08 de julho de 2026
Esportes

Copa 2010: Para torcida, que venham a Holanda e a Argentina

Por Wagner Teodoro | Com Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 6 min

A goleada sobre o Chile, além de convencer e deixar o nível de confiança da torcida verde-amarelo no topo, serviu para os torcedores já projetarem os futuros confrontos e desafiarem os arquirrivais argentinos em uma possível final da Copa do Mundo da África do Sul. Adriano Martins Chagas, que festejava na avenida Getúlio Vargas com uma vuvuzela, revela que o placar elástico diante dos chilenos superou suas expectativas. “A vitória foi mais que o esperado. Esperava 1 a 0, no máximo 2 a 0. A goleada surpreendeu”, admite.

Para Chagas, a vitória contra o Chile mudou a Seleção. “O Brasil estava mal e agora está bem, estou confiante”, completa o torcedor, ao lado do amigo Daniel José da Silva, que aproveita para fazer uma profecia. “Vamos fazer a final com a Argentina e vamos ‘bagaçar’”, crava. Silva reforça sua previsão. “Vai dar Brasil e Argentina e vai ser um ‘regaço’. A Argentina não aguenta”, garante.

Outro que comemorou na Getúlio foi Leandro Henrique de Souza, que também confessa que a goleada foi uma surpresa. “Foi ótimo. Esperava 2 a 0, mas 3 a 0 ficou perfeito”, comenta. Souza aposta em novo show contra a Holanda nas quartas da Copa. “Acho que o Brasil vai detonar a Holanda”, projeta. O torcedor também acredita em uma decisão de título contra a Argentina, para seu temor. “Estou temendo isso, porque a Argentina está jogando muito bem”, admite.

O eufórico William Augusto tem opinião completamente contrária. “Quem que é a Argentina? A Argentina sempre treme para nós. O hexa é nosso, não tem para ninguém”, manda, já prevendo o título. E quanto à Holanda, próximo adversário? “A Holanda treme quando joga com o Brasil”, entende. O torcedor ainda fez a defesa do técnico Dunga, contestado por parte da crônica esportiva e por alguns torcedores. “A Seleção está partindo para cima agora e vamos buscar o hexa. Todo mundo achou que não iria ganhar, mas o Dunga está superando todos”, conclui.

No Alameda Quality Center, Maurício Ruiz acredita que a “verdadeira” Copa do Mundo começa para o Brasil a partir de agora. “Esperava este resultado ou até 4 a 1. É um adversário fraco, o Chile ganhou de Honduras e Suíça, mas não ganhou da Espanha. A Copa vai começar sexta-feira contra a Holanda, um time forte”, observa, já adiantando seus candidatos ao título. “Os quatro favoritos ao título são Brasil, Argentina, Alemanha e Holanda”, aposta.

Ruiz é mais um que está na torcida para que o Brasil vença a Argentina e ganhe o título. “Eu torço por isso, todo mundo torce, tanto os brasileiros quanto os argentinos estão torcendo. (Seria) Uma final histórica, bom para o futebol”, acredita. Antes, no intervalo da partida, Bruno Marcondes já previa os três gols brasileiros e considerava natural um início de jogo mais tímido. “Eu imagino uns 3 a 1 no final do jogo. O Brasil sempre começa meio amarrado, aí faz um e abre a porteira”, disse.

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Vitória foi previsível

“Esse jogo vai ser fácil, 3 a 0 para nós. Estou confiante, o Brasil é penta e vai rumo ao hexa”, cravou Lia Monteiro, que acompanhou o jogo no Bauru Tênis Clube, acertando em cheio o resultado da partida. Ainda no BTC, Anderson Aparecido de Paula apostava em uma partida tranquila e já estava mais preocupado com as quartas-de-final, contra a Holanda. “Sinceramente, acho que não vai ser uma partida tão difícil. O mais complicado vai ser contra a Holanda. O Brasil, contra equipes sul-americanas, leva vantagem. A Holanda já é uma escola diferente”, ponderou.

