Bariri – A ‘novela’ em que se transformou a permanência de Benedito Senafonde Mazotti (PSDB) na prefeitura de Bariri (56 quilômetros de Bauru) adquiriu novos contornos. Pela quarta vez, o Tribunal de Justiça (TJ) determinou novamente o afastamento dele do cargo ao revogar liminar concedida no último dia 2 que o reconduziu ao posto de chefe do Executivo.
Mazotti é réu em ação civil pública juntamente com quatro membros do governo, além de dois sócios de farmácia da cidade, em suposta licitação fraudulenta que teria resultado, segundo o Ministério Público, em prejuízos de R$ 176,9 mil aos cofres públicos.
O desembargador Gonzaga Franceschini, relator do agravo de instrumento (espécie de recurso), revogou a liminar motivada por erros de procedimento na instrução do pedido. Até ontem o prefeito não tinha sido notificado pela Justiça, mas deve ocorrer até a segunda-feira, quando assumirá a prefeitura o vice Rubens Pereira dos Santos (PTB).
Procurado pelo JC, Mazzoti se disse surpreso com a cassação da liminar e vai recorrer possivelmente com novo agravo de instrumento.
Na avaliação do prefeito, apesar do clima de instabilidade que provoca ao município os constantes pedidos de afastamentos, programas de governo não estão sendo prejudicados pelas constantes trocas de comando. “Já cumprimos três afastamentos. Esse vai ser o quarto. Evidente que o vice-prefeito tem me substituído de forma bastante atuante, mantido os programas de governo”, afirma.
O prefeito admite que a população pode ter a falsa sensação de que a cidade está parada. “Evidente que algumas coisas sempre atrasam um pouco. Alguma coisa que pretendia começar, a gente segura mais um pouco”, pontua.
Mazotti foi afastado do cargo a primeira vez em 20 de maio do ano passado pela juíza Carina Lucheta Carrara devido a ação civil pública que o acusa de envolvimento no desvio de medicamentos do setor de Saúde. Ele foi acusado de suposta coação de testemunhas e impor obstáculos à apuração dos fatos.
O prefeito recorreu em 28 de maio do mesmo ano e voltou ao cargo. Em 1 março deste ano, a 5ª Câmara de Direito Público do TJ cassou a liminar que mantinha os réus nos cargos e determinou que fossem novamente afastados. Em 9 de abril, chegou ao fim a instrução processual e os réus foram reconduzidos às suas funções. O terceiro afastamento ocorreu em 12 de maio, motivado pela ação civil que apura fraude em licitações.