08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

TOQUE DE RECOLHER


| Tempo de leitura: 3 min

Muito se tem debatido e discutido sobre o tema “toque de recolher”, assunto relacionado a adolescentes que, abusivamente, vêm praticando atos que acarretam desassossego na população e desgastes nas autoridades incumbidas da manutenção da ordem pública, dentre outras como as ligadas também à fiscalização da lei (Ministério Público) e aplicação da lei (Poder Judiciário).

Imbuído dos melhores propósitos, atua na cidade um grupo de trabalho constituído de policiais e civis que, apoiados pelo meritíssimo juiz de direito da Infância e Juventude, dr. Ubirajara Maintinguer, doam-se com pertinácia no sentido de se atenderem os objetivos da melhor forma, não simplesmente reprimindo ou coibindo, mas para desmotivar certos adolescentes que rotineiramente praticam atos que, muitas das vezes, podem ser capitulados contravencional ou criminalmente.

Procedendo dessa maneira, há de se convir, que a denominação de “toque de recolher” é imprópria para seus trabalhos, como vem sendo empregada. Estou certo de que não é esta a denominação dada pelo grupo, com relação aos seus trabalhos, considerando que toque de recolher evidencia nitidamente operação de caráter militar e contraria frontalmente os objetivos almejados, consoante podemos antever nos pronunciamentos ocorridos em suas reuniões que nos chegam através da imprensa.

A bem da verdade, a denominação adotada pelo grupo, segundo estou informado não é a de toque de recolher, que nos poderia dar a conotação de uma verdadeira praça de guerra, onde nos deparamos com um soldado (corneteiro) montado num jeep que vai tocando corneta, um camburão atrás apreendendo menores de ambos os sexos que, numa desenfreada correria, vão lançando fora e para longe latinhas de cerveja, drogas às vezes também, bares fechando rapidamente as portas, proprietários presos e encaminhados à delegacia de polícia, mães apavoradas a procura dos entes queridos que não aparecem.

Verdadeiramente falando, estou informado de que o trabalho está sendo objeto de uma estruturação tal e precedido de ampla divulgação no sentido de que a comunidade venha também a aderir e sentir que aquilo que se busca é o melhor, principalmente no que tange ao futuro dos adolescentes, futuros cidadãos e cidadãs empenhados também na prestação de relevantes serviços à sociedade.

Sobre o assunto em tela, tive a oportunidade de assistir recentemente a uma entrevista havida na Rede Vida de Televisão, concedida pelo exmo. sr. dr. Evandro Pelarin, juiz de direito da comarca de Fernandópolis (SP). Segundo sua excelência, está ele a frente de um trabalho que vem sendo desenvolvido há cinco anos.

Tal tarefa, como sempre só acontecer, de início encontrou uma certa resistência e rejeição por parte da comunidade. Todavia, dada a perseverança e o devotamento na causa, os frutos vêm sendo colhidos, ano após ano, sempre num crescendo, de tal sorte que se granjeou o respeito e o apoio da população, especialmente das famílias que veem no trabalho benefícios futuramente para seus filhos e filhas.

Tais objetivos também constituem a meta para ser alcançada em Bauru. Assim sendo, o trabalho que está sendo realizado é de cunho eminentemente educativo, e não repressivo. Finalizando, somente nos resta, então, a todos apoiar, apoiar, colaborar, colaborar.

Alcibiades Sebastião Motta - coronel reformado da Polícia Militar