11 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

TODOS NOS SENTIMOS UM POUCO ÓRFÃOS... DE CIDADANIA


| Tempo de leitura: 2 min

Gostaria de expressar um pouco os sentimentos que afligem com certeza a muitas pessoas, sobre o episódio das mortes no Jardim Higienópolis, no dia 18/06, aqui em Bauru. Moro próximo ao local da tragédia e vocês não têm noção dos sentimentos de abandono e impotência que vem nos assolando.

 Obviamente, não tem comparação ao sofrimento das famílias envolvidas, mas é uma tristeza e um sofrimento profundo por não haver resposta e nem uma explicação que amenize.

Gostaria de chamar a atenção da comunidade do nosso bairro e de outros também, pois como disse a Mariana, “isso não acontece só com o vizinho”, pois precisamos de uma explicação dos responsáveis pela segurança pública, do Estado, do prefeito - “o baladeiro”. “Queremos saber o que vai ser feito, queremos que parem de nos mostrar estatísticas furadas sobre baixo índice de criminalidade ou, como querem nos convencer, que este foi um fato isolado. Nós queremos atenção, nós queremos ser cuidados, não se esqueçam:  nós pagamos por isso, não é um favor.”

 Vale perguntar também se os assaltos a residências, roubos e arrombamentos de carros, assaltos a supermercados na região do Higienópolis, que não são noticiados pelos meios de comunicação, estão fazendo parte das estatísticas oficiais. Estão dentro dos baixos índices de ocorrências?

A frase da Mariana “isso não acontece só com o vizinho”, apesar de clichê, é a mais pura verdade. O bar do Japa Lalá era freqüentado por advogados, jornalistas, filhos de promotores, médicos, professores, escriturários, policiais, estudantes, gente comum e honesta e também gente doente e desonesta, como em todos os lugares públicos.

Não pensem, senhor prefeito e senhores responsáveis pela segurança pública de Bauru, que vocês e suas famílias estão a salvo desses episódios. E gostaria de ver, se um dia forem vítimas, vocês fazendo declarações a si mesmos que os índices de criminalidade continuam dentro do normal, dentro da curva esperada.

Cito aqui a figura de nosso prefeito porque, visto o mesmo agir como o “senhor da ecologia”, árduo defensor da fauna e flora, dos peixinhos do rio Batalha, também deveria mobilizar suas forças no sentido de preservar a vida dos trabalhadores bauruenses e seus bens.

Lamentavelmente, o máximo que um simples cidadão tem como instrumento de defesa é escrever um artigo como esse. Acho que os senhores, autoridades responsáveis, ganham para responder melhor que isso. Esperamos por uma resposta menos burocrata e mais pró-ativa.

Néli Marina G. S. Trugilho e Silvio Archangelo Trugilho