Tanto para quem busca um lugar ao sol no mercado de trabalho quanto para os que desejam se realocar, por meio de um novo emprego ou com o próprio negócio, o momento de tomar uma atitude é agora. A exemplo de reportagem que iniciou publicação a respeito destas tendências de negócios, no primeiro domingo do mês, o JC enumera algumas das profissões em alta, em meio à vasta cadeia produtiva beneficiada pela boa perspectiva econômica do país para os próximos anos.
O otimismo gerado pelo tripé Pré-Sal, Copa 2014 e Olimpíadas 2016 gera demanda por profissionais e serviços de uma variada gama de ramos, envolvendo praticamente toda a cadeia produtiva. Como muitas áreas estarão em evidência, desde o produtor rural até o engenheiro serão requisitados pelo novo momento de crescimento.
Para aproveitar o momento sem perder tempo e, principalmente, dinheiro, tanto o futuro empregado quanto o potencial empreendedor precisam estar atentos para a capacitação, atestam especialistas em gestão empresarial e recursos humanos.
Entre as áreas com boa perspectiva dentro do empreendedorismo, a apicultura é um desses exemplos em que os ganhos do produtor serão equivalentes ao grau de aperfeiçoamento técnico no setor, que já observa crescimento. “Está havendo uma procura maior”, atesta Guilherme Carlos de Oliveira Nunes, presidente da Associação Bauruense de Apicultores (ABA).
Segundo ele, a tendência é que a produtividade aumente em 30% nos próximos anos. Atualmente, calcula, a produção anual per capita de mel varia entre 22 e 26 quilos, sendo que o alimento concebido na região, detalha, é bastante apreciado no País. “Somos fortes na produção do mel cipó uva, que é muito saboroso”, valoriza o produto.
O estimado crescimento da economia para os próximos anos fará com que os produtores garantam, além do alimento, a seiva para a industrialização de subprodutos de outras áreas, como a estética.
Para tanto, o apicultor deverá estar preparado, algo que, para Nunes, não será complicado. “Hoje o pessoal já se estrutura melhor. O principal é investir em qualidade, que dá retorno sim”, recomenda.
A oportunidade para os produtores por meio da próxima Copa é atestada pelo consultor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de São Paulo, Augusto Aki. Segundo ele, por meio da assessoria de imprensa da entidade, não apenas o mel, mas produtos diferenciados, como própolis e geleia real, terão grande saída.
“A Copa vai gerar oportunidades de se produzir mais quantidade e com mais qualidade”, assegura. Contudo, ressalva o analista, o produtor terá que se transformar em melhor fornecedor.
Reação em cadeia
Interligada como uma colmeia, a cadeia produtiva beneficiada pelos três principais fatores que engrossarão o caldo da economia brasileira nos próximos anos é vasta. Particularmente entre os candidatos a empreendedores, o mais importante, recomenda o também analista Fausto Simões de Andrade Neto, do Sebrae de Bauru, o melhor para se aproveitar o momento é, sobretudo, planejar e inovar, mesmo que em nichos até mesmo saturados.
“É possível até mesmo investir nas áreas mais simples ou saturadas, desde que saia da mesmice”, orienta Andrade Neto, ao citar como exemplo a comerciante Luciana Ortega Maniezi Macre.
Destaque em reportagem do JC na semana passada, a comerciante encontrou um novo filão dentro do setor alimentício, ao oferecer produtos da linha antroposófica, que, a grosso modo, mantêm todas as características naturais de pães, bolos, pizzas e demais massas integrais.
“Ela vende saúde. Isso é um comportamento empreendedor”, elogia o analista do Sebrae. “É preciso estar antenado às tendências”, acentua. Uma das tendências, reforça, é a busca por produtos que aliem qualidade ao bem estar.
Conforme o analista, muitos novos empreendimentos não vingam porque seus donos instalam o negócio não por oportunidade e, sim, necessidade. Outro fator determinante entre sucesso e fracasso, salienta, é o discernimento.
“Oportunidade é diferente de uma boa ideia. Ela surge quando alguém está disposto a pagar por ela”, diferencia. “O segundo passo é estruturar o projeto. O terceiro é montar o empreendimento ou não”, ensina. “Visão míope, chocolate. Visão estratégica, presente”, ilustra.
____________________
Região prepara terreno para zona exportadora
Em meio à cadeia de bons negócios previstos para ocorrerem na esteira do crescimento da economia para os próximos anos, o setor industrial, particularmente na região, se prepara também para dar sustentação a um projeto de produção para o mercado externo.
Aliado à logística, beneficiada pela localização geográfica de Bauru e municípios no entorno e aos novos projetos ligados à geração de energia e sustentabilidade, o projeto de implantação de uma Zona Potencialmente Exportadora (ZPE) é necessária, enfatiza Domingos Malandrino, diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru. A iniciativa é uma parceria intermunicipal, com a participação também de Pederneiras e Arealva.
Malandrino cita melhorias na infraestrutura ferroviária, bem como os planos de implantação de uma usina termelétrica em Pederneiras e um centro de reciclagem. Esses projetos, acentua, estariam conjugados à futura ZPE, implantada no entorno do aeroporto Moussa Tobias (Bauru-Arealva).
A área que concentraria indústrias funcionaria nos moldes de uma zona franca, explica Malandrino, ou seja, mediante isenção tributária. “Os planos são destinar uma área de aproximadamente 1 milhão de metros quadrados no entorno do aeroporto”, detalha.
