Justamente quando Kaká tinha voltado a jogar bem e inspirado a seleção brasileira na vitória sobre a Costa do Marfim, o jogador vai desfalcar a equipe na decisiva partida do Grupo G contra Portugal, obrigando o técnico Dunga a buscar uma solução para o meio-campo do Brasil.
Se o treinador optar pela opção mais conservadora, a vaga será do substituto imediato de Kaká, Júlio Baptista. Outras variantes seriam a escolha por Nilmar, colocando em campo uma formação com três atacantes, ou um time mais defensivo, com Daniel Alves ou Ramires no lugar do camisa 10.
“O Kaká praticamente atua na mesma função que eu faço. Estou esperando a minha oportunidade para fazer o meu melhor”, disse recentemente Baptista, que foi o escolhido por Dunga para jogar atrás dos atacantes no treinamento da equipe reserva contra um clube amador sul-africano ontem.
Com passe para dois gols na vitória por 3 x 1 sobre os marfinenses, no domingo, Kaká voltou a ter uma atuação de destaque após bastante tempo, deixando para trás uma temporada marcada por seguidas lesões no Real Madrid e uma estreia apagada no Mundial da África do Sul.
Mas o meia-atacante foi expulso nos minutos finais da partida no Soccer City, por dois cartões amarelos, e vai ficar de fora do jogo considerado o mais difícil da primeira fase para o Brasil. Líder do ranking mundial, a seleção enfrentará o terceiro colocado da lista. A vitória sobre a Costa do Marfim classificou o Brasil de forma antecipada para as oitavas-de-final, mas a goleada portuguesa por 7 x 0 contra a Coreia do Norte, ontem, deu um caráter de decisão ao jogo de sexta-feira, em Durban.
Quem vencer avança em primeiro lugar da chave, evitando um confronto no começo do mata-mata com o primeiro colocado do Grupo H, composto por Espanha, Chile, Honduras e Suíça. O Brasil ainda pode empatar, que chegaria aos sete pontos, ante cinco de Portugal, e ficaria em primeiro.
Elano é dúvida
Júlio Baptista já atuou como principal armador da seleção brasileira em outras ocasiões, com destaque para a final da Copa América de 2007, quando marcou um gol na vitória por 3 x 0 sobre a Argentina. A entrada de Nilmar no lugar de Kaká foi testada pela primeira vez por Dunga na vitória por 2 x 1 sobre a Coreia do Norte, na estreia brasileira na Copa. Com a saída do meia, que teve atuação discreta, Robinho passou a jogar como atacante mais recuado, deixando Nilmar e Luís Fabiano na frente.
O treinador também terá de levar em conta a condição física de Elano, companheiro de Kaká na armação da equipe que deixou o jogo contra os marfinenses após levar uma forte pancada no tornozelo direito. Apesar de o médico da seleção, José Luis Runco, ter afirmado que, a princípio, o jogador não preocupa para a partida com Portugal, Dunga pode optar por preservá-lo para as oitavas-de-final, uma vez que a vaga já está assegurada.
Daniel Alves e Ramires são jogadores que recorrentemente entram em campo no decorrer das partidas, e são opções tanto para substituir Kaká como Elano. Se um deles entrar no lugar de Kaká, o time terá uma formação mais defensiva. “O meu objetivo é sempre aproveitar os minutos que eu tenho e fazer o meu trabalho, e o Dunga confia no meu trabalho e na minha forma de me comportar”, disse Daniel Alves depois do jogo de domingo, quando foi o substituto de Elano pelo segundo jogo seguido no Mundial.
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Reservas goleiam time local sub-19 por 7 a 1
Com ao menos um jogador que será titular na partida de sexta-feira contra Portugal, a equipe reserva da seleção brasileira passou sufoco por meia hora num jogo-treino contra um time sub-19 da África do Sul, ontem, até marcar seu primeiro gol e emplacar uma goleada.
Como sempre acontece depois das partidas, apenas os jogadores que não iniciaram a vitória de 3 x 1 sobre a Costa do Marfim foram a campo treinar, enquanto os titulares ficaram no hotel para serem submetidos a um trabalho de recuperação muscular.
