09 de julho de 2026
Turismo

Brasileiros na Toscana


| Tempo de leitura: 6 min

Com a maior divulgação dos roteiros de agriturismo em Toscana, na Itália, os brasileiros agora se unem ao exército de "toscanos desde pequenininhos". "Quando abrimos o castelo para o turismo, há cerca de dez anos, a maioria era de ingleses, americanos, alemães... Agora surgem brasileiros. E nós adoramos. São simpáticos, interessados e alegres", conta Guido Posarelli, atual padrone do mítico Castello di Montegufoni, um dos destinos mais belos e ainda inexplorados de uma região que parecia já ter sido vista de todos os ângulos.

Para chegar ao Castello, basta seguir as coordenadas. Localizada a cerca de 30 minutos de Florença, a construção data de 1100 e foi erguida pelos Ormanni, nobres citados por Dante na "Divina Comédia". Ao longo dos séculos, mudou de "padroni" algumas vezes.

Durante o século 15, foi reformado ao estilo arquitetônico do Palazzio Vecchio de Florença e ganhou a característica "torres quadradas" do Trecento. Ganhou vida nova sob a gestão de Guido, que recebe pessoalmente cada hóspede em companhia de sua noiva, Cristina.

"Gosto de conversar, de saber quem são, de onde vêm. Todos os anos um grupo de alemães passa os verões fazendo cursos de pintura aqui. Andam pelo castelo e, no fim da tarde, reúnem-se para mostrar os trabalhos. Em que outro lugar isso acontece?", perguntava Guido enquanto conduzia esta repórter-hóspede ao Teatro.

Teatro, aliás, já foi a sala de espetáculo do Castello, mas hoje é um charmoso quarto com mezanino e vista para os verdes campos de limões toscanos. "Se você quiser cozinhar, há um mini mercato perto. Você pode encomendar produtos por telefone e eles entregam aqui. Ou pode jantar no nosso restaurante avarandado." Surpreendente.

Surpresa mesmo é descobrir que o preço médio de um quarto no Montegufoni ou em outra das 600 propriedades da Posarelli Villas não é maior que em muitos quartos standards em hotéis dos rumorosos centros turísticos da Toscana - cerca de 200 euros por semana, por pessoa.

"Mas por que eu nunca fiz isso antes?", você pode pensar. Posarelli explica: "As pessoas têm medo de 'ficar por conta própria'. Mas alugar uma casa na Toscana é como alugar uma casa na praia no Brasil. Não é difícil."

Difícil mesmo é decidir se é melhor jantar na "varanda própria" ou na do restaurante...

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Clássicos do Renascimento

Aproveitar as benesses do agriturismo não significa dispensar as atrações que fizeram da Toscana um dos destinos mais cobiçados do globo. Durante sua semana de imersão entre oliveiras e parreirais, reserve tempo para conhecer (ou visitar novamente) Florença, San Gimignano, Siena, Monteriggione...

A começar do clássico, Florença. Mesmo quem não está no centro da Capital do Renascimento pode chegar em menos de uma hora à Piazza Santa Maria Novella. Coração da cidade, o local abriga a quarta maior estação de trem da Itália, o terminal de ônibus e a Basílica que dá nome à praça. Símbolo da arquitetura renascentista, foi concluída em 1470 e é um dos destinos mais visitados do país.

Para concorrer com a Basílica, só mesmo a Galleria degli Uffizi. É neste complexo que está o maior acervo do Renascimento italiano. Perto da Uffizi, na Galleria dell'Accademia, fica o David di Michelangelo. A estátua, símbolo do máximo da potência da República de Florença, permaneceu por mais de 300 anos em frente ao Palazzo Vecchio, na Piazza della Signoria.

Em 1873, a estátua foi transferida para a galeria e hoje uma réplica pode ser apreciada ao ar livre. Ainda que Florença tenha atrações suficientes para vários dias, convém aproveitar as cidades vizinhas. Então, tome a estrada para Siena.

