11 de julho de 2026
Esportes

Copa 2010: Para torcedores, o resultado valeu pela liderança do grupo

Por Wagner Teodoro | Com Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 7 min

O 0 a 0 entre Brasil e Portugal deixou a, antes, empolgada e confiante torcida bauruense desconfiada e insatisfeita com o desempenho da Seleção Brasileira. Para os torcedores, restou o consolo do time verde-amarelo ter cumprido seu objetivo e terminado na liderança do grupo G da Copa do Mundo da África do Sul.

Momentos antes do jogo, no Comprando, Thyssie Ortolani Rioli aguardava pelo início do duelo ao lado das amigas. Animadas, a expectativa era por uma vitória do Brasil, mesmo que apertada. “No bolão, eu botei 2 a 1. Acho que vai ser um jogo bem difícil, ainda mais com a ausência do Kaká. Mas vai dar Brasil”, analisou Rioli. A torcedora ainda revelou que iria “secar” a Espanha e apostava no Chile como adversário brasileiro nas oitavas-de-final.

Elifas Almeida também acompanhou o jogo no Comprando. O torcedor fez três previsões para a partida. “Vai ser 2 a 0 para o Brasil. O jogo vai ser meio complicado, mas acredito em uma vitória. Vamos passar em primeiro lugar no grupo”, mandou. Almeida acertou duas: o jogo realmente foi complicado e a Seleção Brasileira manteve o primeiro posto no grupo. Ficou devendo o placar, mas este quesito nenhum dos entrevistados conseguiu cravar.

O primeiro tempo sem gols, com duas boas chances para o Brasil em lances de Nilmar e Luís Fabiano, deixou os torcedores na esperança de que a conversa no intervalo encontrasse solução para furar a barreira defensiva de Portugal, que se defendia com nove jogadores atrás da linha da bola e deixava apenas Cristiano Ronaldo mais adiantado.

“O Dunga tem acertado o time no segundo tempo, nos outros dois jogos foi assim. Ele deu uma puxada de orelha neles. Neste primeiro tempo foi quase, chegamos duas vezes bem perto (com Nilmar e Luís Fabiano). Vamos ver neste segundo tempo, vai sair um ou dois gols no segundo tempo”, apostou Felipe Modenese, que acompanhou o confronto no Alameda Quality Center.

O torcedor lembrou da relação histórica entre os países para comentar as jogadas violentas do primeiro tempo, cheio de cartões amarelos. “Tem uma certa rixa, colônia x metrópole. Os caras querem mostrar que eles também podem no futebol e querem ganhar da gente de qualquer jeito. Isso dá uma esquentada no jogo”, apontou Modenese.

Restavam 45 minutos para o Brasil atender os desejos dos torcedores e arrancar sua terceira vitória na África. Porém, veio a segunda etapa e a partida esfriou, esfriou até demais. Poucas chances de gols e ânimos controlados, o placar permaneceu inalterado até o final. O desfecho desagradou a torcida.

“Achei que tinha que ser um jogo melhor. Não estava valendo nada e tinha que ter motivação para fazer gols. Um 3 a 3, 4 a 4 seria muito mais bonito”, declarou Luiz Ramalho, também no Alameda. O torcedor também criticou o treinador brasileiro. “O Dunga deveria ter posto o Ramires desde o começo, mas optou pelo Júlio Baptista, que é lento. O lateral-esquerdo (Michel Bastos) deve ser parente do Dunga, ele não faz nada e não sai do time”, ironizou.

Jaime Domingos Garcia detonou a Seleção. “Horrível. Um time sem criatividade, dá até vergonha dizer que é uma seleção. Jogadores do potencial deles jogarem tão mal, não conseguirem tocar. É claro que sentiram as ausências do Robinho, Kaká e Elano, mas isso não explica. São 22 jogadores e três fizeram falta. Estou decepcionado, não estou confiante”, admitiu o torcedor.

Tiago de Souza lamentou a falta de criação no Brasil e também disparou contra Dunga. “Tirou o Kaká e o Robinho, o time não tem criatividade. O Dunga mexeu errado colocando o Ramires, o Grafite. Deveria ter colocado o Robinho para dar criatividade ao meio-campo”, considerou. Já Rodolfo Milhan reclamou da postura acomodada da Seleção. “Não gostei. Acho que poderia ter sido mais ofensivo. Se tivesse entrado o Robinho e colocado o Nilmar mais para frente, poderia ter sido um jogo mais dinâmico”, declarou.

