11 de julho de 2026
Regional

Sindicato faz protesto pelo fechamento de agência em Iacanga

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 5 min

Iacanga – Diretores do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região se reuniram ontem de manhã em frente à agência do Banco do Brasil (BB) de Iacanga (50 quilômetros de Bauru) para protestar contra o fechamento, no último dia 11, da agência da Nossa Caixa no município. A entidade atribui o fato ao processo de fusão entre as instituições financeiras, critica as longas filas de espera e alega que os bancários remanescentes estão tendo que fazer horas extras diárias. Recentemente, a agência da Nossa Caixa em Piratininga também foi fechada.

O protesto teve início às 10h30. Cartazes com frases como “Culpa pela bagunça na Nossa Caixa é de Lula”, “Bancário também é vítima da desorganização do Banco do Brasil”, e “BB significa Banco da Bagunça” foram afixados nos vidros da agência. As grandes filas, tanto no interior do prédio como na parte externa da unidade, evidenciavam a demora no atendimento e também eram alvos de críticas por parte do sindicato.

O coordenador da entidade, Paulo Tonon, revela que o tempo de espera dos clientes nas filas chegou a atingir, em média, duas horas. “O grande problema é que a maioria dos funcionários lotados na agência da Nossa Caixa saíram num plano de desligamento voluntário (PDV)”, explica.

“A quantidade de funcionários que foi para o Banco do Brasil é muito pequena. Não teve aumento de quadro para atender, agora, um banco que tem toda a folha de pagamento da cidade, tem todas as contas da cidade envolvida. O resultado é que a espera no atendimento, hoje, era de duas horas”.

Durante a manifestação, Tonon explica que o sindicato orientou os clientes sobre a nova situação e pediu calma até que os problemas existentes possam ser resolvidos. “Nossa missão lá foi pedir calma para a população em relação ao fechamento da agência”, conta.

O coordenador adiantou que, ainda esta semana, também pretende fazer uma visita à agência do Banco do Brasil de Piratininga para verificar a situação de clientes e funcionários. Contudo, ele confirma que, até agora, não recebeu nenhuma reclamação dos bancários que trabalham no município.

No final da tarde de ontem, a diretoria da entidade reuniu-se com a superintendência do Banco do Brasil para cobrar providências em relação a melhoria do atendimento em Iacanga. “Alguma coisa a direção do banco tem que fazer. Está muito crítica a situação de Iacanga”, afirma.

No encontro, ficou definido que, na quinta-feira, representantes da Unidade de Gestão de Transição (UGT) do Banco do Brasil estarão na cidade para anunciar medidas que visam minimizar os impactos do fechamento de unidades na região e melhorar o atendimento aos clientes da instituição.

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Situação incerta

Na opinião do prefeito de Piratininga, Odail Falqueiro (PTB), o recente fechamento da agência da Nossa Caixa veio acompanhada de incertezas em relação ao futuro de seus clientes e a redução de postos de trabalho. “A gente entende que é uma iniciativa maior e não há como questionar o fato de, agora, a Nossa Caixa não existir mais. Mas, para a cidade, é claro que não é muito bom, uma vez que tínhamos apenas esses dois bancos funcionando aqui”, diz.

“A gente não sabe mesmo o que esperar: não sabemos como ficarão as filas, se haverá redução de mão de obra. Nós vamos acompanhar a situação conforme o atendimento for restabelecido, pois agora eles estão numa fase de adaptação. Temos a questão do tempo de espera na fila e isso tudo será levado em conta. O que esperamos é que, já que houve essa junção, que se contrate o número de funcionários necessários para prestar atendimento rápido e de qualidade”, cobra.

O prefeito também destaca o potencial econômico da cidade e espera que outras instituições bancárias privadas possam se instalar no município. “A cidade está crescendo bastante, principalmente na área industrial, grandes empresas estão requisitando mão de obra daqui e, esses cidadãos são clientes em potencial para os bancos, principalmente para aqueles que já mantêm conta salário com os funcionários de empresas como a Cart, Multicobra, Duratex e NP service, que são grandes empregadores de mão de obra piratiningana”, declara.

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Fusão provoca fechamentos

O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região afirma que, após a incorporação da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil no fim de 2008, em operação que custou à instituição federal o valor de R$ 5,386 bilhões, várias agências bancárias estão fechando suas portas em todo o Estado de São Paulo.

Segundo o sindicato, além da população, os bancários também estão sendo prejudicados pelo encerramento das atividades da agência da Nossa Caixa em Iacanga. “Agora, há menos funcionários para atender mais clientes. Por causa dessa falta de planejamento, os bancários remanescentes estão tendo de fazer horas extras todos os dias”, diz.

Na opinião da entidade, o processo de fusão entre as instituições financeiras não contou com um planejamento prévio por parte da direção do BB. “Independentemente disso, o Banco do Brasil tem a obrigação de atender bem aos seus clientes e de proporcionar um ambiente de trabalho digno aos funcionários”, cobra.

A assessoria de imprensa da regional do Banco do Brasil desmentiu que esteja previsto fechamento de mais agências e informou que não haverá sobrecarga e nem comprometimento do atendimento prestado aos clientes em Iacanga, “pois a unidade BB recebeu todos os funcionários do Banco Nossa Caixa, readequando o quadro de atendimento”. Em caso de dúvidas, a instituição orienta seus clientes a procurarem a agência de relacionamento ou os canais de atendimento disponíveis 24 horas na Internet e pelo telefone 4004-0001, ou 0800-729-0001, no caso de cidades menores.