A cidade é mundialmente famosa por sua imensa Piazza del Campo e por abrigar o Palio. A tradicional corrida de cavalos, criada no século 17 em homenagem à Nossa Senhora, ocorre em 2 de julho e 16 de agosto.

Sua próxima escapada deve ser para San Gimignano. Uma das mais preservadas cidades medievais do mundo, ainda ostenta 14 torres, símbolos do poder das famílias da época. Como "nova" atração, está a imperdível Gelateria di Piazza, a pluripremiata sorveteria detentora do título de melhor gelatto do mundo em 2006/07 e 2008/09. Encare a fila que contorna a piazza, onde ainda hoje é possível sentir a atmosfera medieval, para entender o que o sorvete de lá tem de tão especial.

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Saiba mais

Origem do nome: Uma das maiores regiões da Itália em território e habitantes, a população da Toscana é de cerca de 3,6 milhões. Seu nome tem origem antiquíssima e deriva do modo como gregos e latinos chamavam a terra onde os etruscos, em italiano "etruschi", viviam. O termo Etruria se tornou Tuscia e, finalmente, Toscana.

Capital: Localizada no centro da Itália, a capital, Florença, possuiu hoje cerca de 370 mil habitantes e é considerada o berço do Renascimento. Teve sua época áurea, tanto econômica quanto culturalmente, durante o governo dos Médici, do início do século 15 a meados do 18.

Clima: De geografia montanhosa, a Toscana tem clima variado, com média de 16 graus na costa e picos de 40 graus no Interior, chegando a temperaturas negativas no inverno. Tais características fazem da região destino procurado tanto no verão quanto no inverno, quando a neve cobre suas planícies e montanhas de branco.

Filhos Ilustres: Além de Dante Alighieri, a Toscana é berço de Leonardo Da Vinci (Vinci), Nicolau Maquiavel (Florença), Michelangelo Buonarotti (Caprese Michelangelo), Donatello (Florença), Piero della Francesca (Sansepolcro), Caterina di Médici (nasceu em Florença, mas se tornou rainha da França), entre outros.

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Gastronomia

Já que a lógica manda "na Toscana, como os toscanos", não há melhor maneira de se tornar um local que se embrenhar pelos sabores típicos da região. Do famoso Chianti à tradicional bisteca fiorentina, passando pela artesanal panzanella, os sabores toscanos dão água na boca.

Calcada na lógica milenar de que bons e simples ingredientes garantem saborosos pratos, a gastronomia local se baseia na tradição camponesa. Não por acaso, na mesa do toscano não pode faltar pão caseiro (em geral, sem sal, para acompanhar, sem se sobrepor, pratos encorpados como os embutidos, peixes e queijos regionais).

O mesmo pão é reaproveitado dias depois, quando se torna raffermo e vira ingrediente da deliciosa ribollita. Nada mais que uma boa sopa de pão amanhecido com repolho e feijão, é a confort food certa para o inverno toscano.

Outra pedida imperdível, mas para dias mais quentes, é a panzanella. Novamente, o pão é protagonista nesta mistura de pão dormido, pepino, cebola roxa, manjericão, vinagre, sal e, claro, muito azeite.

Por falar em azeite, o extra-virgem toscano merece a etiqueta de "super", assim como os Chianti. Fruto da combinação entre geografia generosa do solo argiloso com a luz na medida certa, o azeite toscano é famoso por seu aroma que equilibra o picante das notas de alcachofra com a suavidade da amêndoa e algo de amargo.

Parece muito para um azeite? Experimente passar um dia aprendendo a ser agricultor e entenda por que os produtos são motivo de orgulho nacional.

Uma boa pedida é passar um dia na L'Arco. Nesta propriedade localizada em Vinci (berço de Leonardo), o carro-chefe são seus ótimos Chianti, mas também é possível acompanhar todos os processos da feitura do azeite com autêntica denominação de origem controlada. (FG)