11 de julho de 2026
Geral

Sinceridade é melhor remédio para criança que fica hospitalizada

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Ficar doente nunca é fácil, ainda mais quando a temida “hospedagem” em leito hospitalar se torna obrigatória. O transtorno aumenta quando quem vai ficar internada é uma criança, situação que pode se estender de natural preocupação para cenário de extrema angústia, caso os pais não lidem adequadamente com a situação.

Ao invés de um porto seguro para o pequeno e fragilizado paciente, os pais podem se tornar um agravante em caso de apavoramento ou outros comportamentos que, ao invés de ajudar, podem prejudicar até mesmo a recuperação. Uma forma de agravar a situação é mentir para a criança sobre seu real estado. “O princípio básico é não mentir jamais”, norteia Maria Irene Maluf, especialista em psicopedagogia e educação especial.

Obviamente, reconhece Maria Irene, a experiência traz ansiedade e estresse tanto em pais quanto em filhos. Contudo, pondera a psicopedagoga, a atenção redobrada deve ser dispensada, principalmente, à forma com que o fato é comunicado a criança, que precisa estar ciente do que acontece. Segundo a psicopedagoga, tentar tapar o sol com a peneira não ajuda em nada na recuperação, pelo contrário.

“A criança precisa estar preparada para a nova situação”, recomenda. “É preciso antecipar, de forma carinhosa, mas objetiva, o que ela vai encontrar e enfrentar, para que não seja surpreendida ou se apavore”, orienta. “Detalhes minuciosos são dispensáveis, mas informações animadoras sobre o local, com uma ideia menos agressiva sobre os exames e horários, ajudam”, acentua.

Independentemente à idade da criança, o temor dos pais sempre é o mesmo e varia de acordo com a gravidade da doença ou complexidade da intervenção médica, principalmente em casos de cirurgias, reconhece a psicopedagoga. “Não é só a questão da criança ficar doente. É complicado, porque ela não sabe explicar o que sente, algo que aflige mais os pais”, compreende.

Contudo, frisa, a preparação antecipada dos pais minimiza o estresse de todos os envolvidos. “O mais importante é trabalhar a cabeça dos pais sobre a situação. Há a teoria de que o paciente é o agente de sua cura. As crianças têm condições de compreensão, caso não se sintam enganadas”, atesta.

Postura

Segundo a psicopedagoga Irene, talvez mais difícil do que orientar sem assustar a criança adoecida, é conduzir os pais a adotar postura diferente do que, em alguns casos, é costume de anos. “São valores mais arraigados”, comenta.

“Às vezes, por mais que se explique a situação, fica difícil”, concorda a psicóloga Maria Alice Ferraz Troijo, do Hospital Estadual Bauru (HEB). Muitas reações, acrescenta, podem resultar de experiências amargas anteriores: “O medo de perder o filho pode advir da história de vida da pessoa”, frisa.

Mesmo assim, tanto a psicóloga quanto a psicopedagoga enfatizam a necessidade de uma orientação adequada de quem acompanha as crianças no leito hospitalar como peça-chave na própria reabilitação.

“É preciso mostrar que eles também são agentes da volta da criança à saúde. Quanto mais eles se apavoram e encaram a doença como algo extremado, pior para a família toda. De irreversível somente a morte. Quantos estiveram na UTI e não retornaram à plena saúde?”, ilustra Maria Irene.

Caso encontrem dificuldades em vias de uma iminente hospitalização de um filho, os pais devem procurar o auxílio profissional. “É superimportante que tentem se fortalecer. É o mesmo princípio do avião. Se a máscara do oxigênio cair, coloque primeiro em você para que possa salvar a criança ao lado”, metaforiza. “É assim na vida também”, explica.