Segundo ele, o projeto está em fase de discussão entre as prefeituras. No período entre seis meses e um ano, estima, ele será enviado à Brasília, para ser apreciado pelo Ministério do Desenvolvimento. “A ZPE produzirá itens de alto valor tecnológico e de grande valor agregado”, vislumbra.
____________________
Tecnólogo e engenheiro são disputados
A perspectiva é boa tanto em relação ao crescimento econômico quanto à geração de postos de trabalho para os próximos anos. Na visão de analistas de mercado, a procura será bem mais acirrada por profissionais ligados à tecnologia e engenharia.
Estas áreas vão abrir portas para atividades advindas do petróleo (Pré-Sal), as construções previstas para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, dois anos após o Mundial de Futebol do Brasil.
Contudo é necessário que o próprio País e, consequentemente, a região se preparem para os próximos anos, cuja demanda de serviços tornará obrigatória a disponibilidade de profissionais qualificados.
Entre os mais requisitados entre as profissões do futuro próximo estão engenheiros e tecnólogos, porém, não são o suficiente para atender até mesmo às atuais exigências do mercado. “Às vezes a vaga é aberta e não é preenchida pela falta de gente qualificada”, observa a recrutadora de recursos humanos e psicóloga Carmem Lucila Lobato de Oliveira.
Segundo ela, uma das causas dessa escassez é o despertar tardio de jovens para o mercado. “O adolescente de 16, 17 anos, não tem essa visão”, afirma. Ainda assim, ela acredita que esse quadro tende a melhorar, visto à maior disponibilidade de informações. “Com a Internet isso tem melhorado”, confia.
A carência de profissionais nos setores de novas tecnologias também é apontada pela analista de recursos humanos Lívia Cordeiro Amorin Caizavara Silva. “Tudo o que é ligado à informática e tecnologia da informação terá muita demanda”, projeta a profissional, citando também grande procura por funcionários da área de maquinário.
Essa preocupação em atender à demanda chega aos corredores acadêmicos, que também sofrem com a falta de profissionais formadores. Jair Manfrinato, diretor da Faculdade de Engenharia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, alerta que o País carece tanto de engenheiros quanto de professores da área.
“Não temos doutores no mercado. Estamos abrindo concurso em tempo integral para professor. Mesmo com salário alto, é difícil preencher vagas”, constata Manfrinato. “Engenharia demanda a formação de 4 mil doutores ao ano. Atualmente, formamos 1.100”, enumera. Segundo ele, o Brasil forma de 30 mil a 35 mil engenheiros ao ano. A China, compara o diretor da faculdade, forma 400 mil.
Essa preocupação, complementa, é acentuada pela necessidade de inovação tecnológica no País, que sente os reflexos do êxodo de profissionais. “É uma preocupação governamental e das universidades. Atualmente, dependemos da tecnologia de fora, como exportadores de matéria-prima. Muitos alunos ainda nem formados já estão contratados, muitos vão estagiar no Exterior e lá se empregam”, cita.
“Investe-se dinheiro público na formação do aluno que vai embora”, acentua o professor, citando a já atual alta procura por engenheiros civis e mecatrônicos, além de profissionais ligados à nanotecnologia, computação e biotecnologia.
____________________
Cursos voltados ao turismo já pedem aperfeiçoamento
A Copa do Mundo do Brasil, daqui a quatro anos, junto a outras vertentes que impulsionarão a economia no País, vai exigir também maior contingente e treinamento de pessoas formadas em turismo.
Além das cidades-sede do Mundial, municípios de outras localidades, como do Interior do Estado, que mantêm cursos de graduação no setor, são potenciais exportadores de mão de obra especializada nos próximos anos.
“Trabalhamos a questão da Copa desde o ano passado”, frisa a professora Débora Faria Goulart, coordenadora do curso de turismo das Faculdades Integradas de Bauru (FIB). “A captação de profissionais será de forma geral”, acentua ela.
Segundo Débora, os cursos de turismo no País, atualmente, existem em menor número, com maior qualidade. “Houve tempo em que havia uma multiplicidade de cursos. Hoje, com o fechamento de muitos, os que permaneceram garantem formação mais qualificada”, garante.
Para a professora, diferentemente do investimento em estádios, o atendimento de qualidade aos visitantes não é algo que se assegura simplesmente com recursos financeiros. “É grande a preocupação com capacitação”, salienta. “Estrutura o dinheiro banca. Agora, qualidade em atendimento não se constrói de uma hora para outra”, diferencia.
Treino
Não, os garçons e cozinheiros não entrarão em campo na Copa de 2014. Porém, serão fundamentais no esquema de apoio aos turistas que estiverem no País durante o próximo Mundial. Os estabelecimentos, de acordo com notícia publicada no site da Agência Sebrae, servirão como Pontos de Informações ao Turista (TIP, em Inglês).
Incentivado pelo Ministério do Turismo (Mtur), o programa “Bem Receber Copa” vai envolver empresas de alimentação fora do lar, incluindo bares, numa estratégia de marketing de relacionamento. Desta forma, profissionais e estabelecimentos serão preparados para receber o público estrangeiro.
A meta é qualificar 15.700 profissionais, entre garçons e auxiliares, recepcionistas, gerentes e proprietários. Ainda receberão aprimoramento outros mais de 300 mil profissionais da área de turismo.
Interessados em participar devem buscar mais informações com na Associação Brasileira de Transportes Aéreos Regionais (Abetar), Instituto Brasileiro de Hospedagem (IBH), Associação Brasileira de Turismo de Aventura (Abeta), Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla), Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).