A taxa Selic* está de acordo? Você acompanhou e discutiu na mesa de bar sobre os reflexos da última reunião do Copom**? Está atento às oscilações do atual pregão da Bolsa de Chicago? Se a resposta é “não”, relaxe. Você está dentro da maioria absoluta que, mesmo alheia aos complexos e cifrados índices macroeconômicos, não deixa de exercer papel, direto ou indireto, no sobe e desce das cotações no noticiário do dia .
Contudo, não é necessário ter o know how de um Joelmir Betting, Luis Nassif, Carlos Sette ou Reinaldo Cafeo, que habitualmente destrincham de olhos fechados o vaivém de cotações, para colocar em prática medidas econômicas eficazes. Apesar de simples, a racionalidade econômica “leiga” desemboca em benefícios medidos na ponta do lápis e, principalmente, no extrato bancário.
Habilidade no gerenciamento das cifras, porém, não implica necessariamente em encarnar a face humana do Tio Patinhas, guardar dinheiro embaixo do colchão ou tomar banho gelado numa noite de inverno, para não gastar eletricidade. O maior macete, ensinam especialistas, é, no português mais claro, gastar direito ou até mesmo ganhar dinheiro, transformando despesa em investimento.
É o que fez o policial militar Jorge Santos, que em um mês reduziu o valor na fatura de energia elétrica pela metade, ao trocar o chuveiro elétrico por um dispositivo com água aquecida por energia solar. Ele conta ter investido R$ 1.600,00 no equipamento, entretanto, já recuperou a quantia gasta com a conta mensal mais amena.
Conta menor
Com a sobra, acrescenta Santos, foi possível investir em ainda mais economia para o lar. O dinheiro guardado com a menor conta de luz foi investido em novos eletrodomésticos. O resultado, orgulha-se o policial, foi nova redução na conta.
“Em um mês, consegui uma redução de R$ 300,00”, contabiliza. “Troquei geladeira e televisão, que também tinham consumo alto, por aparelhos mais novos, que puxam menos energia”, detalha. O passo seguinte foi a substituição total das lâmpadas da casa. Ele conta ter retirado os antigos dispositivos incandescentes, com maior consumo e menor desempenho, pelas modernas lâmpadas fluorescentes, que iluminam mais com menos energia, apesar de mais caras.
Enquanto as antigas lâmpadas convencionais - cujos fabricantes nacionais já começam a fechar portas - custam em média R$ 4,00, uma luminária fluorescente - a maioria produzida na China - não é encontrada por menos de R$ 11,00. Mesmo assim, considera Santos, o gasto maior tem o peso de investimento. “A economia de energia compensa o gasto.”
Medidas assim são valorizadas por experts. “Energia elétrica é muito cara e pesa demais no orçamento”, enfatiza Salete Lara, professora na disciplina análise do pensamento econômico, do curso de economia da Instituição Toledo de Ensino (ITE).
Segundo ela, um comportamento econômico racional implica, justamente, na otimização dos recursos, com o aproveitamento total do que o dinheiro pode proporcionar. “A racionalidade econômica faz com que uma pessoa consuma o que for realmente necessário naquele momento, procurando os melhores preços, sem desperdício”, define, ao diferenciar o consumo consciente dos chamados sovinas. “Quem cria o ‘escorpião no bolso’ não quer gastar nem com o necessário. Só consome quando não há outra opção”, compara.
(*Selic: Índice que rege as taxas de juros cobradas no País; **Copom: Conselho de Política Monetária)
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Controle
Pão-duro, mão-de-vaca, sovina, munheca. Não faltam adjetivos para os poupadores xiitas e sobra apelido até mesmo pra quem apenas diz controlar os gastos. É assim com o desenhista aposentado José Francisco de Paula Melo, o “Kiko”. Apesar das brincadeiras, ele diz que apenas usa o dinheiro de forma racional.
“Gasto com aquilo que é interessante”, defende-se. “Moro somente com meu filho. Não vou ao mercado comprar uma dúzia de laranjas para depois estragarem. Busco somente o necessário”, exemplifica.
“Penso em tudo antes de gastar”, argumenta Kiko, que se diz uma pessoa flexível até mesmo para despesas além do estritamente necessário. “Ao invés de dar gorjetas de R$ 2,00, dou de R$ 0,50”, ilustra.
Ele conta que junta as moedas durante o ano todo para, em dezembro, presentear os filhos. Desta forma, orgulha-se, já chegou a juntar cerca de R$ 200,00. “Guardo as moedas de 50 centavos e 1 real. Em separado, junto as de menor valor para gastar no dia a dia”, detalha. “De grão em grão a formiga constrói seu castelo”, ensina.
Mas nem sempre foi assim, recorda. Na mocidade, Melo admite que dificilmente abria a munheca, nem quando saía com os amigos. “Uma vez, quando resolvi pagar a cerveja, tirei uma nota de dez cruzeiros do bolso. O comerciante não aceitou, o dinheiro já havia mudado e minha cédula já não valia mais nada”, lembra, bem humorado, do episódio ocorrido nos anos 1970.
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Educação financeira pode se tornar matéria escolar
Tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que inclui a educação financeira nos currículos dos ensinos fundamental e médio. A proposta, de autoria do deputado Lobbe Neto (PSDB-SP), já foi aprovada na Câmara e agora aguarda apreciação do Senado, onde atualmente é discutido se o tema se tornará disciplina autônoma ou parte do conteúdo de outras matérias.
Educadores aprovam a iniciativa (a íntegra do projeto de lei pode ser lida na página da Internet: http://www.camara.gov.br/internet/sileg/Prop_Detalhe. asp?id=250412). Em Bauru, apesar da educação econômica ainda não ser obrigatória, alguns estabelecimentos de ensino já adotam a prática.
No colégio Uniesp/Fênix, os estudantes recebem noções de economia dentro das aulas de empreendedorismo, ministradas pelo professor Sérgio Luiz Silva de Souza.
“Passamos desde noções primárias sobre como funciona a economia e como está presente na vida das pessoas até a definição de aplicações”, resume o professor, favorável à aprovação da lei.