La Plata - O Monsenhor Antonio Marino, bispo auxiliar da cidade de La Plata, anunciou que a Igreja Católica propõe a realização de um plebiscito para que a população argentina decida se concorda com a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Segundo a cúpula da Igreja, que se opõe categoricamente à lei, a modalidade de um plebiscito para definir a eventual aprovação ou rejeição ao projeto de casamento homossexual constituiria “uma via mais razoável” do que seu atual debate no Parlamento.
Monsenhor Marino sustenta que diversos parlamentares estão sendo pressionados para aprovar a lei. Segundo o bispo, senadores que concordam com a Igreja Católica confessaram ao clérigo que estão apoiando oficialmente a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo por aquilo que denominou de “realismo político”. Enquanto isso, militantes de organizações católicas pretendem pressionar os senadores por conta própria com a convocação de uma marcha de protesto.
A manifestação está marcada para o dia 13 de julho, véspera da votação do projeto de lei no Senado. A lei, que esteve engavetada durante meses no Parlamento - e que foi aprovada recentemente na Câmara de Deputados -, provocou divisões dentro das fileiras do governo da presidente Cristina Kirchner e nos próprios partidos da oposição. Nas últimas semanas, grupos de atores e intelectuais fizeram campanhas em defesa do direito do casamento de pessoas do mesmo sexo.
Se a lei for aprovada pelo Senado, a Argentina se tornará o primeiro país no continente a contar com uma lei que autorize o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o território nacional. Em 2007 o Uruguai transformou-se no primeiro Estado latino-americano a contar com uma lei de união civil entre pessoas do mesmo sexo. No entanto, a união civil deixa de lado vários direitos de um casamento formal.
O casamento entre duas pessoas do mesmo sexo possui precedentes na Argentina, já que em dezembro passado um casal de homens oficialmente casou-se graças à uma disposição especial da Justiça da província de Tierra del Fuego.
De lá para cá, ONGs argentinas pressionaram o Parlamento para a aprovação de uma lei que permita o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo em todo o território argentino.