08 de julho de 2026
Regional

Jaú tem um ‘acervo’ de mais de 400 prédios

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Os 451 prédios considerados históricos em Jaú (47 quilômetros de Bauru) são protegidos por lei e foram inventariados pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural de Jahu (Conppac). Duas escolas, a Major Prado e a Dr. Pádua Salles, estão tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Artístico Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat).

A estação rodoviária está em processo de tombamento, segundo o arquiteto do Departamento de Patrimônio Histórico da cidade, Ricardo Dal’ Bó. “É uma obra do arquiteto João Batista Vilanova Artigas, uma arquitetura Brutalista Paulista.”

A escola Dr. Pádua Salles foi inaugurada em 1902, período do movimento eclético. A Major Prado faz parte das escolas padrões, política adotada à época. “Os projetos foram disseminados em várias regiões do Estado, para cada modelo arquitetônico de escola. Eram vários, o primeiro que era construído em determinada cidade levava o nome do projeto. No caso da escola Major Prado ela leva o nome de Guaratinguetá, porque naquela cidade tem uma escola exatamente igual que foi construída primeiro, ambas são estilo eclético.”

Já os palacetes dos barões do café são conservados pelos proprietários que, desde 1999, contam com um benefício da prefeitura, segundo o arquiteto. “O munícipe tem 50% de desconto no pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), se o imóvel estiver em bom estado. A lei é clara tem que ter a conservação, preservação. Bom estado é sinônimo de boa estrutura, a estética sem alterações, tem que ter pelo menos um número significativo de ornamentos e não pode perder a característica original.”

Por conta da consideração que os moradores têm com a história da cidade e com o benefícios, há muitos prédios históricos. “Tem a casa do primeiro prefeito, Edgard Ferraz. Algumas casas onde moraram figuras ilustres da cidade. O imóvel mais antigo foi construído antes da década de 80. Tem foto datada de 1888. Existe, mas está mal conservado. Estruturalmente, ele está bem, não tem rachadura. Está sem manutenção há vários anos.”

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Falta de política de preservação prejudica imóveis que contam a história

A falta de uma política mais agressiva para preservação de imóveis históricos é um problema enfrentado por várias cidades da região. Dois Córregos (73 quilômetros de Bauru) não foge à regra. Não tem uma lei municipal de incentivo à conservação. Não há um levantamento oficial de quantos imóveis estão preservados.

A conservação depende só e unicamente dos proprietários, segundo membro do Comtur Roque Paulucci. Para ele, os palacetes poderiam ser usados como atrativos turísticos, porém o turismo no município é ainda muito modesto.

“O turismo é pouco explorado. Temos o produto e não sabemos explorar. Temos casarões na área urbana e nas fazendas que poderiam render dividendos turísticos.”

Paulucci frisa que alguns desses imóveis ainda são usados como moradia. A maioria foi construída no início do século quando o café estava em alta na Bolsa de Valores. “Há proprietários que moram em São Paulo, e mantêm imóveis históricos na cidade.”