Os jogos da Copa do Mundo de Futebol têm antecipado os finais de semana de muitos torcedores, que transferem o tradicional churrasco de sábado para o meio da semana nos dias das partidas da Seleção Brasileira. É o que mostra levantamento divulgado ontem pelo frigorífico Quatro Marcos. Entre os dias 13 e 15 de junho, horas antes da estreia do Brasil no Mundial contra a Coreia do Norte, a venda de carne cresceu 20% no varejo em relação ao mesmo intervalo do ano passado. No atacado, o resultado foi ainda maior, de 25% em relação ao mesmo período de 2009.
O frigorífico realizou ainda pesquisa com seus clientes e constatou que a alta deve-se realmente aos jogos da seleção. “Os torcedores preferem o churrasco a outras receitas, devido ao número de pessoas reunidas em um mesmo local”, avalia a empresa.
Pesquisa realizada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e divulgada na semana passada indicava que os brasileiros pretendem gastar cerca de R$ 181,00 com a Copa do Mundo. Deste total, o gasto com comida corresponde a 20%, sendo 9% com ingredientes para refeições, 7% com petiscos e guloseimas e 4% com bares e restaurantes. Se a Seleção Brasileira for para a final do mundial, o desembolso deverá subir para R$ 357,00.
“Até agora, em todos os jogos do Brasil eu participei de churrascos. O primeiro foi na minha casa e os outros dois, na casa de amigos. A gente divide os gastos e vamos ficar até o final de julho passando longe da balança”, diz a publicitária Ieda Martins. E falando em carne, o governo brasileiro aguarda o “sim” dos Estados Unidos para retomar a exportação de carne brasileira. As vendas foram suspensas no dia 27 de maio, a pedido do Ministério da Agricultura, como medida preventiva depois que um problema foi detectado em um lote de carne processada pelo JBS.
A resposta é aguardada para o início do próximo mês pelo secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Francisco Jardim. Isso porque a missão que foi aos EUA para discutir a metodologia aplicada no país na análise de carne retorna no dia 30. “Já pedimos a liberação, mas ainda não temos uma resposta”, disse à reportagem.
Exportação
Jardim evitou comentar sobre um possível adiamento da posição americana depois que um segundo problema na exportação de um lote da JBS foi detectado, conforme divulgou um jornal hoje.
“Não recebemos ainda uma informação oficial sobre esse assunto”, disse. Essa também foi a versão da assessoria de imprensa da Pasta, que acrescentou que “medidas cabíveis serão tomadas assim que o Ministério for oficialmente informado” da situação.
Em nota enviada ontem à imprensa, a Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec) salientou que a inconformidade em lotes do produto não significa que toda a carne brasileira exportada para os Estados Unidos está imprópria para o consumo.
“Desde que foi detectado o problema, a Abiec tem trabalhado em estreita parceria com o Ministério da Agricultura para prestar todas as informações necessárias e correlacionadas a esse evento pontual”, trouxe a nota.
“A Abiec está ao lado do Ministério e acredita no sucesso da ação do governo federal.”
O problema dos lotes foi a presença de Ivermectina (substância usada para controle de parasitas) acima do limite estabelecido pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.