08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Absurdos do cotidiano


| Tempo de leitura: 2 min

Vinte e cinco anos atrás, quando nem asfalto tinha nas ruas dos Altos da Cidade, preocupei-me com a arborização das ruas e plantei árvores em volta do meu terreno e da minha casa, achando que esse cuidado era uma necessidade e uma iniciativa que cada um deveria tomar.

Hoje, no auge da crise ambiental e do aquecimento global do Planeta, essa necessidade passou até a fazer parte, em grande maioria, das agendas políticas, e parece estranho quem não tem esta visão.

Alguns anos atrás, em 1998, tomei a iniciativa de podar as “minhas” árvores, provavelmente orientada por um profissional incompetente que, tecnicamente, não fez um bom trabalho, operando um corte severo nas mesmas. Mesmo assim, estas se recuperaram e cresceram novamente, fazendo todos se beneficiarem da sua sombra generosa.

Portanto, foi com surpresa e indignação que recebi uma multa por parte desta Secretaria do Meio Ambiente por motivo de “poda drástica” em árvores fazendo parte do patrimônio público.

Ora, não somente as árvores tivessem já recuperado uma copa avantajada, não justificando mais a qualificação de poda drástica, mas também as mesmas tinham mudado de dono, tornando-se “patrimônio público” e passando eu a ser passível de multa por ter plantado e estar cuidando das “minhas” árvores!

Essa minha revolta me conduziu a ignorar a multa, e deixar de pagá-la, multa que foi aumentando ao ritmo da taxa Selic, da inflação, da cotação do dólar e da mudança de administrações municipais que não deixaram de querer explorar alguma rendinha, por mais suspeita e injustificável que seja.

Certamente errei ao ignorar a multa e não entrar com recurso na Justiça na época, mas acabei pagando, depois, uma quantia absurdamente alta por uma suposta ‘culpa’ extremamente injustificada.

Mas o cúmulo da absurdez vem à tona agora, quando estou intimada a cortar as ‘minhas’ árvores que já passaram a não ser mais minhas, mas que voltam a sê-lo quando se trata de pagar para eliminá-las!

Considerando que a decisão vem, unilateralmente, da vossa Secretaria, portanto da Prefeitura de Bauru, acho um tanto leviano obrigar o cidadão contribuinte a cair na mão de espertos “cortadores de árvores” que cobram absurdos (até talvez seja justificável em termos de serviço, mas continua um absurdo para o morador tendo que se submeter a uma decisão arbitrária da vossa parte) e a arcar com uma despesa que, afinal, é uma despesa que visa um benefício público (sem dúvida já que partindo do órgão municipal).

Portanto, seria justo, como mínimo, de oferecer uma ‘contrapartida’ pública nos casos desta natureza, a prefeitura disponibilizando uma equipe especializada em corte de árvores para tal finalidade, cobrando pelo serviço uma taxa ‘pública’. Afinal, pagamos impostos e parece justo receber, em retorno, algum ‘benefício’, mesmo que já desacreditada em qualquer manifestação de bem estar nesta cidade!

Leila Tebet - empresária