09 de julho de 2026
Articulistas

Uma Copa de mediocridades

Carlos Pinto
| Tempo de leitura: 3 min

De há muito que a Copa do Mundo de Futebol virou uma vitrine para venda de produtos ligados a esse esporte, incluindo nessa feira os próprios jogadores da várias equipes selecionadas para esta fase final. O futebol arte, o futebol espetáculo, esse foi banido da face da terra em nome do futebol de resultados. Quem perde dentro dessa tonica é o próprio esporte. Nesta fase inicial da Copa que ora se disputa na África do Sul, pouco se salvou. Excetuando as apresentações da Argentina e um dos jogos da Alemanha, o resto pode ser visto em qualquer rachão desses que acontecem nas praias de Santos. Estes últimos, até com mais qualidade.

Com relação à seleção brasileira, que aos trancos e barrancos passou para as oitavas de final, muito tem que ser esclarecido. O técnico Dunga tem sido acossado pela imprensa brasileira, notadamente por um grupo de comunicação que se acha o dono da verdade, e que por vezes se conduz de forma arrogante, corre os riscos de sua conduta em afrontar o referido grupo comunicador. Neste particular acho que o Dunga tem se portado com muita personalidade, e demonstrado que não é boneco para ser manipulado por esse tipo de gente.

Nada tenho contra a forma como conduz e dirige a seleção brasileira. O que me deixa inquieto, são certos jogadores por ele selecionados, que sequer são titulares nos clubes onde atuam. Casos específicos de Doni, e Julio Batista. O primeiro é o terceiro goleiro do clube onde atua, e o mais grave, é que o goleiro titular desse clube é brasileiro, e sequer foi lembrado. Julio Batista também está na reserva de seu clube, e Felipe Melo e Michel Bastos, são caricaturas diante dos atletas que já ocuparam suas posições no elenco.

No entanto jogadores de talento ficaram no Brasil. É o caso de Roberto Carlos, que apesar da idade joga mil vezes mais que o Michel Bastos, e impõe respeito aos adversários. Paulo Henrique Ganso e Neymar, com certeza produziriam mais que Julio Batista e Grafite. Alias sobre este último e Josué, convocados por Dunga, corre uma estória interessante pelos butecos da vida. Como são jogadores do clube da Volkswagen na Alemanha, e esta multinacional é uma das maiores patrocinadores da nossa seleção nesta Copa do Mundo, teriam sido empurrados pela goela do Dunga pela CBF. Verdade ou mentira, suposição ou fofoca, o fato é que a versão existe.

Mas como as pedras estão no tabuleiro, e não há mais tempo para mudanças, temos que acreditar na personalidade, no profissionalismo e acima de tudo, no caráter e no patriotismo demonstrado até então pelo nosso técnico. Só o fato de não ceder aos mandamentos desse grupo de comunicação, ávido por entrevistas exclusivas, já é uma vitória da dignidade sobre a soberba. Uma grande razão para que Dunga alivie a nossa auto-estima e nos traga mais um título de campeão mundial. E que junto com ele, possa a nossa gente tornar-se patriota o ano inteiro, e não apenas quando se disputam esses torneios, hoje de conotação futebolística duvidosa, mas de forte apelo comercial.

O autor, Carlos Pinto, jornalista