirar esta estigma da sociedade de que a religião era algo pejorativo. Desde então, demos inúmeros passos nesta linha de trabalho e, atualmente, os resultados são tão expressivos que conquistarmos esta premiação”, define.

Um dos principais projetos idealizados por Barreira, em parceria com demais umbandistas, foi a fundação do Instituto Socio-cultural Umbanda Fest, que completou seis anos de atividades em Bauru. Com esta iniciativa, o real significado da religião afro-brasileira foi amplamente divulgado e o movimento se fortaleceu dentro da sociedade.

“Hoje a Umbanda está muito diferente. O preconceito antes era muito grande, era uma religião velada, as pessoas não se identificavam como umbandistas. Atualmente, o movimento umbandista conta com aproximadamente 800 templos em Bauru, com os mais diversos tipos de pessoas que somam mais de 20 mil umbandistas diretos (sacerdotes, sacerdotizas e ‘filhos de santo’) e outro número considerável de fiéis que frequentam os templos. Além disso, hoje, a comunidade se assume facilmente” revela Barreira.

Ele destaca a Umbanda Fest como um dos mais importantes meios para alcançar todo o público bauruense e mostrar as qualidades e toda a força e importância social e cultural da Umbanda. “Aqui em Bauru a gente tem a Umbanda Fest, que é realizada sempre em novembro, quando é comemorado o aniversário da religião. Essa festa é considerada a maior festa cultural das religiões afro-brasileiras em todo o País”, afirmou.