10 de julho de 2026
Polícia

Homicida se recusa a depor sobre morte de comerciantes

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Indiciado por duplo homicídio duplamente qualificado, o agente penitenciário Alexandre Zambonaro Gonçalves, 36 anos, se negou a prestar depoimento à Polícia Civil, na manhã do último domingo, antes de ser transferido para o presídio de Tremembé (SP). Depois de receber alta do Hospital de Base, onde permaneceu internado por quase três dias após tentar suicídio, ele foi levado ao Plantão Policial, mas usufruiu do seu direito de permanecer calado. Até o momento, portanto, não há nenhuma informação oficial sobre os motivos que o levaram a assassinar os comerciantes Maurício Yamanoi, 41 anos, e José de Nazaré Mendes, 72 anos, na sexta-feira passada, no bar Japa Lalá, no bairro Higienópolis.

Alexandre foi preso em flagrante e, enquanto esteve hospitalizado, ficou sob escolta policial. Pela gravidade do crime, as chances de ele permanecer preso até o final do julgamento são bastante grandes, conforme avaliação do delegado Benedito Valencise. “Foi um crime hediondo, com qualificadoras (motivo fútil e sem chance de defesa das vítimas) e com fortes indícios de ter sido premeditado. Tudo depende da interpretação do Judiciário mas, nessas condições, é difícil que um habeas corpus seja concedido.”

Valencise explica que o assassino foi encaminhado a uma unidade prisional fora de Bauru por motivo de segurança, já que ele é um agente penitenciário. “Cogitamos a hipótese de mandá-lo para o CDP (Centro de Detenção Provisória), mas lá não havia condições de ele ficar, até por conta dos problemas psiquiátricos que ele tem. Então a solução foi levá-lo ao presídio de Tremembé”, comenta.

A cidade fica a 480 quilômetros de Bauru, na região de São José dos Campos, e abriga uma penitenciária onde os agentes penitenciários que cometem crimes costumam cumprir pena. Segundo Valencise, por não ter aceitado depor, é possível que Alexandre só seja ouvido na esfera judicial. Mas a delegada Cássia Viranda Cancian, do 3º Distrito Policial de Bauru, para onde o caso foi encaminhado, afirma que ainda hoje expedirá uma carta precatória ao presídio em Tremembé na tentativa de interrogá-lo.

“Esperamos que ele seja ouvido ainda esta semana, porque o inquérito tem de ser enviado ao Fórum até a próxima sexta-feira. Se ele aceitar falar, não será trazido a Bauru. Será ouvido lá e a transcrição do interrogatório é enviada para mim, via fax ou correspondência”, detalha.

Laudos

Cássia destaca que recebeu e estudou o inquérito do caso ainda ontem e, hoje, deve enviar a arma utilizada no crime, os projéteis e a corda com que Alexandre tentou se enforcar para análise do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil. Ela também aguarda os laudos das perícias realizadas no local dos homicídios e na garagem da casa de Alexandre, onde ele tentou suicídio.

“Esperamos também o exame necroscópico das duas vítimas e o exame do acusado, feito no IML (Instituto Médico Legal) de Bauru. E temos de ouvir duas testemunhas da tentativa de suicídio, que não prestaram depoimento até o momento”, salienta.

A delegada destaca, ainda, que o boletim de ocorrência do furto do revólver calibre 38 usado para o crime já foi anexado ao flagrante que compõe o inquérito. De acordo com o documento, Alexandre teria arrombado o armário de um companheiro de serviço, na Penitenciária 1 de Bauru, e subtraído a arma na manhã do dia 18, horas antes de cometer os homicídios.

Além desta evidência, testemunhas relatam que o agente penitenciário ficou rondando o bar com sua motocicleta horas antes de cometer o crime. Se essa informação for comprovada, é possível que as circunstâncias agravantes do crime resultem em aumento da pena ao final do julgamento. Na opinião de especialistas consultados pelo JC, Alexandre pode ser condenado entre 12 e 30 anos de prisão por cada um dos assassinatos.

“Ele está sendo indiciado por duplo homicídio duplamente qualificado. Mas isso pode mudar conforme eu for analisando os laudos. E pode mudar depois também, quando o promotor for denunciar o indiciado”, adianta.