Recife - A chuva que voltou a atingir parte do Nordeste causou a morte de mais duas pessoas ontem, elevando para 54 o total de mortos nos temporais em Pernambuco e Alagoas. Ambos viviam em Pernambuco, onde as chuvas já deixaram 20 vítimas.
Renata Bezerra da Silva, 2 anos, foi soterrada num deslizamento em Recife. Leonilson Ferreira da Silva, 34 anos, foi arrastado numa enxurrada em Gameleira (110 km de Recife).
A menina morava na Linha do Tiro (zona norte), bairro onde, no dia 18, cinco pessoas de uma mesma família morreram soterradas.
O acidente aconteceu por volta das 5h. A criança ainda dormia em casa com a mãe e quatro irmãos. Todos foram resgatados com vida, mas a menina morreu antes de ser atendida numa clínica local. Mãe e irmãos passam bem.
Dos 185 municípios pernambucanos, 67 foram afetados pelas chuvas; há 12 em estado de calamidade pública e 27 em situação de emergência. O Estado tem 82,6 mil desabrigados/desalojados.
Em Alagoas, a Defesa Civil não registrou novas mortes. No Estado, 34 pessoas morreram e 76 estão desaparecidas. Mais de 74 mil pessoas estão fora de suas casas e 28 municípios foram afetados - 15 em estado de calamidade pública e quatro em situação de emergência.
Onze dias após o início das enchentes, os Estados enfrentam nova preocupação: doenças comuns após cheias. Em Alagoas, segundo a Secretaria da Saúde, já há registro de 43 casos de diarreia aguda, cinco de leptospirose e ao menos um de hepatite A. Segundo o secretário Herbert Motta, o número de doentes deve aumentar.
A maior preocupação, segundo ele, é com a higiene e limpeza dos abrigos públicos. No Estado, 26 mil pessoas estão neste locais.
Em União dos Palmares (81 km de Maceió), a prefeitura informou que agentes vão a abrigos aplicar vacinas contra hepatite, tétano e raiva.
Ontem, o Ministério da Saúde anunciou o envio de mais 200 mil doses de vacinas para o Estado.
Em Pernambuco, a Secretaria de Saúde iniciou no fim de semana a distribuição das 11 toneladas de medicamentos enviados pela União.
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Reconstrução fora das áreas de risco
Brasília - O presidente Lula disse ontem que as cidades de Alagoas e Pernambuco, devastadas pelas enchentes, serão reconstruídas fora das áreas de risco. O governo federal repassou aos Estados R$ 275 milhões de ajuda na semana passada. “Obviamente que, para reconstruir as casas, para reconstruir as cidades, nós não poderemos gastar o dinheiro reconstruindo no mesmo local que teve enchente. Daí porque a responsabilidade dos prefeitos, dos governadores, de procurarem locais fora da área das enchentes”, disse Lula, durante o programa “Café com o Presidente”.
O presidente, que visitou Alagoas e Pernambuco com uma comitiva de ministros, disse que todos ficaram “estarrecidos” com a situação dos municípios atingidos e pediu providências para que a população seja atendida rapidamente. “Fiz questão de visitar a região e de levar vários ministros, para que a gente veja in loco a situação que as pessoas estão passando e para que a gente tome medidas mais rápidas.”
Além dos R$ 275 milhões para cada Estado, Lula falou da concessão de R$ 1 bilhão para financiamento do comércio e da indústria local atingidos, da liberação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para os trabalhadores vítimas das enchentes e que o Ministério das Cidades vai usar o programa Minha Casa, Minha Vida para financiamento de novas residências.
Lula ainda comentou os resultados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) divulgada semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para o presidente, a pesquisa revela que está havendo distribuição de renda e que a população está se alimentando melhor.