09 de julho de 2026
Esportes

Copa 2010: Dunga lamenta ter de deixar Johanesburgo


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Desde que desembarcou na África do Sul, a Seleção Brasileira vivia da forma como Dunga esperava: isolada e tranquila em um hotel construído no meio de um campo de golfe. Mas a passagem da delegação verde e amarela pelo The Fairway, em Johanesburgo, acaba nesta semana. “Estávamos bem acomodados no hotel, tranquilos, em um ambiente saudável e favorável à preparação da seleção. Agora, vamos conviver em hotéis com mais gente, mais confusão e movimentação”, lamentou.

Nesta fase decisiva da Copa do Mundo, a própria Fifa determina em qual local cada seleção fica hospedada. Com o jogo contra a Holanda agendado para sexta-feira, às 11h (de Brasília), em Port Elizabeth, o Brasil deixa sua concentração atual hoje e faz o reconhecimento do gramado no dia seguinte. Se superar a Laranja nas quartas de final, o Brasil viajará direto para Cidade do Cabo, onde será realizada a semifinal (contra o vencedor de Uruguai e Gana). Assim, se também se qualificar para a decisão, a Seleção finalmente volta a Johanesburgo, pois o jogo final acontecerá no Soccer City.

Porém, Dunga não poderá hospedar novamente os atletas no campo de golfe, já que a Fifa determina o outro local. “Precisamos superar essa situação. Vamos pensar jogo a jogo. Para nós, seria importante permanecer onde estamos para ficarmos focados só na Seleção. Agora, vamos para outra realidade”, lamentou. Ontem, os titulares não saíram da concentração, fazendo apenas um trabalho regenerativo. Já os reservas treinaram normalmente.

Pendurados

Classificado às quartas de final da Copa do Mundo da África do Sul, o Brasil já direcionou o pensamento para a Holanda, adversário da equipe pentacampeã mundial na briga por um lugar nas semifinais do torneio. Depois da vitória por 3 a 0 sobre o Chile, anteontem, o técnico Dunga mostrou-se preocupado com as situações de Kaká, Juan e Luís Fabiano - o trio está pendurado.

“Realmente é um problema ter um jogador como o Kaká pendurado. É um dos equívocos desta Copa do Mundo, todo jogador técnico é punido, o que comete faltas é agraciado. Vamos pensar em vencer e tenho a certeza que ele sequer se lembrará deste aspecto na hora da partida”, garantiu o treinador brasileiro.

O trio brasileiro deverá atuar com cautela diante dos holandeses para não correr o risco de ficar fora da semifinal do Mundial. Diante da Laranja Mecânica, a equipe de Dunga não terá à disposição o volante Ramires, que recebeu o segundo cartão amarelo. A situação, no entanto, não preocupa Kaká. “Vou continuar me policiando no próximo jogo e quero evitar ficar fora da semifinal”, afirmou o meio-campista.

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Só quatro reservas

ainda não jogaram

Na linha seguida por Luiz Felipe Scolari em 2002, o triunfo de anteontem sobre o Chile, por 3 a 0, que classificou o Brasil para as quartas de final, fez com que praticamente todo o elenco de Dunga já tenha participado de pelo menos alguns minutos da Copa do Mundo. As exceções ficam por conta, apenas, dos dois goleiros e zagueiros reservas da seleção.

Sempre atuando os 90 minutos inteiros, ao longo dos quatro jogos até agora, os titulares Julio César, Lúcio e Juan não deixaram o quarteto formado por Gomes, Doni, Thiago Silva e Luisão aparecer ainda na África do Sul. Completam a lista sem descanso Gilberto Silva, Maicon e Michel Bastos. Os últimos a sentir o gostinho de atuar foram o lateral esquerdo Gilberto e o volante Kleberson, que receberam a oportunidade de entrar no segundo tempo, nas vagas de Kaká e Robinho, quando o resultado já estava garantido.

Coincidência ou não, a tática de colocar o maior número possíveis de atletas em campo foi adotada por Felipão na seleção campeã mundial em 2002. Naquela campanha, apenas o goleiro Marcos não foi substituído e o treinador aproveitou principalmente os jogos que já estavam ganhos para colocar seus reservas.

Ao final do confronto, Gilberto comentou: “Ele me deu uma chance, já estava 3 a 0, então foi normal que fizesse as substituições”. Em seguida, completou: “Entrei de lateral, deixei o Michel [Bastos] na frente porque vi que ele já estava quente. Falei “vou ficar e você vai’. Em cinco minutos, ele fez uma bela jogada e quase marcou”. Além de Felipão, em 2006 a tática também foi usada pelo técnico Carlos Alberto Parreira, que chegou a colocar até o goleiro reserva Rogério Ceni no lugar de Dida -de acordo com ele, como “homenagem” ao experiente atleta.