08 de julho de 2026
Articulistas

Contramão

Ney Vilela
| Tempo de leitura: 2 min

Energia limpa é necessidade planetária. China e EUA desenvolvem carros elétricos eficientes. As nações europeias substituem o carvão por energia nuclear, tentando reduzir a emissão de gases estufa. Energia eólica não é mais diletantismo de velhos hippies. Várias modalidades de energia alternativa são utilizadas, não importa se vinda de vulcões islandeses ou das marés, no Mar do Japão.

O caminho para o futuro não pode ser trilhado com veículos que queimam derivados de petróleo. Só aposta no petróleo um país que - por comodismo ou miopia governamental - decidiu caminhar na contra mão, apostando centenas de bilhões de dólares em jazidas petrolíferas que se encontram a sete mil metros de profundidade, ao invés de investir dez vezes menos em desenvolvimento de carros elétricos, na difusão da tecnologia de produção de etanol em países africanos, ou na construção de hidroelétricas de médio e grande porte. Este país, infelizmente, é o Brasil.

Entramos na contra mão faz pouco tempo. Há sete anos, mais precisamente. Nos 40 anos anteriores estivemos na estrada certa e na frente dos outros países. Na década de 1970 construímos grandes hidroelétricas, criamos o proalcool, desenvolvemos usinas atomoelétricas. Os governos que se seguiram cometeram desatinos na política e não apostaram como deveriam no desenvolvimento educacional e cultural do país, mas ninguém se descuidou do provimento de uma matriz energética cada vez mais limpa. Até que Lula da Silva chegou à presidência e Dilma Rousseff chegou ao Ministério de Minas e Energia.

De lá para cá, os erros se multiplicaram. Não se iniciou a construção de uma única hidroelétrica. O governo brasileiro estreitou relações diplomáticas com países governados por ditadores que, além do descaso em relação aos trâmites democráticos e ao desrespeito aos direitos humanos, poluem o ar planetário quase tanto quanto o debate político. Lula da Silva permitiu que Evo Morales, da Bolívia, nos tungasse equipamento que produz energia. Também deixou que o bispo polígamo que governa o Paraguai nos colocasse em situação de sobressalto em relação ao fornecimento de energia elétrica.

No terreno da distribuição de energia elétrica, nossos linhões estão sucateados. No que concerne à universalização do etanol, poderíamos dar aos países europeus tranquilidade em relação à multiplicação de fornecedores, gerando oportunidades de investimentos para nossos empresários e emprego e riqueza para nações africanas, levando nossa vitoriosa tecnologia para o outro lado do Atlântico Sul.

Carros elétricos precisam de lítio. A Bolívia tem as maiores jazidas do planeta. Precisamos ajudar o povo boliviano a aproveitar esta riqueza, embora o chefe cocaleiro que governa o país teime em sentar sobre essas reservas. Quando o Brasil voltará ao caminho certo, em questões energéticas? Quando nos livrarmos da atual administração federal. Outubro se aproxima! É hora de tirar o Brasil da contramão.

O autor, Ney Vilela, é coordenador regional do Instituto Teotônio Vilela