Contra a equipe sub-19 The Birds, que já havia sido goleada pela seleção brasileira depois da vitória por 2 x 1 sobre a Coreia do Norte, o Brasil incrivelmente saiu atrás no marcador, quando Doni levou um gol de contra-ataque, aos 20 minutos.
Com o brasileiro Gomes como goleiro do time da cidade de Vaal, a 100 quilômetros de Johanesburgo, a equipe do Brasil teve dificuldades para chegar ao empate, só conseguindo igualar o marcador pouco depois dos 30 minutos, com Grafite, graças a uma falha do zagueiro sul-africano.
Depois, uma chuva de gols brasileiros até o fim do jogo-treino, que teve uma hora de duração: Grafite, de novo, Júlio Baptista, Kléberson, Daniel Alves, Ramires e um gol contra fecharam a goleada. No jogo-treino, o técnico Dunga colocou Júlio Baptista como jogador mais avançado do meio-campo, atuando na mesma função de Kaká. Além de Júlio Baptista, outras opções para substituir Kaká são Nilmar, Ramires e Daniel Alves, esse último o melhor atleta do jogo-treino.
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Olé ironiza ‘A mão
do Diabo’ do Brasil
O atacante Luís Fabiano já está habituado a acirrar a rivalidade entre Brasil e Argentina. Marcou dois gols na vitória da equipe de Dunga sobre a de Maradona, nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, em setembro passado. E recorreu a uma definição adorada pelos argentinos para definir o segundo gol que marcou sobre a Costa do Marfim.
Assim como fez Diego Armando Maradona quando empurrou a bola para dentro com a mão, para ajudar a Argentina a bater a Inglaterra na Copa do Mundo de 1986, Luís Fabiano disse que seus toques com o braço diante dos marfinenses foram obras da “mão de Deus’. A declaração causou polêmica na Argentina.
O Olé, principal jornal esportivo argentino, estampou na sua capa ontem uma foto da ajeitada com o braço de Luís Fabiano com o seguinte título em destaque: “A mão do Diabo”. Maradona classificou o gol como “tragicômico” ontem e fez questão de diferenciá-lo do que marcou contra os ingleses.
Mas os argentinos não foram os únicos que se enfezaram com a endiabrada mão de Luís Fabiano. Na Costa do Marfim, as manchetes também foram críticas. “A mão do assassino”, definiu o Soir Info.
Para o Olé, a vitória brasileira pode ser resumida da seguinte forma: “Escandalosa mão de Luís Fabiano antes de fazer o segundo da vitória por 3 a 1 do Brasil sobre a Costa do Marfim. Além disso, não foi nada original: falou de ‘mão santa, mão de Deus’. E Dunga está furioso com o árbitro porque expulsou Kaká e perdoou patadas. Ganharam bem, mas saíram com Elano lesionado.”
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Maradona aponta o
Brasil como favorito
Diego Armando Maradona riu ao ouvir a comparação entre o seu gol feito com a mão na Copa de 1986, nas quartas de final contra a Inglaterra, e o tento do brasileiro Luís Fabiano contra Costa do Marfim. O técnico argentino negou a exitência da ‘mão de Deus’ brasileira e ainda ironizou a atitude do árbitro, que validou o lance.
“Este foi com o braço, não podemos comparar”, disse Maradona, que viu o brasileiro usar o membro superior duas vezes para dominar a bola antes de balançar as redes, após série de dois chapeús em defensores marfinenses. Em 1986, ele usou a mão, propriamente, para desviar do goleiro em disputa pelo alto, garantindo a vitória por 2 a 1 sobre os ingleses.
“Houve uma dupla mão no gol do Luís Fabiano. O tragicômico é o sorriso do árbitro. Se ele teve aquela reação é porque viu. Então por que não marcou? Contra a Inglaterra, o árbitro não ficou sorrindo como ontem (domingo), ficava olhando para todos os lados, cheio de dúvidas”, disse Maradona.
Para ele, a falha foi determinante para a vitória brasileira, confirmada por 3 a 1. “Era um momento particular da partida. O lance praticamente encerrou as chances da Costa do Marfim”, disse o ex-atacante, que não deixou de elogiar os comandados de Dunga, apontando-os como principais candidatos ao título. “Com mão ou sem mão, eles não estão jogando bem, mas conseguem definir os jogos. São os grandes favoritos do Mundial.”