O Brasil exibiu clara dificuldade ofensiva ontem, mas contou com a segurança de seu sistema defensivo para brecar Cristiano Ronaldo e segurar o empate por 0 a 0 com Portugal. Sem criatividade para marcar, o Brasil deixou evidente que depende mesmo de Kaká, já que Júlio Baptista pouco criou no estádio Moses Mabhida. Mas, por outro lado, a superioridade de Lúcio no duelo particular com Cristiano Ronaldo dá tranquilidade para a sequência da seleção na Copa do Mundo. Assim, a seleção pentacampeã se contentou com o resultado sem gols, que garantiu a liderança do Grupo G, com sete pontos, enquanto os portugueses se classificaram na segunda posição, com cinco.
O jogo do Brasil nas oitavas de final será realizado na segunda-feira, às 15h30, no estádio Ellis Park, em Johanesburgo, contra os chilenos. O primeiro colocado da chave brasileira terá pela frente, em tese, um caminho mais fácil até a final. No cruzamento brasileiro, até agora, só existe a Holanda como cabeça de chave confirmada - nas quartas de final, Brasil e Holanda se enfrentarão caso passem por seus rivais nas oitavas. Segundo colocado do Grupo G, Portugal poderá ter que enfrentar Alemanha ou Inglaterra ou Argentina se passar pelas oitavas.
A surpresa de ontem foi a entrada de Nilmar na vaga de Robinho no time titular. A comissão técnica disse que o santista foi poupado para evitar cansaço na fase eliminatória, mas o jogador alegou ter sentido incômodo na coxa. Outras mudanças, já conhecidas desde o último treino, foram as entradas de Júlio Baptista no lugar do suspenso Kaká e de Daniel Alves na vaga de Elano, machucado.
O jogo começou movimentado e com o Brasil mais ofensivo que o rival, que procurava explorar contra-ataques, sobretudo com Cristiano Ronaldo. O camisa 7 português mudou sua posição em relação aos outros jogos e atuou mais próximo à zaga adversária. O Brasil tocava muito a bola para tentar achar espaços. Paciente, o time de Dunga criou a melhor chance do primeiro tempo aos 30min. Luis Fabiano dominou na esquerda, parou, olhou e inverteu a jogada para Nilmar, que ganhou da zaga na corrida e chutou. Eduardo fez ótima defesa, e a bola ainda bateu na trave.
A equipe brasileira também apostava pelo alto e quase marcou com Luis Fabiano, aos 33min, ganhando da zaga de cabeça e testando próximo à trave direita do goleiro português. O primeiro tempo foi nervoso, com entradas mais fortes e provocações de lado a lado. Houve a distribuição de sete cartões amarelos. Após se estranhar com o brasileiro naturalizado português Pepe por três vezes e ser advertido, Felipe Melo foi substituído por Josué, aos 42min.
A segunda etapa começou nervosa, e o Brasil apresentava um jogo burocrático e sem qualquer criatividade, principalmente no meio-campo. A equipe quase sofreu um gol aos 15min. Cristiano Ronaldo puxou contra-ataque da direita e cruzou, Raul Meireles apareceu livre na segunda trave, mas Julio César defendeu o chute do português. Depois disso, os dois times diminuíram o ritmo - o empate dava a classificação para as duas equipes- e o 0 a 0 se manteve até o final da partida.
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Brasil só pega Espanha, Alemanha, Argentina ou a Inglaterra na final
O primeiro lugar do Grupo G deu ao Brasil um caminho teoricamente mais fácil até a final da Copa do Mundo. A chave brasileira prevê partidas contra alguns rivais de pouca tradição até as semifinais e o cruzamento com as campeãs mundiais Argentina, Alemanha ou Inglaterra, além da Espanha, somente na decisão.
Além de enfrentar o Chile nas oitavas, na próxima segunda-feira, em Johannesburgo, os brasileiros teriam seu confronto mais difícil antes da final nas quartas, contra a Holanda. Historicamente, porém, os europeus têm retrospecto negativo contra o Brasil em Copas. Os holandeses bateram os brasileiros em 1974, mas caíram nos dois últimos confrontos. Em 1994, nas quartas, após um 3 a 2, e em 1998, nas semifinais, foram derrotados nos pênaltis.
Se chegarem até as semifinais, os brasileiros enfrentarão Uruguai, EUA, Gana ou Coreia do Sul. Somente o primeiro, bicampeão, tem tradição em Copas do Mundo.
O caminho brasileiro, porém, não empolga o técnico Dunga. Na visão dele, equipes tradicionais já não fazem mais diferença no Mundial. “A gente brinca que o futebol é uma caixinha de surpresas e hoje não tem surpresa. Os melhores estão aqui, o futebol está globalizado”, afirmou ele, ao comentar as eliminações de França e Itália, a atual campeã mundial, ainda na primeira fase.
“Nós, que vivemos no futebol, temos que deixar de lado esse negócio de tradição. Já foi a época em que o time olhava para o lado, via o time de tradição e corria. Hoje todo treinador vai fazer curso fora, na Europa, tem os mesmos treinamentos e as mesmas informações. Os times de tradição têm que abrir os olhos”, prega Dunga.
Segundo o treinador brasileiro, o Mundial sul-africano se caracteriza pela “organização tática” das equipes. Por essa razão, avalia Dunga, os times têm tido pouco espaço para trabalhar a bola e construir jogadas. Ele tem repetido que, nesta Copa, se aparecer uma chance de gol, ela deve ser aproveitada. “Porque não haverá muitas.”