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Confiança e otimismo no BTC e Dolce

O clima que antecedeu a partida do Brasil diante de Portugal marcou pela euforia e otimismo entre os torcedores bauruenses. Confiantes após a boa exibição contra a Costa do Marfim – vitória por 3 a 1 –, a expectativa era pela manutenção dos 100% de aproveitamento, com uma vitória sobre os lusitanos. As expectativas de vitória acabaram frustradas com o 0 a 0. Mas a confiança em ser o primeiro do grupo G foi confirmada. O Brasil chegou aos sete pontos, contra quatro de Portugal e dos marfinenses. A Coreia do Norte se despede sem pontos.

“Acredito que hoje (ontem) dá 2 a 0 para o Brasil. O Brasil está tendo uma boa performance”, previu Marcelo Luiz Carbonieri, no BTC. Ao seu lado, sua esposa, Cláudia Carbonieri, também estava animada para o duelo. “Vai ser 3 a 1 para o Brasil. Estou colocando fé no Brasil”, declarou. A torcedora não se deixou abater nem mesmo quando lembrada de que a Seleção jogaria desfalcada. “A ausência do Kaká e do Elano vão ser sentidas, mas acredito no Brasil”, reiterou.

Ainda no BTC, William Pimentel era mais otimista e acreditava em uma goleada verde-amarela. “Vamos meter 4 a 1 em Portugal”, cravou. Pimentel ainda aproveitou para provocar os lusos. “Portugal é fraco. Já ganhamos de 6 a 2 e vamos fazer 4 a 1 agora”, brincou. Porém, em matéria de otimismo, ninguém superou Rafael Dias, que acompanhou a partida na boate Dolce. “Estou bem otimista, acho que vai ser uns 6 a 0”, esbanjou confiança. O torcedor justificou sua expectativa. “Já joguei futebol em Portugal e o futebol ainda deles ainda é bem inferior ao nosso”, analisou. Dias ainda analisou o desfalque de Kaká, principal jogador do Brasil. “É uma grande perda, mas o Júlio Baptista vai substituí-lo quase à altura”, apostou.

Também na Dolce, Jéssica Fournier era mais comedida em relação ao placar da partida, mas apostava nos 100% do Brasil. “Vai ser 3 a 1 para o Brasil, apesar de Portugal estar jogando bem”, observou. A torcedora não acreditava na possibilidade de um jogo de “compadres”, já que Portugal tinha saldo de sete gols e poderia avançar mesmo terminando com os mesmos pontos da Costa do Marfim, o que acabou ocorrendo. “O Brasil não vai deixar esta para Portugal, vai entrar para ganhar”, projetou. Os desfalques do Brasil, principalmente de Kaká, foram minimizados por Fournier. “O Kaká não é tudo no jogo e tem muitos jogadores bons para substituí-lo”, argumentou.

Já Vivian Zilho acreditava no Brasil, previa um jogo equilibrado e lembrava da qualidade de Portugal. “Vai ser uns 3 a 2. Portugal está jogando muito bem e ganhou de 7. Mas prevalece o Brasil, que passa em primeiro”, apontou. A torcedora já projetou o adversário nas oitavas-de-final. “Acho que o Brasil vai enfrentar o Chile”, previu.

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Getúlio teve

comemoração discreta

A bola da Copa foi desenhada para dificultar a vida dos goleiros. Porém, os jogadores de Brasil e Portugal não aproveitaram o efeito Jabulani e protagonizaram um 0 a 0 ontem que não impediu que as pessoas fossem mostrar descontração na avenida Getúlio Vargas.

Pequenos grupos transitavam na passarela após o jogo vestidos para festejar, porém sem ter muito o que comemorar. A comemoração foi discreta menos pelo empate e mais pela baixa produção das duas equipes. Na quadra 9, Vitor Salgueiro comemorava em grupo enrolado a uma bandeira do Brasil. Ele disse que a festa era válida mesmo com o 0 a 0. A graça do grupo era acionar uma corneta turbinada movida a ar. O som inibia a tentativa de conversa com seu operador. Passava alguém a pé ou de carro e ele disparava o mecanismo acionando o som que faz estremecer o tímpano.

Salgueiro conseguiu apenas comentar ao JC que foi um consolo o jogo ser disputado. Porém, espera muito mais da Seleção Brasileira nas oitavas-de-final. A expectativa, agora, é recuperar na segunda-feira com vitória e festa empolgada.