Para Zeca Baleiro, “o futebol - assim como talvez só a arte, e quiçá o amor - pode nos redimir de todas as nossas misérias”. Em tempos de Copa do Mundo e com novo álbum, o músico retorna a Bauru depois de quatro anos e o público terá esses três ingredientes à mão - música, amor e futebol -, para fazer desta noite uma boa oportunidade de redenção. “Calor, alegria, bom humor e uma pitada de veneno, porque sem ele não dá”, é o que promete o cantor e compositor maranhense para o show às 21h, no Serviço Social do Comércio (Sesc). Ainda há ingressos disponíveis.
Apesar de estar com novo projeto em fase de finalização, Zeca traz para Bauru uma apresentação recheada mesmo de sucessos. Acompanhado de seu violão, de Tuco Marcondes (guitarra, violões e vocal), Fernando Nunes (baixo), Pedro Cunha (teclado e acordeom) e Kuki Stolarski (bateria e percussão), o músico apresenta releituras criativas de famosas composições como “Salão de Beleza”, “Babylon”, “Telegrama” e “Quase Nada”, além das canções do álbum anterior “O Coração do Homem-Bomba Ao Vivo”, lançado em DVD em 2009.
“O repertório terá um pouco de tudo. Como não levei o show do ‘Homem-Bomba’ a Bauru, vou tocar bastante coisa desses discos. Mas também já devo adiantar uma ou outra música nova”, responde Zeca ao JC Cultura por e-mail. Sobre “Concerto”, o novo disco, Zeca diz ser um trabalho bem diferente quando comparado às suas produções anteriores.
“Ele ele é um disco gravado ao vivo, só que com repertório inédito, o que de cara já o distancia de todos os meus trabalhos, mesmo os gravados ‘ao vivo’, já que todos eram resultados de uma turnê. O repertório é bem distinto também: algumas canções minhas, inéditas, misturadas a muitas regravações, de Cartola a Camisa de Vênus, de Walter Franco a Foo Fighters”, comenta sobre a gravação do show feita em formato de recital, em março. O lançamento oficial deve ocorrer entre julho e agosto.
A um dia do jogo do Brasil com Portugal, Zeca, que compartilha da paixão nacional, não poderia deixar de ser questionado sobre a atuação da Seleção. Admirador do futebol arte, músico não esbanja lá muita simpatia pelo treinador brasileiro e sente falta dos craques que marcaram época. “Mesmo sendo crítico, é difícil torcer contra, o coração fala mais alto”, risos. “Mas não fui entusiasta do Dunga como jogador, nem o sou dele como treinador. Mas temos que ser justos, a Seleção jogou bem contra a Costa do Marfim. O que lamento é o futebol feio que tenho visto na Copa, falta talento, falta poesia, falta alma... Sou do tempo do Zico, do Sócrates, do Júnior, do Falcão... Não dá pra não ser nostálgico. Mas, óbvio, torcerei pelo Brasil até o fim”, mais risos.
• Serviço
Zeca Baleiro hoje, às 21h, no Sesc (avenida Aureliano Cardia, 6-71). Ingressos a R$ 7,50 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$ 15,00 (usuário, estudantes, professores da rede pública, maiores de 60 anos) e R$ 30,00 (demais interessados). Informações: (14) 3235-1750.
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História
Zeca Baleiro foi batizado com nome de santo, José de Ribamar, como paga de promessa. Ganhou o apelido de Baleiro ainda na faculdade, quando, entre uma aula e outra, saboreava suas balas e doces. Não gostava muito desse nome, até que abriu uma loja de balas, tortas e doces caseiros, a “Fazdocinhá” - nome tirado de uma tradicional cantiga de roda, e o assumiu definitivamente.
O cantor começou sua trajetória musical em 1991 tocando e cantando em barzinhos, como no já extinto “Porquoi pas”, no bairro da Pompéia, em São Paulo. Maranhense, começou a se projetar nacionalmente quando apareceu no especial que a MTV fez de Gal Costa. Em 1997, seu primeiro disco “Por Onde Andará Stephen Fry?” chamou a atenção da crítica, que passou a defini-lo como “neotropicalista”. No ano seguinte, ele ganhou dois prêmios Sharp: melhor disco e melhor música, ambos na categoria pop-rock. O segundo CD, “Vô Imbolá”, trouxe um repertório que mistura música brasileira folclórica, samba e ritmos eletrônicos.
Recentemente, estreou um programa na rádio UOL, em que se apresenta ao lado do DJ e jornalista Otávio Rodrigues e do poeta e jornalista Celso Borges. Batizado como “Biotônico”, tem formato de almanaque, com curiosidades, bate-papos, aforismos, poesia e, sobretudo muita música. O programa pode ser acessado tanto via Rádio UOL, quanto no site do artista (www.zecabaleiro.com.br).