Aconteceu numa dessas pescarias que eu fiz no Pantanal mato-grossense, e já fazia diversos dias que eu não pegava peixes. Estava ruim mesmo quando chegou um pantaneiro da região e me deu uma dica: "- Por que você não arruma umas iscas de pererecas? Vai ver como melhora a sua pescaria".
Foi o que eu fiz. Comprei meia dúzia das ditas cujas e coloquei em uma lata com água para pescar no dia seguinte. Logo de manhã, ao abrir a porta do rancho, uma surpresa. Dou de cara com uma cobra com umas das pererecas na boca.
Assustado, corri para dentro do rancho e peguei a primeira coisa que estava ao meu alcance, que foi o litro de pinga e joguei na dita cuja. A "cobra" saiu numa disparada. Fui pescar pensando o dia inteiro na cobra, mas a dica do pantaneiro deu certo, pois aquele dia peguei diversos peixes.
Na madrugada do dia seguinte, a surpresa foi dobrada. Ao abrir a porta do rancho, estavam lá diversas cobras, cada uma com uma perereca na boca à espera da pinga para fazer a troca.
Por diversos dias que eu fiquei no Pantanal vieram as cobras com as pererecas para eu fazer a troca. Quando eu voltei, não sei como as cobras se viraram com a falta da pinga. Quem podia confirmar essa história é o Osvaldo, só que ele já partiu para outra pescaria, que descanse em paz.
Florindo Martins é pescador e contador de histórias.