Aos 28 anos, o professor bauruense Saulo Rodrigues de Carvalho é o nome do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) a uma vaga na Câmara dos Deputados em Brasília (DF) na eleição 2010. Apesar da pouca idade, Saulo já possui história de militância, que teve início no movimento estudantil e pelos direitos dos professores. O candidato afirma que tem como objetivo politizar a população nas próximas eleições e, caso eleito, deverá abraçar as causas da educação, reformas tributária, agrária e urbana.
Professor de educação básica, Saulo foi um dos fundadores do Centro Acadêmico Paulo Freire, do curso de pedagogia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru. Além da militância estudantil, Saulo passou a fazer parte do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).
Ele se filiou ao PSOL em 2006. “E, nesse ano, realizamos discussões internas sobre as eleições e achamos que esse era um momento interessante do partido apresentar um candidato e meu nome foi indicado, até por conta da minha militância”, observa. Para ele, o objetivo do PSOL nas eleições é ser o ponto fora do comum. “A proposta é cultivar um olhar diferenciado, fora do discurso da mesmice”, ressalta.
Para ele, é necessário envolver a população no debate. “Temos que ter uma discussão mais politizada, principalmente sobre o papel do deputado federal. O deputado federal é um legislador. Ele não traz dinheiro para a cidade. Não é tão fácil como muitos dizem. Ele não pega uma pasta e vai a Brasília fazer lobby”, observa.
Jovem, Saulo destaca não temer sua primeira campanha. “O papel do socialista, como diria Che Guevara, é ter amor pela humanidade e ter coragem. Vamos para as eleições com amor humanista e coragem, mais do que com estrutura”, avalia. Ele observa que apesar de pequeno, o PSOL conta com um grande patrimônio humano.
“Temos candidatos muito capacitados, como Plínio de Arruda Sampaio (candidato a presidência pela legenda), que é um grande intelectual. Vamos contar com o apoio dos companheiros e mostrar que há possibilidade”, ressalta.
O professor observa que, por sua importância política, o município precisa de maior representatividade. “Dentro do Estado, Bauru sempre foi um polo político. A cidade foi a precursora da luta antimanicomial. Temos, ainda na Saúde, o Centrinho, que é referência internacional. Por isso, Bauru precisa de um interlocutor nacional”, avalia.
Atuação
Saulo observa que o PSOL ainda está elaborando as propostas de governo para as próximas eleições, mas adiantou que já definiu sua principais áreas de atuação. O primeiro ponto é a questão da reforma agrária e urbana. “Não dá para termos um País democrático sem a reforma agrária. Isso leva a um aumento dos conflitos no campo e nesses casos, o resultado é sempre uma situação pior para o trabalhador”, diz.
Outro ponto destacado pelo professor é a restruturação do modelo tributário nacional. “Precisamos de uma reforma tributária justa. A taxação deve ser progressiva. Temos países como Inglaterra, Japão e França, onde há um forte controle sobre as grandes fortunas. E isso não é uma questão revolucionária. Até pelo lado do capital, já que é melhor não ter dinheiro parado”, observa.
O terceiro objetivo do candidato é a educação. “Percebemos que atualmente existe uma política voltada para a formação para o trabalho. Isso é importante, mas estão deixando a formação humanista de lado”, critica. Outro ponto defendido pelo professor é o financiamento da educação. Ele observa que atualmente o País investe 4% do seu Produto Interno Bruto (PIB) na educação e destaca que o Brasil deveria aumentar esse nível.
Saulo garante não estar preocupado com a questão do coeficiente eleitoral. “A nossa preocupação é levar a politização. Se não conseguirmos a eleição, plantamos a semente e esperamos que ela dê frutos”, ressalta.