10 de julho de 2026
Articulistas

Cuba precisa de uma revolução

Marcondes Serotini Filho
| Tempo de leitura: 2 min

De paradoxo em paradoxo, vamos vivendo e nos admirando. A revolução de Cuba, junto com a Russa, sua ancestral direta, representa aquilo que existe de mais representativo em ruptura, da eliminação de excrescências em uma sociedade doente. Com características semelhantes, inclusive como todo movimento que existe por representar parcelas despossuídas da população, daí seu caráter genuíno de mudança de padrões e regimes, sempre acontecem os excessos e equívocos inerentes ao poder.

Tal se passou com a maior de todas, a Francesa, que de dentro de seu seio e na sombra das reuniões inconfessas, decidiu-se pôr a prêmio muitas cabeças além das dos reis e rainhas dos Bourbon. Mentores deste movimento Iluminista e gerador de documentos famosos como a Declaração dos Direitos Humanos e por eternizar a Marselhesa como um hino à liberdade, junto com a fraternidade e igualdade, a saber Marat e Robespierre, foram decapitados e assassinados no ato contínuo do desenrolar dos fatos.

A Revolução Cubana nos é mais afeita pela proximidade cronológica e geográfica, quando pudemos presenciar seus efeitos e suas bobagens, fruto da ganância e da cegueira gerada pelo exercício do poder totalitário.

Do seu lado, o valor da Revolução Rus-sa é inequívoco, por acomodar em suas hostes teóricos revolucionários e seguidores da filosofia marxista, que gerou uma onda pelo século passado definidora de valores que tiveram que ser questionados e desmistificados pela prática política aplicada à economia.

Cuba realizou, sob a batuta de Fidel, uma mudança na destinação dos ativos políticos e financeiros oriundos do financiamento soviético, para diminuir a pobreza de sua sofrida população. Atreladas a esta verdade, outras menos reluzentes e de uma opacidade que se vê pela fortuna amealhada pelo grande líder Fidel, pela decadência da economia e pela repressão aos direitos humanos. Não é pouco para se dizer que, paradoxalmente, Cuba precisa provar do mesmo remédio que curou um povo da doença incubada por Fulgêncio Batista.

Longe de fundamentalismos e processos radicais, que já não cabem no mundo de hoje, uma oposicionista cubana emana de seu blog para quem quiser ouvir ou ler, informações doloridas das coisas que se passam na ilha. Fidel perceber esta necessidade, de se trocar o carro de boi pelo trator, de pilotar um Toyota ao invés de um obsoleto Lada, além de saber que pensamentos e ideias são motores de uma nação livre, me parece improvável pela contaminação exercida por décadas de poder.

Portanto, a seu exemplo, sem um grande líder a empunhar armas ao lado de Ches e Guevaras, seu povo sangrando no coração e não fazendo sangrar mais suas chagas, realiza em alto e bom som uma lenta revolução.

Que mudará as faces de Cuba, que voltou a ser um país sofrido, pelo contato, novamente, com o atraso e a pobreza. A história sabe que a ilha e seu povo encontrarão seu destino feliz. Só resta encontrar os meios.

O autor, Marcondes Serotini Filho, é ortodontista, cronista e colaborador do Jornal da Cidade