09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

As sanções contra o Irã


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A ONU, por meio de seu Conselho de Segurança (formado por cinco membros permanentes e dez rotativos entre eles Brasil e Turquia), aprovou por doze votos contra dois e uma abstenção mais uma rodada de sanções contra o Irã, a quarta, por conta do seu propalado Programa Nuclear, sendo que nenhuma delas surtiu o efeito desejado pelas potências ocidentais.

O acordo mediado por Brasil e Turquia, os dois votos contrários no CS, através do qual o Irã enviaria à Turquia 1.200 Kg de urânio pouco enriquecido e após um ano receberia 120 Kg. enriquecido a 20% para ser usado em reator de pesquisas médicas, foi pautado por um outro defendido e proposto pelos EUA em outubro de 2009. Entretanto, ao invés de os EUA e seu aliados aceitarem o acordo, rapidamente o rejeitaram tornando as negociações diplomáticas mais difíceis, ou seja, prevaleceram a arrogância e prepotência de um império decadente.

O mundo caminha cada vez mais para a multipolarização e o Brasil, como país “emergente”, busca e ganha mais influência no cenário internacional. Portanto, é indigesto para as potências do hemisfério norte aceitarem a mediação diplomática feita por um país que está do lado de baixo da linha do equador, em uma região tão estratégica e conflituosa.

É incoerente também por parte de alguns analistas não aceitar que um país ainda na condição de “periférico” use sua influência com uma das partes, no caso o Irã, para mediar um acordo desse porte, como bem escreveu o jornalista Clóvis Rossi (Folha de São Paulo 22/05/2010). "O Brasil não foi chamado de magalomaníaco ao se meter no G20..., transformado em principal centro de discussão em torno da crise econômico-finaceiro-mundial".

Vanderlei Garcia Guerreiro