11 de julho de 2026
Esportes

Tênis: Para Medrado, Bauru deve ser exemplo por ser ‘celeiro’

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

A tenista Patrícia Medrado acredita que Bauru poderia ser exemplo do tênis para todo o Brasil pelos jogadores que lançou para o cenário da modalidade. Ela conhece muita gente daqui famosa nas quadras como Celso Sacomandi, Renato Joaquim e Roger Guedes, com quem se encontra em torneios de masters. “O Renato Joaquim vi outro dia na TV. Sabe que faz tempo que não falo com ele”, comenta.

A tenista demonstra gana com o propósito de disseminar o tênis e aposta no trabalho de base com total abnegação. Medrado conta que, quando iniciou a carreira de técnica, percebeu que a formação era fundamental. Ontem e quarta, um grupo de professores de escolas públicas de Bauru teve a mestre tenista Patrícia Medrado como professora. Enquanto se dirigia para a quadra, a professora dos professores comemorou: “Veja lá esse pessoal! Estão me esperando e já jogando. Começamos apenas ontem (anteontem). Isso mostra o interesse pelo esporte. Só que falta o acesso.”

A tenista faz um trabalho de sensibilização com professores de educação física para a utilização do tênis como ferramenta educacional. Ela cita que os valores agregados à pratica do tênis são fundamentais para as crianças, além de fazer bem à saúde. Como esporte individual, o praticante aprende, entre outros valores, a assumir responsabilidades, a conviver mais facilmente com a derrota, a administrar erros e a resolver sozinho os seus problemas, visto que é vetado ao técnico passar orientações durante as partidas.

Medrado cita que o tênis pode quebrar a rotina de aulas de educação física pouco variadas, pela acomodação a esportes já manjados. A tenista cita que, assim como meninos e meninas não começam a jogar futebol com chuteira top de marca, o tênis pode ser praticado com raquetes confeccionadas com materiais variados, como jornal, madeira e plástico, e jogado em quadras adaptadas.

Potencial brasileiro

Ao comentar tênis como esporte competitivo, Medrado alerta para o fato de que o Brasil tem potencial para a modalidade, diferente da condição da Inglaterra que investe sem obter grandes expoentes. Porém, ela percebe no Brasil que as iniciativas se limitam à vontade dos pais em financiar os filhos na carreira. Como exemplo, a tenista cita a condição do baiano Silas Cerqueira, 14 anos, primeiro do ranking 14 anos infanto-juvenil simples, da Confederação Brasileira de Tênis (CBT). Entre as meninas, ela destaca a tenista Beatriz Maia, 13 anos, vitoriosa com a Seleção Brasileira no Campeonato Sul-Americano de Tênis, categoria 14 anos, disputado em Bauru na sequência da Copa Davis. Medrado também considera o alagoano Tiago Fernandes, campeão 2010 do Aberto da Austrália juvenil, um talento promissor.

Ela avalia que o tenista brasileiro é o que demora mais a amadurecer, o que prejudica sua performance em um esporte individual. Medrado lembra que o tricampeão de Roland Garros, o brasileiro Gustavo Kurten, venceu o torneio francês de Grand Slam pela primeira vez em 1996 e só voltou a ganhá-lo em 2000 e 2001. No caso dos argentinos, Medrado ressalta que os vizinhos têm no componente cultural aspectos mais favoráveis. “Eles se acham. O argentino acredita que é o melhor e não desiste. Há brasileiros que fazem isso. Só que todos os argentinos têm uma confiança inabalável”, compara.

Medrado vê com muito otimismo a realização dos Jogos Olímpicos de 2016 pelo Brasil porque entende que chegou o momento do esporte atingir um patamar superior na cultura brasileira e o País dar um efetivo salto. Ela entende que o Brasil não pode deixar de promover eventos de porte, como as Olimpíadas, porque as praças esportivas poderão ser subaproveitadas. “Tivemos um passado que nos condena. Mas estamos mais maduros. Isso terá acompanhamento”, projeta. Medrado cita a mobilização de expoentes do esporte brasileiro unidos na ONG Atletas pela Cidadania, em que ela integra a diretoria juntamente com Ana Moser, Joaquim Cruz, Lars Grael, Hortência e Raí.

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Esporte transformador

“Tudo começa na escola”, sentencia Patrícia Medrado. Sua crença no esporte como transformador de uma realidade a faz persistir com o trabalho de implantar o tênis nas escolas públicas, tarefa que executa na condição de diretora-executiva do Instituto Patrícia Medrado. A trajetória do trabalho junto a escolas públicas começou em 1996 em uma parceria com a Secretaria Municipal de São Paulo.

Em 2004, o trabalho ganhou ainda mais fôlego ao ser implantado em 21 Centros Educacionais Unificados (CEUs), da Capital. Em 2008, Medrado deu uma raquetada ainda mais potente ao participar da criação do primeiro Centro Público em Excelência em Tênis, implantado no Complexo Esportivo do Pacaembu. Seu mais recente projeto esportivo é a estruturação do tênis no tradicional Esporte Clube Banespa.

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Wimbledon: Bellucci vence e encara Soderling

Número 24º do mundo, o brasileiro Thomaz Bellucci teve dificuldades para derrotar o austríaco Martin Fischer, só o 164º, na segunda rodada de Wimbledon. O brasileiro enfrenta agora o sueco Robin Soderling, sexto do mundo e vice-campeão de Roland Garros. Fischer venceu ontem o primeiro set, mas permitiu a reação do brasileiro, que marcou 6/7, 7/6, 7/6 e 6/2.

Em sua melhor campanha no torneio, Bellucci disse que não foi bem ontem. “Realmente foi uma vitória muito importante, principalmente por não ter jogado tão bem. Mas tive força para reagir e vencer”. Contra Soderling, o brasileiro busca seu primeiro triunfo sobre um top ten. Além de Bellucci, o número um do mundo, o espanhol Rafael Nadal também teve dificuldades contra um rival com ranking muito inferior. Ele bateu o holandês Robin Haase (151º) por 5/7, 6/2, 3/6, 6/0 e 6/3.

No feminino, a tenista Maria Sharapova, 17ª do ranking mundial, chegou à terceira rodada de Wimbledon novamente sem sustos, apesar de ter perdido um serviço. Ontem, a russa venceu por 2 sets a 0 (6/1 e 6/4), em 1 hora e 24 minutos, a romena Ioana Raluca Olaru (114ª do mundo). Na próxima rodada, Sharapova irá enfrentar a ganhadora do duelo entre Daniela Hantuchova (Eslováquia) e Barbora Zahlavova Strycova (República Tcheca).