10 de julho de 2026
Internacional

Dissidente é condenado por agressão, mas recebe condicional em Cuba


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Havana - As autoridades cubanas deixaram ontem em liberdade condicional o médico opositor Darsi Ferrer, depois de condená-lo a um ano e três meses de prisão sob a acusação de atividades ilegais e agressão, informaram os familiares. Ferrer, de 40 anos, estava preso sem julgamento desde julho de 2009 na penitenciária de Valle Grande, oeste de Havana, pelo que já cumpriu a maior parte da pena; o restante será em liberdade condicional, explicaram a esposa Yusnaimy Jorge.

“Deixaram-no em liberdade. Espero que saia hoje (ontem) mesmo. Está bem animado, foi um julgamento tenso. Sempre deram o matiz que queriam, ou seja, julgá-lo como um criminoso comum”, afirmou ela. O marido dela havia sido detido no dia 21 de julho de 2009 sob a acusação de compra ilegal de material de construção, e de atentar contra um vizinho que fez a denúncia, durante revista policial em sua casa.

“Só queríamos reparar nossa humilde casa. Ele era inocente”, declarou ela. Ferrer, declarado prisioneiro de consciência pela Anistia Internacional (AI), argumentou que os sacos de cimento e as vigas de ferro foram cedidos por um amigo.

Ferrer realizou greve de fome de três semanas, em abril passado, para pedir “um julgamento justo” e atendimento médico, protesto este que levantou quando as autoridades atenderam a suas demandas. Ferrer, médico que não exerce a profissão por dedicar-se a atividades opositoras desde 1999, criou e dirige o Centro de Saúde e Direitos Humanos “Juan Bruno Zayas”, considerado ilegal.

A Anistia Internacional o incluiu em sua lista de 50 presos de consciência cubanos em fevereiro; em março, o Departamento de Estado americano concedeu a ele o prêmio “Defensores da Liberdade” de 2009.

A Igreja Católica e a administração de Raúl Castro mantêm um diálogo para resolver a questão dos detidos. Até o momento, as autoridades permitiram a libertação do opositor Ariel Sigler, além do traslado de 12 presos - que foram levados para cárceres próximos aos seus locais de origem. Estima-se que existam mais de 200 presos políticos em Cuba, apesar de o governo afirmar que não há nenhum.