10 de julho de 2026
Polícia

Polícia ouve testemunhas para apurar a tentativa de suicídio de Zambonaro

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Duas testemunhas da possível tentativa de suicídio do agente penitenciário Alexandre Zambonaro Gonçalves - ao que tudo indica, sua mãe Dalva Marisa Zambonaro, 68 anos, e um vizinho - serão ouvidas hoje, a partir das 13h, no 3º Distrito Policial de Bauru. A delegada Cássia Viranda Cancian não confirmou os nomes dos depoentes, mas destacou que eles serão importantes para ajudar a recompor a sequência dos fatos ocorridos antes e depois de Zambonaro, 36 anos, assassinar os comerciantes Maurício Yamanoi, 41 anos, e José de Nazaré Mendes, 72 anos, na sexta-feira passada, em um bar no bairro Higienópolis.

Segundo informações extra-oficiais, depois de atirar contra as vítimas, o agente teria voltado para casa, onde teria ingerido uma alta dose de medicamentos controlados e, em seguida, tentado se enforcar com uma corda na garagem do imóvel. No percurso entre o bar Japa Lalá e sua residência, localizada no Parque União, Zambonaro teria se acidentado com a motocicleta que dirigia e, em algum momento, também teria tentado cortar os próprios pulsos.

Ontem, a delegada ouviu o agente penitenciário que é proprietário do revólver calibre 38 utilizado no crime. Em depoimento, ele ratificou as informações prestadas no Plantão Policial, na tarde do dia 18, quando ocorreram os assassinatos. Conforme registro do boletim de ocorrência, o agente, cuja identidade não foi revelada, alegou que a arma foi furtada de seu armário, na Penitenciária 1 de Bauru, onde trabalhava com Zambonaro.

De acordo com Cássia, as testemunhas que ouviram os disparos no bar Japa Lalá também já foram interrogadas, mas a polícia ainda tenta localizar outra pessoa que teria visto, efetivamente, os tiros atingirem as vítimas. Como Zambonaro se negou a prestar depoimento no Plantão Policial na manhã do último domingo, antes de ser transferido para o presídio de Tremembé (SP), a delegada adianta que não haverá mais tentativas de ouvi-lo nesta fase do inquérito.

Em juízo

“Ele assinou um documento dizendo formalmente que não queria se pronunciar. Deve ter sido orientado por um advogado a não falar, então, não há motivos para forçar esse interrogatório, porque ele não é testemunha, nem vítima”, afirma Cássia. Com isso, o acusado só deverá prestar depoimento em juízo.

Ainda segundo a delegada, o revólver apreendido já foi encaminhado ao Instituto de Criminalística (IC), onde será realizado o teste de balística das munições encontradas nos corpos das vítimas para comprovar se as balas foram mesmo disparadas pela arma.

Zambonaro permanece preso na Penitenciária 2 de Tremembé, no mesmo complexo onde estão autores de crimes que ganharam repercussão nacional, como o casal Nardoni (condenados por matar Isabella Nardoni), os irmãos Cravinhos (que assassinaram os pais de Suzane von Richtofen), Lindemberg Alves (acusado de matar a ex-namorada Eloá Cristina Pimentel) e Roger Abdelmassih (médico acusado de estuprar 56 pacientes). Até o momento, ele não recebeu a visita da mãe, que também não teria conseguido vê-lo em Bauru depois que ele recebeu alta e antes de ser transferido para aquela unidade.

Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) do Estado de São Paulo, além de estar sendo processado criminalmente, por ser agente penitenciário Zambonaro também responderá a processo administrativo disciplinar por procedimento irregular de natureza grave. O julgamento pelos dois homicídios, segundo especialistas consultados pelo JC, só deverá acontecer daqui a dois ou três anos. Até ontem, segundo apurou o JC, o acusado ainda não tinha advogado constituído.

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Arma achada em bar é entregue à polícia

A ex-mulher de Maurício Yamanoi, 41 anos, Érika Dimampera, 35 anos, entregou anteontem à polícia um revólver Taurus calibre 38 e cinco munições intactas que foram encontrados pela família dentro do bar Japa Lalá, no bairro Higienópolis. De acordo com o pai dela, Antônio Roberto Dimampera, a arma estava escondida e pertencia a Yamanoi, comerciante que foi assassinado no último dia 18.

Érika teria dito que preferia se desfazer do revólver para evitar eventuais acidentes que pudessem feri-la ou a um de seus quatro filhos.

“Ela tomou a atitude correta. O dono da arma faleceu e o melhor a fazer é entregar a arma à polícia”, pondera.