08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Agendamento de consulta


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Fui convidada a participar de uma reunião com o Conselho Gestor da Unidade de Saúde do Jardim Europa, realizada no dia 24/06, às 14h30, lá mesmo, na sede do posto de saúde. Como moro há bem pouco tempo em Bauru – venho de Belo Horizonte há menos de um ano - resolvi, mesmo num horário bastante impróprio, ver de perto como funciona o serviço de saúde prestado por aquela unidade. Devido ao horário e falta de divulgação, não havia mais do que 15 pessoas presentes na reunião.

Dois assuntos estavam em pauta: 1 - a próxima eleição do Conselho Gestor, que deverá acontecer no próximo mês de julho; 2 – a forma de agendamento de consultas. A diretora do posto de saúde, que dirigia a reunião, informou que o primeiro item quem decidiria eram os membros do Conselho; só os conselheiros poderiam votar. O segundo item também era de incumbência do Conselho, mas estava sendo aberto para que as pessoas que não fazem parte do Conselho também pudessem votar. Ora, se é incumbência do Conselho, por que então convidaram apenas algumas pessoas de fora para participar? Se estava aberta à participação de toda a comunidade, por que então não foi divulgada para toda a comunidade? Talvez devido ao local impróprio onde foi realizada a reunião – na sala de espera do posto, onde mal cabia as 15 pessoas presentes; eu por exemplo, fiquei em pé. Algumas pessoas questionaram a falta de divulgação e o horário da reunião. Por isso não se decidiu nada; adiou-se para mais alguns dias.

Pelo que ouvi da diretora que comandava a reunião, o Conselho Gestor é formado por seis membros, sendo três representantes da Unidade de Saúde e três representantes dos usuários. Mas o que me deixou deveras indignada foi o fato de que dois representantes dos usuários presentes, mesmo com a votação adiada, insistiam em defender que o agendamento de consulta deva obedecer ao critério das filas, ou seja, a pessoa tem que levantar de madrugada, ficar na fila para pegar uma senha para depois agendar a consulta. E tem mais, o fato de ficar na fila não garante a senha a todos. Assim, alguém corre o risco de ficar a madrugada inteira, passando frio, tomando chuva, perdendo horário de trabalho e voltar sem agendar consulta. Gente, isso é um absurdo, ridículo, desumano, total falta de respeito com as pessoas.

Pelo pouco que sei e pelo que ouvi de algumas pessoas presentes, todos temos direito de ir ao posto de saúde e agendar consulta sem ter que ficar na fila. Pelo menos é assim que funciona em cidades bem administradas. Cadê a administração dessa cidade? Está evidente que este tipo de agendamento – filas – e marcação de todos os agendados no mesmo horário – se o médico atente oito por dia, os oito tem que estar lá as 7h – interessa a uma única categoria: os médicos. Assim, eles atendem todos correndo e vão embora sem cumprir a carga horária determinada. Essa foi umas das reclamações que ouvi por lá.

Entre as pessoas que defendiam que as consultas devam ser agendadas em qualquer horário, que o usuário tem o direito de marcar consulta sem ter que enfrentar filas, havia um senhor que me pareceu bem esclarecido quanto aos direitos dos usuários, e foi ofendido por pelo menos duas mulheres que o acusou de estar ali querendo aparecer e procurando um jeito de subir na vida. Que absurdo!

Bem, depois que tudo terminou, fui informada de quem se tratava o referido senhor que defendia o fim das filas. Disseram-me o nome dele, suas atividades e sua participação na sociedade bauruense, mas como não o conheço, não falei com ele, não vou citar aqui o seu nome, apenas quero parabenizá-lo.

Para terminar, quero convocar a todos os usuários do sistema de saúde para ficarem em alerta e participar das eleições dos conselhos gestores para que pessoas que joga contra o interesse da comunidade não sejam mais eleitos.

Maria da Glória De Lamari Nogueira