“Espero jogo difícil, mata-mata é difícil, mas o Brasil passa”, apostou Paulo Laranjeira, no Comprando. O torcedor analisou os desfalques da Seleção e até gostou da substituição de Felipe Melo por Ramires. “O Elano faz mais falta, mas prefiro que no jogo de hoje (ontem) jogue o Ramires do que o Felipe Melo. O Brasil, independentemente disso, tem que ir para cima. Acho que vai ser 3 a 1”, arriscou. Errou o placar por pouco, mas acertou o número de gols do Brasil. Laranjeira estava confiante também para o duelo das quartas-de-final contra a Holanda. “É pedreira. Mas, pelo que vi da Holanda, acho que passa também”, apostou.

Também no Comprando houve quem cravou o placar do jogo. “O Brasil tem tudo para ganhar de 3 a 0 hoje (ontem)”, previu Nélson Sorroche Ramires. “Hoje é aquela história: bater em bêbado é covardia e apanhar é feio. O Brasil tem tudo para ganhar”, adivinhou. Lembrado dos desfalques do Brasil, Ramires argumentou que o Chile também tinha vários desfalques.

Toninho Coelho, que trabalhava no Comprando, afirmou que sua preferência era o Brasil encarar a Espanha. “Eu preferia a Espanha, porque o Chile é um time mais forte. Aposto em 2 a 1, não vai ser um jogo fácil, mas voltam Kaká e Robinho e vai dar tudo certo”, analisou. Já a torcedora Fabiana Mady Bertolini comparou os chilenos com outros candidatos ao título e considerou o jogo menos complicado do que as próximas fases. “Acho que vai ser mais fácil do que daqui em diante. Por enquanto, ainda não está tão complicado. O Chile é um pouquinho menos difícil, comparado a uma Argentina, Alemanha. Estou confiante”, externou.

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Brasil não deixa os ‘chilenos bauruenses’ comemorarem

Bastou o Brasil fazer o primeiro dos três gols sobre o Chile ontem para a esperança de vitória dos chilenos bauruenses ficar para um próximo confronto. O time do técnico Dunga não deu chance para que torcedores do Chile pudessem pelo menos sonhar com uma prorrogação.

Acostumados a ver a Seleção de seu país perder para o Brasil, os chilenos bauruenses Guillermo Roberto Jaque Molina e Enrique Corthorn foram objetivos em suas avaliações após o placar clássico de 3 a 0. Molina definiu o resultado como “lamentável”. Já Corthorn disse que o Chile fez o que tinha que fazer e o Brasil soube explorar os espaços com rápidos contra-ataques.

Molina assistiu ao jogo com a esposa, a brasileira Eliethe Flore Spirandelli. Ele lembrou que o Chile é freguês dos brasileiros e que já tem excepcional performance na Copa chegando à disputa de oitavas-de-final. Prosseguir no Mundial seria impossível jogando contra o Brasil. Só sob o comando do técnico Dunga, ontem foi a sexta vitória brasileira. Molina comenta que jogar aberto contra Kaká, Robinho, Luís Fabiano é loucura. “Tem que dizer da coragem da equipe chilena com aquele futebol. Tem que ter coragem para jogar contra os inhos (Robinhos e Ronaldinhos) do Brasil”, avalia.

Sino

A cada gol do Brasil, sua esposa comemorava badalando um sino na entrada principal da casa, em um condomínio em Piratininga. A cachorrinha da família, Shiva, latia correndo atrás da dona contrariada com sua comemoração efusiva. “Já era”, desistiu Molina, após o segundo gol.

Corthorn comentou que não tem o costume de se preparar com um ritual para acompanhar a Seleção de seu país. Ele já residiu na Argentina e no Paraguai e passou a adolescência no Rio de Janeiro, onde torcia pelo Fluminense. No Chile torce para a Universidade Católica. Atualmente, Corthorn é diretor de comunicação e marketing da Universidade do Sagrado Coração (USC).

Molina é artista plástico que se dedica à escultura. Inicialmente fazia as peças moldano o mármore e o granito. Atualmente, sua produção artística está focada em esculpir o metal, como o cobre. Ele nasceu em Santiago e residiu por 20 anos na cidade portuária de Valparaíso. Ao chegar no Brasil em 1991 residiu no município paulista de Embu das Artes, onde morou por cerca de 13 anos. Depois se mudou para a região de Bauru. A esposa se aposentou como professora universitária da Unesp de Botucatu e mantém vínculo com a academia.