Hoje, ao acordar, me conectei ao Jcnet para ver as notícias da minha terra e qual não foi minha surpresa ao ler: “Homicida se recusa a depor sobre morte de comerciantes.” Imediatamente me lembrei da frase que a Mariana (neta do Seu Zé) me mandou pela internet: “Assassinaram meu pai e eu não estou sabendo lidar com essa ideia...” Ela tem 18 anos e tinha o avô como um segundo pai... E eu me pergunto diariamente: como lidar com a idéia de uma morte trágica sem ter resposta? Sem saber o motivo? Quem sou eu para julgar esse Alexandre “Louco” (ironicamente apelidado assim)? Sou amiga da família. A filha do seu Zé é minha melhor amiga, irmã de coração que conheço muito bem e sei da força interior dessa guria, mas num momento desses como ter forças? O que aconteceu naquela tarde?
Uma família unida, feliz, se desmorona de repente e a impotência que sinto por estar tão longe (moro em Porto Alegre) me deixa ainda mais triste com toda essa situação. É óbvio que espero pela justiça humana porque a Divina já está sendo realizada, mas espero como todos, por respostas. Me revolta o silêncio desse rapaz que angustia mais ainda a todos. Sem dúvida o seu Zé estava no lugar errado, na hora errada.
Seu Zé, um homem quieto, talvez tímido, de um coração bom, um pai exemplar e trabalhador que sempre estendeu a mão aos filhos foi assassinado sem motivos algum. O Japa (dono do bar também assassinado) eu não conhecia, mas o que justificaria uma morte dessas? E pior, sem chances de se defender. As pessoas matam por tão pouco e no caso do seu Zé, por nada... Até quando ficaremos sem respostas? Espero poder continuar acreditando na justiça dos homens, espero que essas respostas ao menos tirem dos corações dessas famílias as perguntas presas na garganta de cada um.
Peço a Deus que ilumine os homens responsáveis pela justiça, que o motivo seja esclarecido o mais breve e que jamais esqueçam que foi premeditado e, assim sendo, seja feita a justiça, servindo assim de exemplo e mostrando que acreditar na justiça é ainda possível.
D. Cinira, Ana Mara, Fernando, Gisele, minha querida Mariana, meu exemplo de vida e amiga Vânia e netos, peço a Deus que os ilumine para que continuem a caminhada com a força e união que seu Zé deixou como herança. E que o tempo amenize a dor e meu amor chegue a vocês através das minhas orações. Que seja feita a justiça!
Mariú Senis Zalaf