09 de julho de 2026
Bairros

Dengue: Higienópolis tem nebulização

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Para exterminar o mosquito Aedes aegypti e impedir que as larvas depositadas pelas fêmeas se tornem insetos adultos, os agentes de controle da dengue fizeram nebulização de inseticida em mais de 1.100 imóveis localizados no bairro Higienópolis, em Bauru, ontem. A operação vai percorrer o bairro todo e também algumas residências da Vila Cardia, que fica nas imediações.

De acordo com Kelly Mercado, do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) do município e coordenadora do programa de controle da dengue em Bauru, a nebulização foi feita baseada no histórico do mês de maio.

“No mês de maio, aproximadamente 1.100 residências do bairro tinham focos (para a reprodução do mosquito) da dengue, como vasos de plantas e pratos com água. Alguns locais já estavam com larvas do mosquito transmissor”, ressalta.

Nessas residências foram encontrados 42 recipientes que já possuíam a larva do mosquito Aedes aegypti. “Nas casas em que foram encontradas caixas d’água abertas, nós orientamos as pessoas para fechá-las. Nas residências das pessoas que não tinham condições financeiras para fazer isso, nós fizemos. Havia cerca de 12 caixas d’água irregulares”, completa Kelly.

Casos confirmados

Além dos focos encontrados, foram confirmados no mesmo local 11 novos casos de dengue nesse período. Desse total, sete deles foram detectados por exames laboratoriais e quatro por critérios epidemiológicos, ou seja, pelos sintomas da doença.

“Se a cidade atinge 100 casos para cada 100 mil habitantes, nós paramos de fazer o exame porque entendemos que já está instalada a epidemia. Então, após esse número, todas as pessoas que possuem os sintomas da dengue são diagnosticados como positivos”, explica a coordenadora do programa de controle da dengue.

Excepcionalmente, esse procedimento também é usado em casos suspeitos que apresentem vínculo epidemiológico com casos confirmados laboratorialmente (morar na mesma rua, mesma casa, viagem para local com transmissão) nas seguintes situações: não foi possível coletar sorologia ou a coleta foi realizada em data inadequada. Em caso de óbito, o diagnóstico será sempre laboratorial, adotando o procedimento de isolamento viral.

Os dados atuais da doença em Bauru permanecem os mesmos divulgados pela Secretaria Municipal da Saúde no último dia 15. Até ontem, a cidade totalizava 575 casos de dengue, sendo 553 autóctones - aqueles adquiridos no próprio município - e 47 importados de outras cidades. Desse total, 85 foram detectados pelo critério clínico epidemiológico.

A coordenadora Kelly afirma que ainda não sabe qual será a próxima região a ser nebulizada, mas que o departamento continua a intensificação de abordagens e notificações.

Os principais sintomas da dengue são febre, dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articulações, indisposição, enjoos, vômitos, manchas vermelhas na pele, dor abdominal, entre outros sintomas. A Secretaria de Saúde alerta a todos aqueles que apresentarem febre acompanhada de pelo menos mais dois outros sintomas, que procurem a Unidade Básica mais próxima de sua residência para receber o atendimento adequado.

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Resistência do inseto

A suspeita de que o mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, fica resistente com a constante aplicação do mesmo inseticida nas residências, segundo Kelly Mercado, é mito.

“Antigamente nós utilizávamos os caminhões com a fumaça para espantar o mosquito, hoje isso já mudou muito. Há quase 15 anos esse mesmo inseticida vem sendo aplicado e nós vimos muita eficácia no extermínio do mosquito”, defende a coordenadora do programa de controle da dengue em Bauru.