09 de julho de 2026
Internacional

Irã diz que só volta a negociar em agosto


| Tempo de leitura: 2 min

Teerã- O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, se disse preparado para reatar conversas nucleares no final de agosto, apesar das novas sanções. Mas condicionou a retomada à integração do Brasil e da Turquia. Segundo o iraniano, a postergação em dois meses da volta à mesa de negociações é “punição” às potências pela aprovação da quarta rodada de sanções contra Teerã no Conselho de Segurança.

“Chamamos isso de mau comportamento”, disse o iraniano a jornalistas na capital do Irã. “É um castigo para puni-las de maneira que aprendam como se comportar em um diálogo com esta nação.” Ahmadinejad afirmou que a base das negociações deverá ser a proposta de acordo obtida no mês passado após intervenção brasileiro-turca.

A proposta, que prevê o envio de urânio pouco enriquecido à Turquia e o recebimento do material enriquecido a 20% - próprio para uso medicinal - num ano, se baseia em acordo delineado pelo Ocidente no ano passado. Mas o texto foi rejeitado pelos EUA e aliados, que lideraram as gestões pelas novas sanções da ONU. As potências temem que o programa nuclear iraniano possua fins militares - o que o Irã nega.

Brasil e Turquia

O presidente do Irã cobrou ainda a inclusão dos governos do Brasil e da Turquia no grupo que negocia uma solução para o impasse nuclear, hoje formado por EUA, França e Rússia (Grupo de Viena) -aos quais se somam China, Rússia e Alemanha no P5+1.

Segundo Ahmadinejad, os aliados - os únicos membros que votaram contra a resolução da ONU neste mês - são “países independentes” que creem em justiça e respeito. O iraniano também cobrou do Ocidente esclarecimentos de sua posição sobre o arsenal nuclear de Israel, o desarmamento nuclear global e se irá às negociações como amigo ou inimigo do Irã.

Ontem, duas empresas de petróleo ocidentais - a francesa Total e a espanhola Repsol - anunciaram a suspensão dos negócios mantidos no Irã, nos primeiros desdobramentos das novas sanções aplicadas contra o país.

Além da punição da ONU, medidas adicionais e ainda mais duras já foram aprovadas pelo Congresso dos EUA, e o mesmo deve ocorrer em um mês na União Europeia.